terça-feira, junho 09, 2015

Não mais dos teus olhos


Edward Hopper, "Summer in the city"

Não mais dos teus olhos
brotam aves, quando amanhece
e a luz desenha geometrias
no chão, nas paredes,
e nos telhados em frente.

A manhã chega tarde ao teu corpo,
despido agora da ternura
que o meu corpo reclama ainda.

Nascem, nos teus dedos,
gestos lentos e inábeis,
despojos de carícias antigas,
memórias de um tempo
que nos pertenceu.

As palavras, em desconcerto
com os seus referentes,
vagueiam, cansadas,
entre o quarto e a porta da rua,
numa ânsia absoluta de redenção.


Deep, 09 de Junho de 2015

Não mais que um apontamento...

8 comentários:

© Piedade Araújo Sol disse...

Deep

gostei demais do poema!

terno e um pouco sensual.

beijo

:)

deep disse...

Muito obrigada, Piedade. :)

Bj

Mar Arável disse...

Há dias assim

quase eternos

deep disse...

Ou eternos no que têm de cíclico, Mar Arável. :)

Isabel disse...

O poema é bonito e a pintura escolhida também. Gosto da pintura de Edward Hopper.

Bom fim-de-semana:)

pcristinasantos disse...

È mesmo muito bonito! Que boas inspirações. :)

Carmem Grinheiro disse...

Olá, Deep.
Bonito poema. E, como bom poema, sempre dado a várias interpretações aos olhos de quem lê, segundo seu estado de espírito, suas vivências e todo seu ser. A mim, "trouxe-me" a manhã depois da noite de amor, em que os amantes apaixonados despertam e, na ausência do luar e na presença da luz ofuscante do sol que acorda, a realidade já não sabe a mel...

bj amg

deep disse...

Muito obrigada, Isabel. :) Também gosto bastante de Hopper.

Muito obrigada, Paula.:)

Olá, Carmem, e muito obrigada. :) Qualquer poema se presta sempre a diferentes interpretações que só o tornam mais rico. :)

Bjs para todas