segunda-feira, abril 27, 2015

Como as árvores


Duy Huynh
Inclino-me, como as árvores,
à passagem do vento,
rendo-me aos seus doces sussurros,
sedutor incorrigível, quando a tarde declina...

Inclino-me, quando impetuoso,
rompe pelos caminhos e sibila
nas folhas.

Inclino-me, mas não parto...

Como as árvores, tenho raízes
que me prendem ao chão
e ramos no lugar dos braços.

Como elas, acolho, sem os abraçar,
os pássaros que buscam agasalho

Oiço-os cantar – e quero ser ave.
Vejo-os voar – e quero, no lugar dos ramos,
no lugar dos braços, ter asas.

Deep, 27 de Abril de 2015

10 comentários:

Cadinho RoCo disse...

Quando vem a poesia eis que as asas surgem.
Cadinho RoCo

deep disse...

É certo, Cadinho. :)

Mar Arável disse...

Por vezes mais leves que os pássaros

Isabel disse...

Um belíssimo poema!

E a imagem é muito gira!

© Piedade Araújo Sol disse...

a força da natureza!

e da poesia que te dá asas e força.

muito belo!

:)

heretico disse...

os ramos se façam asas - e as raízes caminho.

Armando Sena disse...

Todos buscamos um agasalho com que nos abrigar.
A natureza é o mais leal de todos os agasalhos.
bj

deep disse...

Obrigada a todos pela companhia e pelas palavras simpáticas.

Um bom domingo. :)

Abraço

Carmem Grinheiro disse...

"como as árvores, tenho raízes" - e essas raízes se espalham e ganham força, não deixando que sucumba.
Também quero ser como as árvores ;)

bj amg

deep disse...

Obrigada, Carmem. :)
Bj