Segunda-feira, Agosto 30, 2010
Sábado, Agosto 28, 2010
Quinta-feira, Agosto 26, 2010
Terça-feira, Agosto 24, 2010
Por que é que a escrita nos faz procurar o escritor?
"Por que é que a escrita nos faz procurar o escritor? (...) Por que é que os livros não bastam? (...) O que é que nos torna ávidos de relíquias? Não acreditamos suficientemente nas palavras? Quando Robert Louis Stevenson morreu, a sua ama, com um espírito de negócio de boa escocesa, começou calmamente a vender cabelo que afirmava ter cortado da cabeça do escritor quarenta anos antes. Os crentes, os investigadores, os exploradores, compraram cabelo que dava para estofar um sofá."
Li, há umas horas, esta passagem de O Papagaio de Flaubert, de Julian Barnes (não deixem de ler o seu Arthur & George, baseado num episódio verídico da vida de Arthur Conan Doyle). Não constitui a melhor resposta ao último comentário ao "post" anterior, mas talvez seja uma das possíveis explicações para o hábito (necessidade) de pedirmos autógrafos - talvez as palavras insertas nos livros não nos cheguem...
Domingo, Agosto 22, 2010
Domingo e poesia
Percebo agora
Percebo agora
Que já não sei a cor dos teus olhos.
Perdi o teu sentido há tanto tempo...
Eu era uma menina,
E dei-te a mão
Como se a tua morada,
De repente,
Fosse a minha direcção.
Já não reconheço os teus dedos.
Caminhamos dias e dias
Esquecendo que algures
Eu devia pertencer a alguém.
Não alcanço já a tua sombra.
Deixaste-me ficar por fim,
À beira de um rio
Onde lavaste o corpo e empenhaste a alma
Para dizer adeus sem culpa.
E hoje já não sei
Se foste tu ou eu
Quem omitiu o retorno.
Virgínia do Carmo, Tempos Cruzados
Outros poetas
Há monstros nas sombras daquilo
que toco, sem notar existir
vagueiam prateleiras forradas
a livros, uniões de facto,
íntimas de mim. Há silêncios
na casa, que implodem e suplicam
sobrevivências num rasto vermelho
fogo - emergido à contra-luz duma
taciturna madrugada. Devo-lhes
esse silêncio, o sangue frio em reunião
com as palavras que respiram e se aclaram
noutros monstros
[de vozes inquietas
que me sussurram e despertam
para outras vidas, outras paragens.
Miguel Pires Cabral, Café Solo
Ontem, tive a sorte de encontrar e de ouvir, numa tertúlia intitulada "Os Prazeres e as Dores da Escrita", os dois poetas. Aproveitei para lhes "roubar" autógrafos.
Percebo agora
Que já não sei a cor dos teus olhos.
Perdi o teu sentido há tanto tempo...
Eu era uma menina,
E dei-te a mão
Como se a tua morada,
De repente,
Fosse a minha direcção.
Já não reconheço os teus dedos.
Caminhamos dias e dias
Esquecendo que algures
Eu devia pertencer a alguém.
Não alcanço já a tua sombra.
Deixaste-me ficar por fim,
À beira de um rio
Onde lavaste o corpo e empenhaste a alma
Para dizer adeus sem culpa.
E hoje já não sei
Se foste tu ou eu
Quem omitiu o retorno.
Virgínia do Carmo, Tempos Cruzados
Outros poetas
Há monstros nas sombras daquilo
que toco, sem notar existir
vagueiam prateleiras forradas
a livros, uniões de facto,
íntimas de mim. Há silêncios
na casa, que implodem e suplicam
sobrevivências num rasto vermelho
fogo - emergido à contra-luz duma
taciturna madrugada. Devo-lhes
esse silêncio, o sangue frio em reunião
com as palavras que respiram e se aclaram
noutros monstros
[de vozes inquietas
que me sussurram e despertam
para outras vidas, outras paragens.
Miguel Pires Cabral, Café Solo
Ontem, tive a sorte de encontrar e de ouvir, numa tertúlia intitulada "Os Prazeres e as Dores da Escrita", os dois poetas. Aproveitei para lhes "roubar" autógrafos.
Sexta-feira, Agosto 20, 2010
Quarta-feira, Agosto 18, 2010
Porta
Ontem, recebi de oferta esta porta que foi fotografada em Torre de Moncorvo.
Um grande obrigada à fotógrafa!
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Terça-feira, Agosto 17, 2010
Domingo, Agosto 01, 2010
Boas férias!
Viajar! Perder países!Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!
Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E da ânsia de o conseguir!
Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.
Parto, por uns dias, para outras paragens (onde o calor é menor, avisaram-me).
Deixo-vos, assim, na companhia de F. Pessoa.
Boas férias para quem pode desfrutar delas!
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