Quarta-feira, Março 31, 2010

Pois... também gosto desta versão



Stacey Kent: "Les eaux de Mars"

Março está no fim e tudo indica que Abril fará justiça ao provérbio.

Azul

(Trás-os-Montes, Março de 2009)

Terça-feira, Março 30, 2010

Ces petits riens



Ofereceram-me... e eu partilho. ;)

Segunda-feira, Março 29, 2010

Ontem foi dia de...

de saudar o sol e a Primavera...

e de fotografar pormenores na aldeia...

Sexta-feira, Março 26, 2010

À distância é capaz de ser difícil...

As mãos pressentem...

As mãos pressentem a leveza rubra do lume
repetem gestos semelhantes a corolas de flores
voos de pássaro ferido no marulho da alba
ou ficam assim azuis
queimadas pela secular idade desta luz
encalhada como um barco nos confins do olhar


ergues de novo as cansadas e sábias mãos
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e
o amargor húmido das noites e tanta ignorância
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva
quase nada


Al Berto

Ouvir esta música...



(Duran Duran: Save a Prayer)
... ainda me causa nostalgia...
(Isto hoje está lindo, está! Já chorei de emoção, já quase chorei de raiva, só me faltava agora chorar de saudade...)

Os rapazes detestavam-nos. Aqueles que gostavam deles ou que simplesmente os toleravam não ousavam confessá-lo, receosos de serem alvo de chacota da maioria. As raparigas - não todas, obviamente -, contra ventos e marés masculinos, idolatravam-nos, umas pela música, outras pela figura dos rapazes, outras pelas duas razões. Grande parte das fãs adolescentes babavam pelo Simon ou pelo John. Eu preferia, de longe, o Roger - talvez por ser o mais discreto, aquele que fugia ao rótulo de "bonitinho", mas também por ser o mais moreno.
Ainda que não soubéssemos patavina de alemão, juntávamos uns trocos (bastantes para a época) para comprar a Bravo para, muitas vezes, os vermos numa fotografia minúscula onde mal se distinguiam. Como se não bastasse, desafiávamos a paciência materna, forrando a parede do quarto com posters dos "meninos" e de outras bandas, saídos de publicações juvenis de fraca qualidade, como a Miúda ou a Coquete.

Quarta-feira, Março 24, 2010

Um poema, uma canção... e um brinde

em honra da menina Hipatia. Parabéns!

E ao anoitecer

e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia

Al Berto



"Remember everything that spring
Can bring..."

Quiet town

Segunda-feira, Março 22, 2010

Who's gonna ride your wild horses?



Esta foi a primeira música que ouvi hoje, mal liguei o carro. Nada mal...
(Este senhor "boa voz" continua de muito boa figura... eu diria até que a idade lhe trouxe mais charme! )

Qual foi a primeira música que ouviste hoje?

Domingo, Março 21, 2010

Bathtime



Não é nada por ser "bathtime" (hoje nem chove nem choveu afinal!), mas porque estive a ouvir e me deu vontade de partilhar...

Também por ser o Dia da Poesia...

(Trás-os-Montes)

Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...

Fernando Pessoa, Cancioneiro

Springtime can kill you...



("Springtime can kill you" da Jolie Holland, em repetição por aqui.)


... sobretudo se, em vez vir o sol, continuar esta chuva deprimente.

Sábado, Março 20, 2010

Dia L

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Houve quem tivesse ficado em casa pelas mais variadíssimas razões, entre as quais a forte chuva que caiu um pouco antes das 8h30. Ouvi a mais do que uma pessoa que não aderia à iniciativa por achar que deviam trabalhar aqueles que sujam; houve também que defendesse que o seu contributo seria não sujar. Percebo e respeito - mesmo.
Eu decidi participar e não me arrependo de o ter feito, apesar da chuva e de ter constatado que o lixo com que esbarramos nos caminhos ou nas bermas das estradas dá apenas uma pequena ideia de todo o lixo que este nosso Portugal esconde. A este nível, está longe de ser um país civilizado.
Gostei de ver alguns jovens empenhados na limpeza, sem que fosse quase precisa a supervisão dos mais velhos, e de os ouvir, indignados, criticar a atitude das pessoas que não respeitam o ambiente. Gostei também de ver alguns presidentes de junta de freguesia a deitar mãos ao trabalho e a admitir que há muito para fazer.
Por tudo isto, talvez tenha valido a pena este primeiro Limpar Portugal.

Sexta-feira, Março 19, 2010

Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

Mário Quintana

Para todos, mas especialmente para os pais que passarem por cá hoje... com votos de um dia feliz.

Quinta-feira, Março 18, 2010

Águas de Março

Um supremíssimo... íssimo, íssimo, íssimo cansaço...

"O que há em mim é sobretudo cansaço
(...)
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço..."

Fernando Pessoa - Álvaro de Campos

O dia vai no fim e comigo estão mais de dez horas de trabalho. Ardem-me os olhos. Apesar da temperatura ter amenizado e do aquecimento estar ligado, não consigo deixar de sentir frio e de experimentar, de vez em quando, uma sensação de vertigem...

Deste dia que foi, com poucas diferenças, a repetição de muitos outros que o antecederam, guardo também o melhor: uma carta, daquelas longas, com sabor a outros tempos... não há nada que pague um prazer destes.

Depois de passar a "tormenta", hei-de ler-vos, responder aos comentários e pedir contas de um certo roubo (hehehe!)... Por agora, só votos de boa noite!

Segunda-feira, Março 15, 2010

O perigo da história única



Chimamanda Adichie

O vídeo é um pouco longo, mas vale muito a pena "ganhar" uns minutos...

A versão legendada em português aqui.

Domingo, Março 14, 2010

Esta tarde...


...convoquei o Pessoa, o Toots Thielemans e alguns amigos deste para um chá na varanda... Poesia, música, chá e sol combinaram na perfeição.

Sonho domado

(Trás-os-Montes)
Sei que é preciso sonhar.

Campo sem orvalho, seca
A frente de quem não sonha.

Quem não sonha o azul do vôo
perde seu poder de pássaro.

A realidade da relva
cresce em sonho no sereno
para não ser relva apenas,
mas a relva que se sonha.

Não vinga o sonho da folha
se não crescer incrustado
no sonho que se fez árvore.

Sonhar, mas sem deixar nunca
que o sol do sonho se arraste
pelas campinas do vento.

É sonhar, mas cavalgando
o sonho e inventando o chão
para o sonho florescer.

Thiago de Mello

Sexta-feira, Março 12, 2010

Purismo não, génio sim...


(Esta música não integra o novo disco... não é fácil encontrar vídeos.)

... é o título de um artigo de duas páginas do Ípsilon de hoje, dedicado aos Galandum Galundaina (o link está na barra lateral), a propósito do último disco, "Senhor Galandum".
Parabéns aos rapazes!

She's not a femme fatale...



... no sentido comum, mas é sedutora à sua maneira e a melhor mãe do mundo.
São para ela a rosa e este "Femme fatale" dos Velvet Underground, com a voz da Nico, de 12 de Março de 1967.

Parabéns!

Terça-feira, Março 09, 2010

no surprises

Desafios

O João tem destas coisas: de vez em quando, pega numa das suas bonitas fotografias e desafia-nos a escrevermos, inspirando-nos na imagem. O meu mais recente contributo já foi publicado e, antes do meu, alguns bonitos textos que vale muito a pena ler (li-os todos, ainda que tenha comentado só alguns!).
Passem pela "casa" do João e, para o contrariar (ele costuma gabar-se de ter um blogue que ninguém lê!), leiam!

Segunda-feira, Março 08, 2010

El desierto (repeat)

Morrer de amor

Wish Fulfillment



Obrigada pela oferta, rubia. :)

Mimos



Alguém, esta manhã, no meu local de trabalho, teve a simpática ideia de assinalar o dia, oferecendo a cada mulher uma rosa e dois poemas.

Mais simpático, contudo, seria que algumas dessas mulheres que hoje foram presenteadas deixassem de ser escravas da profissão, dos filhos, da casa e dos companheiros e que pudessem sentir-se respeitadas e, mais do que esposas e mães, mulheres.

A Mulher Mais Bonita do Mundo

(Gravura de Álvaro Cunhal - igual a uma que me ofereceram um dia)


estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram
flores novas na terra do jardim, quero dizer
que estás bonita.

entro na casa, entro no quarto, abro o armário,
abro uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio
de ouro.

entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como
se tocasse a pele do teu pescoço.

há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim.

estás tão bonita hoje.

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.

estás dentro de algo que está dentro de todas as
coisas, a minha voz nomeia-te para descrever
a beleza.

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.

de encontro ao silêncio, dentro do mundo,
estás tão bonita é aquilo que quero dizer.

José Luís Peixoto, A Casa, a Escuridão


Para todas as mulheres...  para que se sintam bonitas, neste e em todos os dias do ano, mesmo que ninguém tenha a gentileza de lhes lembrar que estão e que são bonitas.

Domingo, Março 07, 2010

Waltzing along



"Help comes when you need it most..."

Pronto... hoje estou virada para os "velhinhos"...

The Queen and the Soldier



The soldier came knocking upon the queen's door
He said, "I am not fighting for you any more"
The queen knew she'd seen his face someplace before
And slowly she let him inside.

He said, "I've watched your palace up here on the hill
And I've wondered who's the woman for whom we all kill
But I am leaving tomorrow and you can do what you will
Only first I am asking you why."

Down in the long narrow hall he was led
Into her rooms with her tapestries red
And she never once took the crown from her head
She asked him there to sit down.

He said, "I see you now, and you are so very young
But I've seen more battles lost than I have battles won
And I've got this intuition, says it's all for your fun
And now will you tell me why?"

The young queen, she fixed him with an arrogant eye
She said, "You won't understand, and you may as well not try"
But her face was a child's, and he thought she would cry
But she closed herself up like a fan.

And she said, "I've swallowed a secret burning thread
It cuts me inside, and often I've bled"
He laid his hand then on top of her head
And he bowed her down to the ground.

"Tell me how hungry are you? How weak you must feel
As you are living here alone, and you are never revealed
But I won't march again on your battlefield"
And he took her to the window to see.

And the sun, it was gold, though the sky, it was gray
And she wanted more than she ever could say
But she knew how it frightened her, and she turned away
And would not look at his face again.

And he said, "I want to live as an honest man
To get all I deserve and to give all I can
And to love a young woman who I don't understand
Your highness, your ways are very strange."

But the crown, it had fallen, and she thought she would break
And she stood there, ashamed of the way her heart ached
She took him to the doorstep and she asked him to wait
She would only be a moment inside.

Out in the distance her order was heard
And the soldier was killed, still waiting for her word
And while the queen went on strangeling in the solitude she preferred
The battle continued on

Sábado, Março 06, 2010

Vieste como um barco carregado de vento

Vieste como um barco carregado de vento, abrindo feridas de espuma pelas ondas. Chegaste tão depressa
que nem pude aguardar-te ou prevenir-me; e só ficaste
o tempo de iludires a arquitectura fria do estaleiro

onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste,
se partiste,
que dentro de mim se acanham as certezas e
tu vais sempre ardendo, embora como um lume
de cera, lento e brando, que já não derrama calor.

Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar
o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes;
e não existe no mundo cegueira pior do que a minha:
o frio do horizonte começou ainda agora a oscilar,
exausto de me ver entre as mulheres que se passeiam
no cais como se transportassem no corpo o vaivém
dos barcos. Dizem-me os seus passos

que vale a pena esperar, porque as ondas acabam
sempre por quebrar-se junto das margens. Mas eu sei
que o meu mar está cercado de litorais, que é tarde
para quase tudo. Por isso, vou para casa

e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.

Maria do Rosário Pedreira, O Canto do Vento nos Ciprestes

Come feel the sun



Quando poderemos fazer ou receber um convite assim?

Sexta-feira, Março 05, 2010

A leste do paraíso

Hoje tem um nome – bullying. Noutros tempos não tinha, mas manifestava-se como hoje. Na verdade, considero que é um fenómeno inerente ao homem-animal, que responde ao seu desejo, consciente ou inconsciente, de ter domínio sobre os outros, de se sentir maior, pela humilhação. Não sou psicóloga para poder “chamar os bois pelos nomes”, mas observo que cobardia e baixa auto-estima subjazem a gestos de agressão gratuita dirigidos aos pares que se julga ou que são mais frágeis.
Berros, insultos, palavrões e empurrões, quando não extorsão sob ameaça, não são exclusivos das escolas ditas “problemáticas”, nem dos alunos de meios desfavorecidos. Basta transpor o portão de uma qualquer escola de província onde aparentemente “não se passa nada” para percebermos que é assim que grande parte dos jovens comunica. O insulto e o confronto físico são as manifestações mais óbvias de bullying, mas há outras que, não sendo, visíveis, podem ser tanto ou mais danosas , como, por exemplo, a troça de que são alvo os que não entram na norma dos grupos dominantes – os gordinhos, os que não se vestem à moda, os que vivem na aldeia, ...
Talvez as escolas estejam muito preocupadas com questões que não passam por discutir e minimizar a indisciplina, talvez os pais estejam pouco atentos, talvez o Ministério tenha preferido, até há poucos dias, não ver o que é óbvio e não tenha sabido estabelecer prioridades... talvez... talvez... talvez... O que é lamentável é que, neste assunto, como em muitos outros, quem de direito só se lembre de pôr tranca na porta depois da casa roubada.

Terror de te amar

Imagem: Paisagem Azul de Marc Chagall (1949)

Terror de te amar num sítio tao frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeiçao
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Quarta-feira, Março 03, 2010

sonhos



Há sonhos que não confesso, quanto mais vendê-los!!!

Terça-feira, Março 02, 2010

My black hearted love



PJ Harvey/ John Parish

Com um "obrigada" à menina que deixou o link de oferta na minha caixa de correio. :)


Retribuo com este outro tema:



PJ Harvey /Nick Cave

Cinco Palavras Cinco Pedras

Antigamente escrevia poemas compridos
Hoje tenho quatro palavras para fazer um poema
São elas: desalento prostação desolação desânimo
E ainda me esquecia de uma: desistência
Ocorreu-me antes do fecho do poema
e em parte resume o que penso da vida
passado o dia oito em cada mês
e delas vem a música precisa
para continuar.Recapitulo:
desistência desalento prostação desolação desânimo
Antigamente quando os deuses eram grandes
eu sempre dispunha de muitos versos
Hoje só tenho cinco palavras cinco pedrinhas


Ruy Belo, Todos os Poemas