wild is the wind...
na voz do Bowie
na inconfundível voz da Nina Simone Por falar em Nina, acho que hoje me vai apetecer voltar a estes temas (a todos, porque não é fácil escolher!). Boa tarde para todos... com bom vento!
Domingo, Janeiro 31, 2010
Sábado, Janeiro 30, 2010
Faz hoje anos que...
... Gandhi foi assassinado (1948);
...os Beatles fizeram a última apresentação em público (1969, um ano memorável , por vários motivos!);
... foi lançado "Me and Bobby McGee" de Janis Joplin (1971);
... aconteceu o domingo sangrento na Irlanda do Norte (1972).
Ah! Não se esqueçam de felicitar Felipe de Bourbon, que completa hoje 41!
(Mais informações na rubrica "Neste dia" do Sapo)
No que me diz respeito, vou já telefonar ao meu padrinho que completa alguns mais. :)
Até logo...
Sexta-feira, Janeiro 29, 2010
J. D. Salinger (R.I.P.)
Conheço pouco de J. D. Salinger, mas é dele uma das personagens que mais me apaixonou e que mais me fez companhia desde os meus dezassete anos.
O autor partiu na 4.ª-feira, mas deixa comigo Holden Caulfield, o protagonista rebelde de The Catcher in the Rye (em português Uma Agulha no Palheiro ou À Espera no Centeio), que de leitura obrigatória de Inglês passou a livro de culto, não só para mim, mas para algumas pessoas que conheço e, ao que parece, para muitos leitores do mundo inteiro.
Além disso, a obra é referida em filmes (Teoria da Conspiração, com Mel Gibson, por exemplo) e ficou associada à trágica morte de Jonh Lennon, uma vez que o homem que o matou transportava consigo um exemplar.
Sexta-feira, Janeiro 22, 2010
hey you
Hey you, out there in the cold
Getting lonely, getting old
Can you feel me?
Hey you, standing in the aisles
With itchy feet and fading smiles
Can you feel me?
Hey you, dont help them to bury the light
Don't give in without a fight.
Hey you, out there on your own
Sitting naked by the phone
Would you touch me?
Hey you, with you ear against the wall
Waiting for someone to call out
Would you touch me?
Hey you, would you help me to carry the stone?
Open your heart, I'm coming home.
But it was only fantasy.
The wall was too high,
As you can see.
No matter how he tried,
He could not break free.
And the worms ate into his brain.
Hey you, out there on the road
always doing what you're told,
Can you help me?
Hey you, out there beyond the wall,
Breaking bottles in the hall,
Can you help me?
Hey you, don't tell me there's no hope at all
Together we stand, divided we fall.
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Quinta-feira, Janeiro 21, 2010
Começa a haver meia-noite, e a haver sossego
Começa a haver meia-noite, e a haver sossego,
Por toda a parte das coisas sobrepostas,
Os andares vários da acumulação da vida...
Calaram o piano no terceiro-andar...
Não oiço já passos no segundo-andar...
No rés-do-chão o rádio está em silêncio...
Vai tudo dormir...
Fico sozinho com o universo inteiro.
Não quero ir à janela:
Se eu olhar, que de estrelas!
Que grandes silêncios maiores há no alto!
Que céu anticitadino! —
Antes, recluso,
Num desejo de não ser recluso,
Escuto ansiosamente os ruídos da rua...
Um automóvel! — demasiado rápido! —
Os duplos passos em conversa falam-me
O som de um portão que se fecha brusco dói-me...
Vai tudo dormir...
Só eu velo, sonolentamente escutando,
Esperando
Qualquer coisa antes que durma...
Qualquer coisa...
Pessoa- Álvaro de Campos
Por toda a parte das coisas sobrepostas,
Os andares vários da acumulação da vida...
Calaram o piano no terceiro-andar...
Não oiço já passos no segundo-andar...
No rés-do-chão o rádio está em silêncio...
Vai tudo dormir...
Fico sozinho com o universo inteiro.
Não quero ir à janela:
Se eu olhar, que de estrelas!
Que grandes silêncios maiores há no alto!
Que céu anticitadino! —
Antes, recluso,
Num desejo de não ser recluso,
Escuto ansiosamente os ruídos da rua...
Um automóvel! — demasiado rápido! —
Os duplos passos em conversa falam-me
O som de um portão que se fecha brusco dói-me...
Vai tudo dormir...
Só eu velo, sonolentamente escutando,
Esperando
Qualquer coisa antes que durma...
Qualquer coisa...
Pessoa- Álvaro de Campos
Terça-feira, Janeiro 19, 2010
Um brinde...
...aos 87 anos que Eugénio de Andrade completaria hoje....
Procura a maravilha.
Onde um beijo sabe a barcos e bruma.
No brilho redondo e jovem dos joelhos.
Na noite inclinada de melancolia.
Procura.
Procura a maravilha.
Procura a maravilha.
Onde um beijo sabe a barcos e bruma.
No brilho redondo e jovem dos joelhos.
Na noite inclinada de melancolia.
Procura.
Procura a maravilha.
Eugénio de Andrade
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Segunda-feira, Janeiro 18, 2010
Mudam-se os tempos, mudam-se... os preços!
Tive uns brinquedos iguaizinhos. Noutros tempos, compravam-se em feiras. Hoje, podemos encontrá-los aqui e não custam propriamente uma pechincha.
Soneto - Ary dos Santos
Fecham-se os dedos donde corre a esperança,
Toldam-se os olhos donde corre a vida.
Porquê esperar, porquê, se não se alcança
Mais do que a angústia que nos é devida?
Antes aproveitar a nossa herança
De intenções e palavras proibidas.
Antes rirmos do anjo, cuja lança
Nos expulsa da terra prometida.
Antes sofrer a raiva e o sarcasmo,
Antes o olhar que peca, a mão que rouba,
O gesto que estrangula, a voz que grita.
Antes viver do que morrer no pasmo
Do nada que nos surge e nos devora,
Do monstro que inventámos e nos fita.
José Carlos Ary dos Santos
Toldam-se os olhos donde corre a vida.
Porquê esperar, porquê, se não se alcança
Mais do que a angústia que nos é devida?
Antes aproveitar a nossa herança
De intenções e palavras proibidas.
Antes rirmos do anjo, cuja lança
Nos expulsa da terra prometida.
Antes sofrer a raiva e o sarcasmo,
Antes o olhar que peca, a mão que rouba,
O gesto que estrangula, a voz que grita.
Antes viver do que morrer no pasmo
Do nada que nos surge e nos devora,
Do monstro que inventámos e nos fita.
José Carlos Ary dos Santos
Foi num dia 18 de Janeiro, mas de 1984, que o poeta partiu...
Domingo, Janeiro 17, 2010
Regresso
Regresso às fragas de onde me roubaram.
Ah! minha serra, minha dura infância!
Como os rijos carvalhos me acenaram,
Mal eu surgi, cansado, da distância!
Cantava cada fonte à sua porta:
O poeta voltou!
Atrás ia ficando a terra morta
Dos versos que o desterro esfarelou.
Depois o céu abriu-se num sorriso,
E eu deitei-me no colo dos penedos
A contar aventuras e segredos
Aos deuses do meu velho paraíso.
Miguel Torga
Há precisamente 15 anos, desaparecia um "Orpheu Rebelde"...
Agradeço ao Tsiwari a lembrança.
Ah! minha serra, minha dura infância!
Como os rijos carvalhos me acenaram,
Mal eu surgi, cansado, da distância!
Cantava cada fonte à sua porta:
O poeta voltou!
Atrás ia ficando a terra morta
Dos versos que o desterro esfarelou.
Depois o céu abriu-se num sorriso,
E eu deitei-me no colo dos penedos
A contar aventuras e segredos
Aos deuses do meu velho paraíso.
Miguel Torga
Há precisamente 15 anos, desaparecia um "Orpheu Rebelde"...
Agradeço ao Tsiwari a lembrança.
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preferências
"Last Kiss" (versão original, de Wayne Cochran)
Continuo a preferir o "cover" dos P. Jam e a voz do Eddie Vedder...
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Sábado, Janeiro 16, 2010
leituras
Nunca amamos alguém. Amamos, tão somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos.
Isto é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa. (...)
As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha complexidade. No próprio acto em que nos conhecemos, nos desconhecemos. Dizem os dois «amo-te» ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada um quer dizer uma ideia diferente, uma vida diferente, até, porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstracta de impressões que constitui a actividade da alma.
É de compreender que sobretudo nos cansamos. Viver é não pensar.
Pessoa - Bernardo Soares, O Livro do Desassossego
Sexta-feira, Janeiro 15, 2010
burn it blue
Lila Downs e Caetano Veloso (da banda sonora de "Frida")
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humanos ou animais?
Mas, nas primeiras horas, toda a gente pensava apenas em ganhar distância, e muito dolorosas decisões foram tomadas, quando se tratou de deixar para trás os moribundos. Não admira que a mulher piedosa que, por amor de três ou quatro filhos, abandonou um ferido no caminho, se tenha brevemente transformado numa assassina, para roubar comida. (...)
Lillias acompanhou-os. Sentiu fome, porém não esperaria que alguém lhe desse as sobras para comer (...), não despertaria bondades maternais. As mulheres tinham retrocedido nessas poucas horas até ao estádio em que as fêmeas conhecia as próprias crias pelo cheiro e o timbre do vagidos. (...)
Compreendeu que se tratava de roubar (...).
Hélia Correia, Lillias Fraser
A tragédia se, muitas vezes, desperta o melhor que há em nós, também pode acordar o nosso lado animal, o nosso instinto de sobrevivência que nos tolda o discernimento e nos priva de qualquer princípio de humanidade - como provam as imagens que nos chegam constantemente do Haiti.
Quinta-feira, Janeiro 14, 2010
presunção e água benta...
- Mãe, o pai é bem bonito, não é?
- É, filha, claro que é!
- Tu também és.
- Mas sabes quem é mais bonita do que nós?
-...?
- Tu.
- Eu sei, já me vi ao espelho.
Para onde vai o caminho?
Um viajante andava há muito com vontade de pedir uma informação, mas as casas não abundavam naquelas paragens. Nisto, logo após uma curva do caminho, vê surgir, mesmo à frente dos olhos, um velho sentado no vão de umas escadas numa pequena moradia. Depois de ter saudado o senhor, perguntou-lhe:
- Para onde vai este caminho?
O velho, sem parar para pensar, retorquiu:
- Desde que me conheço, este caminho nunca saiu daqui: não foi nem vai para lado nenhum.
in Contos da Terra do Dragão, Caminho
... com votos de um bom dia!
Terça-feira, Janeiro 12, 2010
Reticências
Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na acção.
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!
Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem – um antes de ontem que é sempre…
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir…
Produtos românticos, nós todos…
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura…
Santos Deuses, assim até se faz a vida!
Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também são eu.
Vendedeira da rua cantando o teu pregão como um hino inconsciente,
Rodinha dentada na relojoaria da economia política,
Mãe, presente ou futura, de mortos no descascar dos Impérios,
A tua voz chega-me como uma chamada a parte nenhuma, como o silêncio da vida…
Olho dos papéis que estou pensando em arrumar para a janela,
Por onde não vi a vendedeira que ouvi por ela,
E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafisica.
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,
Fitei de frente todos os destinos pela distração de ouvir apregoando,
E o meu cansaço é um barco velho que apodrece na praia deserta,
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema…
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra…
Pessoa - Álvaro de Campos
mercy rain
Antes de retomar o trabalho,deixo-vos com mais esta, não só por estar de acordo com o dia, mas por ser uma das minhas favoritas.
Até logo...
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failure
(...)
Failure is always the best way to learn
Retracing your steps until you know
Have no fear your wounds will heal
I wish I could travel overground
To where all you hear is water sounds
Lush as the wind upon a tree
I wish I could travel overground
To where all you hear is water sounds
To capture and keep inside of me
(...)
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Segunda-feira, Janeiro 11, 2010
burlas "civilizadas"
Não sou uma mocinha tão avarenta que me bata por quaisquer sessenta cêntimos, mas se percebo que estão a tentar fazer-me passar por estúpida o caso muda de figura.
Esta tarde, dirigi-me à estação de Correios do burgo. Quando chegou a minha vez, pedi ao funcionário que me atendeu um envelope almofadado. Sem qualquer pergunta, estendeu-me um de correio verde. Perguntei-lhe se não havia envelopes de correio normal. «Há, mas a diferença é pouca.», respondeu-me. Pedi-lhe que me desse, então, um de correio normal e que pesasse tudo. Pude, assim, provar-lhe que nem sempre a diferença é tão pouca como ele quis fazer-me crer.
Como, há uns tempos, outra funcionária fez o favor de registar um pacote em correio azul sem que eu lho tivesse pedido - só dei conta ao pagar, porque estranhei a diferença -, começo a suspeitar que ordens superiores os levam a agir assim.
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eu
prazeres e desprazeres
De tempos a tempos, canso-me da pacatez dos montes, da monotonia dos rostos conhecidos e parto rumo a uma cidade maior, em busca de novidades e de anonimato. Desta vez, o pretexto foi aproveitar os saldos. Dos saldos, nada. Novidades poucas. O anonimato foi quase total – sempre se esbarra com um qualquer conhecido que nos faz o favor de se fingir distraído e nos poupa o cumprimento, que assim se acrescenta e se torna mais afável para outro alguém que se revele mais merecedor.
Gosto de andar nas ruas, sozinha, (quase) anónima, de sentir o pulsar da cidade, de observar rostos, de lhes adivinhar quotidianos, amores, desilusões, cansaços... Apraz-me revisitar os lugares dessa cidade que “primeiro se estranha e depois se entranha” ("surripiando" Pessoa) e que fizeram, em tempos, parte dos meus dias.
Pelo contrário, a confusão das lojas, o amontoado de trapos, as esperas infinitas nas filas para as caixas, o despe-veste cansam-me, entediam-me, deprimem-me... Por isso, invariavelmente, troco os trapos por livros, filmes ou discos, mais raramente, por perfumes – frescos, estivais, ainda que seja Inverno.
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Domingo, Janeiro 10, 2010
quase um balanço
Natais distantes
Pergunto-me o que ficou
desses Natais distantes
que eram vagarosos e tingiam
da cor e do sabor de frutos estivais
os frios dias de então.
De cada um desses Natais
que aboliam a noite,
instituíam a luz - o que ficou?
Pouca coisa: incertos
farrapos de memórias
que nada resgatam
e nada ressuscitam -
apenas doem.
Talvez uma abelha na janela,
perdida do seu tempo,
sofrendo a chuva,
violentando a vidraça -
e o meu irmão a rir-se disso.
Talvez a descoberta
de um frasco esquecido com doce de ginja
no armário do canto,
e a boca e os dedos sujos de doce
e um caroço engolido sem querer
e a vigilância das fezes.
Talvez o eco das vozes
dos que ceavam lá em baixo
desatentos do braço que parti na neve -
e eu sem encontrar posição para dormir.
Talvez uma gota de champanhe
no fundo da taça - a mais doce
porque era a do fundo e na garrafa
não havia mais
e foi a minha Mãe que ma trouxe à cama.
Talvez o borralho, as faúlhas,
depois apenas cinza. Talvez sal.
A.M. Pires Cabral, Têmporas da CInza, 2008
Nota: A. M. Pires Cabral nasceu, em 1941, em Chacim, Macedo de Cavaleiros, residindo actualmente em Vila Real.
Ao autor foi atribuído, em Dezembro último, o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava 2009.
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Sexta-feira, Janeiro 08, 2010
perto do céu
(O Douro e os socalcos vistos do miradouro de S. Leonardo de Galafura, 07 de Janeiro de 2010)
"S. Leonardo de Galafura, 8 de Abril de 1977
O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso de natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modelações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta."
Miguel Torga, Diário XII
Há lugares assim... onde nos sentimos prestes a tocar o céu, onde o olhar se perde num extâse eterno. Há lugares assim... que limpam a alma e excedem o poder das palavras. Há assim lugares... que fazem parecer menor o ar gélido deste Inverno transmontano que vai peneirando neve sobre as serras próximas.
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Quarta-feira, Janeiro 06, 2010
Feliz dia de Reis!
Primeiro pareceu a Gaspar que a estrela era uma palavra, uma palavra de repente dita na muda atenção do céu.
Mas depois o seu olhar habituou-se ao novo brilho e ele viu que era uma estrela, uma nova estrela, semelhante às outras, mas um pouco mais próxima e mais clara e que, muito devagar, deslizava para o Ocidente.
E foi para seguir essa estrela que Gaspar abandonou o seu palácio.
(...)
Nessa noite, depois da Lua ter desaparecido atrás das montanhas, Melchior subiu ao terraço e viu que havia no céu, a Oriente, uma nova estrela.
A cidade dormia, escura e silenciosa, enrolada em ruelas e confusas escadas. Na grande avenida dos templos já ninguém caminhava. Só de longe em longe se ouvia, vindo das muralhas, o grito de ronda dos soldados.
E sobre o mundo do sono, sobre a sombra intrincada dos sonhos onde os homens se perdiam tacteando, como num labirinto espesso, húmido e movediço, a estrela acendia, jovem, trémula e deslumbrada, a sua alegria.
E Melchior deixou o seu palácio nessa noite.
(...)
A estrela ergueu-se muito devagar sobre o Céu, a Oriente. O seu movimento era quase imperceptível. Parecia estar muito perto da terra. Deslizava em silêncio, sem que nem uma folha se agitasse. Vinha desde sempre. Mostrava a alegria, a alegria una, sem falha, o vestido sem costura da alegria, a substância imortal da alegria.
E Baltasar reconheceu-a logo, porque ela não podia ser de outra maneira.
Sophia de M. B. Andresen, Os Três Reis do Oriente
Segunda-feira, Janeiro 04, 2010
Tradições
rising
Para homenagear a cantora que, aos 37 anos, não conseguiu salvar-se da "tempestade" em que foi "apanhada"... Ficam-nos os registos da música e desta voz magnífica.
I got caught in a storm And carried away I got turned, turned around I got caught in a storm That's what happened to me So I didn't call And you didn't see me for a while I was rising up Hitting the ground And breaking and breaking I was caught in a storm Things were flying around And doors were slamming And windows were breaking And I couldn't hear what you were saying I couldn't hear what you were saying I couldn't hear what you were saying I was rising up Hitting the ground And breaking and breaking Rising up Rising up
P.S. - Lhasa faleceu no primeiro dia do ano, vítima de cancro da mama. A notícia, que chegou até mim por alguém que sabe do meu apreço pelo trabalho da cantora, entristeceu-me.
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