Sábado, Outubro 31, 2009

delícias silvestres

Há quem lhes chame "frades". Nós apelidamo-los de "rocos". Hão-de ter um nome científico, que ainda me falta descobrir. Os que se vêem na imagem foram descobertos hoje pelo meu pai, enquanto apanhávamos castanhas. Foi o próprio que os temperou (apenas com sal grosso), grelhou, regou com um fio de azeite, partiu e levou à mesa.
Mais do que isto, só posso dizer-vos que me souberam a pouco...
P.S.1 - A propósito de cogumelos, encontrei, entretanto, esta página.
P.S.2 - Nova pesquisa, levou-me não só à designação científica como a mais pormenores sobre esta variedade de cogumelos silvestres.

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

flor

A minha mãe chama-lhe "Flor de São Miguel", mas não tenho a certeza que assim seja...

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

é preciso inventar de novo o amor...

Toquinho: Carta ao Tom

o sorriso

Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é o acto de sorrir. E sorrir (...) é rir sem fazer ruído e executando contracção muscular da boca e dos olhos. O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no acto de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exactamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem. Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso. O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contracções musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso. 


José Saramago, Deste Mundo e do Outro 


É pena que alguém que escreve assim pareça sorrir tão pouco...

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

mais outono

wish you were here

Ler o último post do João (ao contrário do que pensas, o teu não é um blogue que "ninguém lê") recordou-me que não vejo a minha "mana" há quase dois meses e que ainda falta um mês e meio para que isso aconteça. Apesar da presença amena do resto da família, na ausência dela os fins-de-semana são mais a repetição uns dos outros - faltam certas confidências, faltam certas partilhas. O telefone e a internet não matam as saudades, iludem-nas.
Para que hoje possamos partilhar alguma coisa:

Domingo, Outubro 25, 2009

Parece que o Outono chegou para ficar...

(Foto tirada por mim em 2008)
Quando, Lídia, vier o nosso outono Com o inverno que há nele, Preservemos Um pensamento, não para a futura Primavera, que é de outrem, Nem para o estio, de quem somos mortos, Senão para o que fica do que passa — O amarelo actual que as folhas vivem E as torna diferentes. F. Pessoa - Ricardo Reis

true colors

Há precisamente 23 anos, esta música foi primeiro lugar nos tops. Bom domingo... ainda que este não tome outras cores além dos diferentes tons de cinzento.

Sábado, Outubro 24, 2009

A rainy night in Soho

I've been loving you a long time Down all the years, down all the days And I've cried for all your troubles Smiled at your funny little ways We watched our friends grow up together And we saw them as they fell Some of them fell into Heaven Some of them fell into Hell I took shelter from a shower And I stepped into your arms On a rainy night in Soho The wind was whistling all its charms I sang you all my sorrows You told me all your joys Whatever happened to that old song To all those little girls and boys Now the song is nearly over We may never find out what it means But there's a light I hold before me And you're the measure of my dreams The measure of my dreams Sometimes I wake up in the morning The gingerlady by my bed Covered in a cloak of silence I hear you in my head I'm not singing for the future I'm not dreaming of the past I'm not talking of the first time I never think about the last Now the song is nearly over We may never find out what it means Still there's a light I hold before me You're the measure of my dreams The measure of my dreams The Pogues Para lembrar um tempo em que tudo era ainda a feijões...

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Aqui, como em Berlim,

(Imagem de um postal que me ofereceram)

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Em resposta

à última postagem, o tsiwari sugeriu... e eu agradeço:

Só quem puder obter a estupidez

Ou a loucura pode ser feliz. Buscar, querer, amar . . . tudo isto diz Perder, chorar, sofrer, vez após vez. A estupidez achou sempre o que quis Do círculo banal da sua avidez; Nunca aos loucos o engano se desfez Com quem um falso mundo seu condiz. Há dois males: verdade e aspiração, E há uma forma só de os saber males: É conhecê-los bem, saber que são Um o horror real, o outro o vazio – Horror não menos – dois como que vales Duma montanha que ninguém subiu. F. Pessoa Boa noite... e bons sonhos! :)

Terça-feira, Outubro 20, 2009

drawing

Milton Glaser: Draws & Lectures (C. Coy)

Como não tenho o mínimo jeito para desenhar, só posso admirar (e invejar!) quem consegue fazê-lo.

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

Hoje é dia de festa...

(Ada Breedveld, Thank you for the music)
O "Letras" completa hoje quatro anos. Estão todos, por isso, convidados para a festa de comemoração. Afinal também é graças aos visitantes - aos assíduos e aos menos assíduos- que este espaço ainda existe.

Para início de semana

deixo-vos um desafio: http://www.linternaute.com/sortir/questionnaire/fiche/9999/1/d/f/ Boas respostas (eu errei 2) e óptima semana!

Domingo, Outubro 18, 2009

"(...) porque um domingo

é família/ É bem estar, é singeleza (...)"* ... e comidinha boa (!), vou aproveitar o resto do dia para estar com a minha família! Bom domingo para quem por cá passar! * Dois versos do poema "Dispersão" de Mário de Sá-Carneiro

Sábado, Outubro 17, 2009

só porque sim...

Nina Simone: Mr. Bojangles

regresso ao passado

Depois de hoje ter lido este texto, ocorreu-me ir ao arquivo recuperar estas fotos, tiradas há alguns anos por mim numa velha casa transmontana e que representam objectos do quotidiano de outros tempos. Nas duas primeiras, figura um pote de barro (neste, a cor preta original intensificou-se pelo uso) para fazer café ao lume. Na terceira imagem, vê-se uma mosqueira, que servia para as pessoas resguardarem certos alimentos das moscas, do pó e da fuligem que o vento soltava das telhas e das pesadas traves. Uma vez que não havia frigorífico, alguns alimentos eram guardados na adega, por ser o espaços mais fresco da casa.

"keepers"

Dizia-me há tempos uma prima, que é mais amiga que prima, que eu sou uma "keeper" no que toca à amizade. Nisto tenho que concordar com ela. Contudo, um "keeper", como um teimoso, não pode sê-lo sozinho. Se conservo amigos, entre os quais a própria, desde que me conheço e outros desde há 20, 10 ou menos anos, é porque os mesmos quiseram ser conservados e porque são também "keepers". Os que não conservei talvez nunca o tenham sido. Se assim fosse, tê-los-ia ainda, mesmo que a distância física e o tempo nos tivessem privado das vivências quotidianas. Uma relação que se alimenta apenas de partilhas circunstanciais está condenada à partida. Podemos apelidá-la de companheirismo, de cumplicidade ou de cordialidade, quanto muito. A amizade, é mais do que isso, apesar das contrariedades, as grandes e as pequenas, das falhas e das diferenças de cada um, até dos momentos de raiva e de ciúme - que também os há entre amigos.
Hoje tomei o habitual café de sábado de manhã com uma "keeper", uma das mais antigas... E que bem que ele me soube!
É para ela e para outros como ela que vai a próxima música:

a maior flor do mundo

Bom fim-de-semana! :)

Terça-feira, Outubro 13, 2009

Como é por dentro outra pessoa

Como é por dentro outra pessoa, Quem é que o saberá sonhar? A alma de outrem é outro universo Como que não há comunicação possível, Com que não há verdadeiro entendimento. Nada sabemos da alma Senão da nossa; As dos outros são olhares, São gestos, são palavras, Com a suposição de qualquer semelhança No fundo. Fernando Pessoa

Domingo, Outubro 11, 2009

os reis da conveniência

declararam dependência de Portugal, por isso em Novembro (3 e 4) cá estarão de novo...

Kings of Convenience: "Rule my world" (Declaration of Dependance) "Only someone Who's morally Superior can possibly And honestly deserve To rule my world (...)"

Sábado, Outubro 10, 2009

SeguraNet

O João sugeriu e eu decidi segui-lo na divulgação das actividades da SeguraNet, um projecto da Direcção Geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular, do Ministério da Educação, para 2009/ 2010. Para divulgar, basta colar um selo e a ligação para a página.

I just fell in love...

(Rachel Webb) ... por esta versão de "I Hope I Don't Fall In Love With You" do Tom Waits, que um amigo partilhou comigo.

O original aqui e a letra num post antigo.

Sexta-feira, Outubro 09, 2009

life on mars

(Já que, neste momento, estou longe do Campo Pequeno...) Para os "puristas", o original de David Bowie aqui.

apetece-me

ficar a ouvir http://www.youtube.com/watch?v=68wRZEATnIA e http://www.youtube.com/watch?v=rqbcV39Sq1o&feature=related e http://www.youtube.com/watch?v=CJA69C6SlRk ... e muitas outras, mas o trabalho grita por mim! Até logo...

igual-desigual

Eu desconfiava: todas as histórias em quadrinho são iguais. Todos os filmes norte-americanos são iguais. Todos os filmes de todos os países são iguais. Todos os best-sellers são iguais Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais. Todos os partidos políticos são iguais. Todas as mulheres que andam na moda são iguais. Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais e todos, todos os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais. Todas as guerras do mundo são iguais. Todas as fomes são iguais. Todos os amores, iguais iguais iguais. Iguais todos os rompimentos. A morte é igualíssima. Todas as criações da natureza são iguais. Todas as acções, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais. Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou [coisa. Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar. Carlos Drummond de Andrade, in A Paixão Medida

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

autumn leaves

Edith Piaf: Autumn Leaves (Les Feuilles Mortes)

Chet Baker/ Paul Desmond: Autumn Leaves

Para trás, ficam o Miles Davis, o Frank Sinatra, o Nat King Cole, o Stan Getz, o Bill Evans... Não é fácil escolher!

Domingo, Outubro 04, 2009

companheiras na gula

Sou vencida pela gula. Abeiro-me do balcão e peço à funcionária dois sabores de gelado – café e baunilha. Tive, em tempos, a ilusão de que, com a idade, este pecado seria menor e mais espaçado. A provar o contrário, uma senhora estrangeira, que aparenta ter mais de setenta anos, pede “tre” bolas. Ignoro os sabores. Já na esplanada, esta voltada para o cais, sorri-me cúmplice – igualmente solitária, igualmente gulosa. Retribuo o sorriso. Enquanto me delicio com o suave pecado, observo de soslaio a minha “companheira”. Conserva, apesar da idade, do cabelo branco, preso em carrapito, e das rugas que lhe sulcam rosto e mãos, a beleza e a elegância de uma bailarina. Ocorre-me, com óbvias diferenças, Geraldine Chaplin em "Hable con ella” de Almodóvar. Satisfeita a gula, levanta-se, movendo a cabeça num subtil aceno, como que a despedir-se. Fico a vê-la afastar-se e formulo intimamente o desejo de poder, como ela, ser gulosa e autónoma por muito tempo.

só hoje notei...

... que o Outono se instalou no meu quarto e teima em querer povoar-me os sonhos...

Sábado, Outubro 03, 2009

também...

(Fotos tiradas por Deep -eu! -, ontem. Todas com permissão!)
Bragança: 1. Castelo; 2. Torre da Princesa; 3. vista parcial da zona histórica da cidade; 4. e 5. Museu Ibérico da Máscara e do Traje.

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

sugestão para fim-de-semana

Bragança - Centro de Arte Contemporânea Graça Morais: 1. Exposição da Paula Rego (até 15 de Outubro); 2., 3. e 4. - pequeno jardim exterior.

Este é um espaço física e humanamente acolhedor. Além das salas de exposição, conta com uma livraria e um bar (que hoje excepcionalmente não estava acessível ao público). No exterior, além das árvores e do espaço relvado, há uma pequena, mas agradável, esplanada. Aconselho.
Nota: As fotos foram tiradas, por mim, com a permissão dos responsáveis pelo espaço, a primeira sem flash, como me recomendaram!

Quinta-feira, Outubro 01, 2009