Domingo, Maio 31, 2009

gosto

Este selo foi-me simpaticamente atribuído pela vizinha Carlota. Obrigada!
Devo: 1 – Colocá-lo no meu blogue. 2 – Indicar 10 blogues no feminino que eu adore.
3 – Informar os blogues indicados que receberam o selo. 4 – Dizer 5 coisas que adore na minha vida e porquê.
Carlota, sem querer ser desmancha-prazeres, vou saltar os números 2 e 3. Por umas ou outras razões, gosto de todos os blogues femininos (incluindo o teu!) e ser-me-ia muito difícil fazer a escolha. Quanto ao número 4, gosto de: 1. me sentir anónima, talvez por viver num lugar pequeno onde é quase impossível ter essa sensação;
2. me sentar numa esplanada até que o sol se ponha, porque parece o merecido descanso do guerreiro;
3. xi-corações da minha sobrinha, por me fazerem sentir especial;
4. fazer caminhadas no campo para poder respirar fundo e experimentar paz interior;
5. observar as estrelas, num lugar onde não há qualquer luz.

Sábado, Maio 30, 2009

haja paciência!

Se não tivesse mesmo de acabar uns trabalhos, até poderia encontrar nas tarefas domésticas da vizinhança algo de familiar e reconfortante. Dadas as circunstâncias, não é fácil conviver com a birra da criança, com o estrondo da porta que o pai fecha furiosamente, deixando para a mãe a tarefa incómoda de acalmar o rebento, com o ronco do corta-relvas de outro vizinho, com o zumbido do aspirador da esposa deste...
Até a música dos Red Hot Chilli Peppers, que chega com o vento e entra pela janela como um intruso, me tira o sossego necessário.

Quarta-feira, Maio 27, 2009

noiserv

ainda sobre a amizade

- É amiga de todos os seus colegas?
A pergunta, vinda aparentemente do nada, apanhou-me de surpresa.
- Não, claro que não.
- Por que não? Não fala com todos?
- Sim, falo com todos, mas só sou amiga de alguns. Há pessoas que têm tudo para poderem ser amigas, contudo, por qualquer razão não o são. A amizade, como o amor, não tem explicação, constrói-se, requer tempo. Por que perguntas isso?
- É que, quando vejo os professores nos corredores da escola, parecem tão frios. (Em relação aos colegas, quis ele dizer.)
Não tive tempo de lhe explicar que as relações são mais complexas e têm mais matizes do que julgamos aos 16/ 17 anos e que, por vezes, aquilo que tomamos por amizade não é mais do que admiração, cordialidade, companheirismo de circunstância ou pura e simplesmente um entusiasmo que desfalece à primeira adversidade. Não lhe disse que o tempo que devemos dedicar à construção de uma amizade é sobretudo interior. Também não pude contar-lhe que, quando tinha a idade dele, bastava uma longa conversa numa tarde de praia para ter a ilusão de que tinha conquistado mais um amigo.
Estou para aqui a pensar que talvez não adiante nada que eu lhe fale de tudo isto, porque só o tempo poderá convencê-lo.

Terça-feira, Maio 26, 2009

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado Tantas retaliações, tanto perigo Eis que ressurge noutro o velho amigo Nunca perdido, sempre reencontrado. É bom sentá-lo novamente ao lado Com olhos que contêm o olhar antigo Sempre comigo um pouco atribulado E como sempre singular comigo. Um bicho igual a mim, simples e humano Sabendo se mover e comover E a disfarçar com o meu próprio engano. O amigo: um ser que a vida não explica Que só se vai ao ver outro nascer E o espelho de minha alma multiplica... Vinicius de Moraes

Domingo, Maio 24, 2009

absolute beginners

Sem dúvida, Manuel Cardoso, este tema também é muito bonito. Contudo, continuo a preferir os mais antigos, como "Ziggy Stardust" ou "Space Oddity".

the man who sold the world

pergunta-me

Pergunta-me se ainda és o meu fogo se acendes ainda o minuto de cinza se despertas a ave magoada que se queda na árvore do meu sangue Pergunta-me se o vento não traz nada se o vento tudo arrasta se na quietude do lago repousaram a fúria e o tropel de mil cavalos Pergunta-me se te voltei a encontrar de todas as vezes que me detive junto das pontes enevoadas e se eras tu quem eu via na infinita dispersão do meu ser se eras tu que reunias pedaços do meu poema reconstruindo a folha rasgada na minha mão descrente Qualquer coisa pergunta-me qualquer coisa uma tolice um mistério indecifrável simplesmente para que eu saiba que queres ainda saber para que mesmo sem te responder saibas o que te quero dizer Mia Couto, Raiz de Orvalho e Outros Poemas

Sábado, Maio 23, 2009

o seu a seu dono

Rosa e lírio A rosa É formosa Bem sei. Porque lhe chamam – flor D'amor, Não sei. A flor, Bem de amor É o lírio; Tem mel no aroma, – dor Na cor O lírio. Se o cheiro É fagueiro Na rosa; Se é de beleza – mor Primor A rosa: No lírio O martírio Que é meu Pintado vejo: – cor E ardor É o meu. A rosa É formosa, Bem sei... E será de outros flor D'amor... Não sei.
Almeida Garrett, Folhas Caídas
Há dias "roubei" as rosas à prima. Hoje devolvo-lhas com um poema. Ainda assim, fiquei eu a ganhar!

Sexta-feira, Maio 22, 2009

dolce far niente

(Imagem oferecida por uma amiga)

Há janelas que nos convidam a usufruir do sol morno num dia de Inverno. Esta, que a imagem que uma amiga me enviou representa, lembra-me a hora da sesta nas tardes de Verão no campo, em que a canícula nos obriga a recolhermo-nos na sombra para, no interior das casas, nos deixarmos embalar pelos sons que, do exterior, nos chegam abafados pelo calor. Faz-me desejar as férias, não as das viagens, mas os dias de dolce far niente.

Bom fim-de-semana para todos!

Quarta-feira, Maio 20, 2009

"Unity" - Monica Stewart

Imagem recebida por e-mail.

Domingo, Maio 17, 2009

Bom domingo!

Velvet Underground - "Sunday Morning"

Sábado, Maio 16, 2009

amarelo

Papoilas... num campo perto de mim.

Bom resto de fim-de-semana! :)

Quinta-feira, Maio 14, 2009

locking up the sun

"Is there a hero somewhere, someone who appears and saves the day Someone who holds out a hand and turns back time Is there a hero somewhere, someone who will never walk away Who doesn't turn a blind eye to a crime." Se é que há heróis...

só as tuas mãos trazem os frutos

Só as tuas mãos trazem os frutos. Só elas despem a mágoa destes olhos, e dos choupos, carregados de sombra e rasos de água. Só elas são estrelas penduradas nos meus dedos. – Ó mãos da minha alma, flores abertas aos meus segredos. Eugénio de Andrade, As Mãos e os Frutos

Terça-feira, Maio 12, 2009

espera

num "mar de terra"

(Serra de Bornes, Abril de 2009)
Quando chegamos aos outros apenas pela escrita, tendemos a construir uma imagem de quem escreve. Há formas de escrever que transportam semblantes - serenos, sisudos ou divertidos -, a cor, o tamanho ou o desenho do cabelo, vozes - graves, agudas, pausadas, ansiosas. Até mãos - magras e de dedos finos e longos ou pequenas, robustas. Com o tempo, tecem-se, por vezes, entre quem escreve e quem lê, empatias e cumplicidades.
Quando se passa do mundo virtual para o real, a surpresa resulta sobretudo da diferença entre a imagem que construímos e a que os nossos olhos constatam, já que a cumplicidade e as palavras nos parecem aquelas que ficaram suspensas numa conversa do dia anterior. Há dias, quando conheci a menina que inscreve emoções numa ardósia, experimentei esta mesma sensação. Foi um encontro fácil e muito agradável também (como o foram outros encontros e reencontros que este mundo blogosférico me proporcionou e de que ainda vos hei-de dar conta). Para tal contribuíram, em parte, o clima primaveril, a magnifíca paisagem transmontana e as "dicas" de um amigo comum. Mas mais do que isso, foi a confirmação de uma empatia que já antes se revelara, foi permitir que as palavras se soltassem das letras, que deixassem a ardósia, transportando-as para um "mar de terra".

Domingo, Maio 10, 2009

azul suspenso

(Algures em Trás-os-Montes)
Parece que a chuva e o cinzento ameaçam pendurar o azul... Bom domingo, ainda assim!

Sexta-feira, Maio 08, 2009

papoilas

Não quis deixar de partilhar convosco esta imagem tão bonita, captada por uma amiga, e que acabei de receber por email. Obrigada, amiga!
Há outras coisas que gostaria de partilhar, mas a falta de tempo e o cansaço não me permitem, por agora, ir mais longe.
Até logo...

Segunda-feira, Maio 04, 2009

há um ano

(Trás-os-Montes)
era assim...
Agora, duas das muitas torres eólicas que têm nascido como cogumelos na serra impõem-se e sobrepõem-se à beleza da paisagem. Um mal necessário... é verdade. Pena é que nós venhamos a usufruir muito pouco da energia produzida por estes gigantes que só me lembram, vistos de longe, os moinhos de vento que a D. Quixote lembravam exércitos ameaçadores.

Domingo, Maio 03, 2009

um dia muito feliz...

(Almada Negreiros, Maternidade)
... para todas as mães!

Sábado, Maio 02, 2009

jigsaw falling into place

Radiohead

parabéns!

A vinca, como o próprio nome indica, é uma vencedora, que resiste a condições adversas, como o frio e o calor intensos, podendo nascer e crescer em paredes, entre pedras. Por isto a escolhi para felicitar uma das minhas leitoras "ocultas" mais assíduas, a prima I., que é uma refilona, mas que é incapaz de baixar os braços perante as adversidades (ou não fosse ela touro!).
Parabéns, menina!