Sábado, Janeiro 31, 2009

A principio é simples, anda-se sozinho passa-se nas ruas bem devagarinho está-se bem no silêncio e no burburinho bebe-se as certezas num copo de vinho e vem-nos à memória uma frase batida hoje é o primeiro dia do resto da tua vida Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo diz-se do passado que está moribundo bebe-se o alento num copo sem fundo e vem-nos à memória uma frase batida hoje é o primeiro dia do resto da tua vida E é então que amigos nos oferecem leito entra-se cansado e sai-se refeito luta-se por tudo o que se leva a peito bebe-se, come-se e alguém nos diz "bom proveito" e vem-nos à memória uma frase batida hoje é o primeiro dia do resto da tua vida Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja olha-se para dentro e já pouco sobeja pede-se o descanso, por curto que seja apagam-se dúvidas num mar de cerveja e vem-nos à memória uma frase batida hoje é o primeiro dia do resto da tua vida Enfim duma escolha faz-se um desafio enfrenta-se a vida de fio a pavio navega-se sem mar, sem vela ou navio bebe-se a coragem dum copo vazio e vem-nos à memória uma frase batida hoje é o primeiro dia do resto da tua vida E entretanto o tempo fez cinza da brasa e outra maré cheia virá da maré vazia nasce um novo dia e no braço outra asa brinda-se aos amores com o vinho da casa e vem-nos à memória uma frase batida hoje é o primeiro dia do resto da tua vida. (Sérgio Godinho)

Sexta-feira, Janeiro 30, 2009

A Origem do Mundo

De manhã, apanho as ervas do quintal. A terra, ainda fresca, sai com as raízes; e mistura-se com a névoa da madrugada. O mundo, então, fica ao contrário: o céu, que não vejo, está por baixo da terra; e as raízes sobem numa direcção invisível. De dentro de casa, porém, um cheiro a café chama por mim: como se alguém me dissesse que é preciso acordar, uma segunda vez, para que as raízes cresçam por dentro da terra e a névoa, dissipando-se, deixe ver o azul. Nuno Júdice, in "Meditação sobre Ruínas"
Logo, se puder, passo para vos ler e para comentários. Agora tenho que ir meter-me numa máquina que, afinal, "já não é cilíndrica e fechada como as antigas"... Não, não é uma máquina do tempo!

Domingo, Janeiro 25, 2009

6 de muitas

A Carla, a quem agradeço, nomeou-me para dizer seis coisas sobre mim.
Todos os anos perco livros que empresto, apesar de estarem assinados... ainda ontem tive que comprar um que me faz falta, porque não me lembro em que estante habita agora.
Gosto de ouvir a chuva e o vento... em casa, confortável.
Adoro poder, ao pequeno-almoço, saborear um pão com queijo e uma chávena (média) de café (o de cafeteira italiana é o melhor!).
De vez em quando, dá-me para fazer tricô... é terapêutico.
O que os outros possam pensar ou dizer de mim importa-me menos do que imaginava há uns tempos.
Não posso com o pedantismo de certas pessoas para as quais só contam títulos e bens materiais.

Carla, espero ter correspondido... a inspiração não é muita. Vais perdoar-me, mas, pelo menos por enquanto, não faço nomeações. Deixo ao critério dos meus visitantes dar resposta ao desafio.

Para responder ao desafio os passos são estes: Linkar a pessoa que me indicou. - Escrever as regras do meme no meu blog. - Escrever seis coisas aleatórias sobre mim. - Indicar outras seis pessoas e colocar os links no final do post. - Informar as pessoas que as indiquei deixando-lhes um comentário.

Sexta-feira, Janeiro 23, 2009

Quarta-feira, Janeiro 21, 2009

príncipe

Príncipe: Era de noite quando eu bati à tua porta e na escuridão da tua casa tu vieste abrir e não me conheceste. Era de noite são mil e umas as noites em que bato à tua porta e tu vens abrir e não me reconheces porque eu jamais bato à tua porta. Contudo quando eu batia à tua porta e tu vieste abrir os teus olhos de repente viram-me pela primeira vez como sempre de cada vez é a primeira a derradeira instância do momento de eu surgir e tu veres-me. Era de noite quando eu bati à tua porta e tu vieste abrir e viste-me como um náufrago sussurrando qualquer coisa que ninguém compreendeu. Mas era de noite e por isso tu soubeste que era eu e vieste abrir-te na escuridão da tua casa. Ah era de noite e de súbito tudo era apenas lábios pálpebras intumescências cobrindo o corpo de flutuantes volteios de palpitações trémulas adejando pelo rosto. Beijava os teus olhos por dentro beijava os teus olhos pensados beijava-te pensando e estendia a mão sobre o meu pensamento corria para ti minha praia jamais alcançada impossibilidade desejada de apenas poder pensar-te. São mil e umas as noites em que não bato à tua porta e vens abrir-me. Ana Hatherly, in Um Calculador de Improbabilidades

Terça-feira, Janeiro 20, 2009

falar de teatro

(Mamã?!, Peripécia Teatro)
Para quem gosta de teatro e está pelo Minho, pode, no dia 24, pelas 22h, assistir, em Arcos de Valdevez, à peça Mamã?!, a última produção da Peripécia Teatro, uma companhia sedeada em Vila Real e um exemplo do bom teatro que por cá se faz.
À semelhança do que acontece noutros trabalhos da companhia, em Mamã?! o trágico e o cómico dão as mãos, alternando, no mesmo trabalho de palco, cenas de arrebatadora emotividade e momentos verdadeiramente hilariantes.
O argumento é aparentemente simples: uma bailarina de cabaré de grande sucesso vê de súbito a sua carreira comprometida quando engravida acidentalmente de um homem que acaba por abandoná-la.
A partir daí, tudo concorre para uma existência de miséria e de solidão. Num cenário minimalista, uma actriz, que enverga as vestes e assume as atitudes desajeitadas de um clown, contracena com um clarinetista, cuja música marca o ritmo trágico e emotivo da personagem central.
A tragicidade do assunto vê-se suplantada por surpreendentes cenas de cómico, enfatizadas pela multiplicidade de funções que os objectos e o guarda-roupa vão assumindo ao longo da peça.
Rir até às lágrimas é inevitável e obrigatório!

Segunda-feira, Janeiro 19, 2009

as palavras interditas

Os navios existem e existe o teu rosto encostado ao rosto dos navios. Sem nenhum destino flutuam nas cidades, partem no vento, regressam nos rios. Na areia branca, onde o tempo começa, uma criança passa de costas para o mar. Anoitece. Não há dúvida, anoitece. É preciso partir, é preciso ficar. Os hospitais cobrem-se de cinza. Ondas de sombra quebram nas esquinas. Amo-te... E abrem-se janelas mostrando a brancura das cortinas. As palavras que te envio são interditas até, meu amor, pelo halo das searas; se alguma regressasse, nem já reconhecia o teu nome nas minhas curvas claras. Dói-me esta água, este ar que se respira, dói-me esta solidão de pedra escura, e estas mãos nocturnas onde aperto os meus dias quebrados na cintura. E a noite cresce apaixonadamente. Nas suas margens vivas, desenhadas, cada homem tem apenas para dar um horizonte de cidades bombardeadas. Eugénio de Andrade Completaria hoje mais um aniversário...

Domingo, Janeiro 18, 2009

be more like me and be less like you


(Numb, Linkin Park)
Eu sei que é pelo menos a terceira vez que esta música aparece por aqui. Nada a fazer... a letra hoje não me sai da cabeça...

I'm tired of being what you want me to be
Feeling so faithless
Lost under the surface (...)

I've become so numb
I can't feel you there
Become so tired
So much more aware
And becoming this
All i want to do Is be more like me
And be less like you

Can't you see that you're smothering me
Holding too tightly
Afraid to lose control
Cause everything that you thought
I would be is fallin apart right in front of you

Caught in the undertow, just caught in the undertow

Every step that i take is another mistake to you
Caught in the undertow, just caught in the undertow
And every second i waste is more than I can take (...)

lembrar o poeta

Cavalo à solta Minha laranja amarga e doce meu poema feito de gomos de saudade minha pena pesada e leve secreta e pura minha passagem para o breve breve instante da loucura. Minha ousadia meu galope minha rédea meu potro doido minha chama minha réstia de luz intensa de voz aberta minha denúncia do que pensa do que sente a gente certa. Em ti respiro em ti eu provo por ti consigo esta força que de novo em ti persigo em ti percorro cavalo à solta pela margem do teu corpo. Minha alegria minha amargura minha coragem de correr contra a ternura. Por isso digo canção castigo amêndoa travo corpo alma amante amigo por isso canto por isso digo alpendre casa cama arca do meu trigo. Meu desafio minha aventura minha coragem de correr contra a ternura. (Ary dos Santos) ... que partiu no dia 18 de Janeiro de 1984 ("recordou-mo" a Hipatia).

Sábado, Janeiro 17, 2009

entrei no café

(Foz do Sabor)
Entrei no café com um rio na algibeira e pu-lo no chão, a vê-lo correr da imaginação... A seguir, tirei do bolso do colete nuvens e estrelas e estendi um tapete de flores a concebê-las. Depois, encostado à mesa, tirei da boca um pássaro a cantar e enfeitei com ele a Natureza das árvores em torno a cheirarem ao luar que eu imagino. E agora aqui estou a ouvir A melodia sem contorno Deste acaso de existir -onde só procuro a Beleza para me iludir dum destino. José Gomes Ferreira
Bom fim-de.semana!

comentário extenso

O medo, Infame, pode assumir diferentes rostos e um grau maior ou menor de intensidade. Pode disfarçar-se de astúcia, de cobardia, mas pode chegar-nos sob a capa da coragem e da audácia. O medo pode levar-nos a executar actos impensáveis que revelam o pior de nós, respondendo, cegos, a instintos de sobrevivência latentes a que o mais apregoado altruismo não resiste, ou, pura e simplesmente, prende-nos os braços e entorpece-nos o cérebro, deixando-nos sem acção. O medo transforma-se em coragem quando, independentemente das consequências, pugnamos pelos nossos objectivos, fazemos valer as nossas vontades e ideais. “Quem vai à guerra, dá e leva”, lá diz o ditado. E só quem está disposto a “levar” de facto, mesmo que saiba que as feridas demorarão a sarar, é que pode apelidar-se de corajoso. Por vezes, cruzar os braços – aqui entenda-se “não seguir a a linha de actuação que muitos consideram a certa” – pode exigir maior “valentia” (o termo é excessivo, sei-o), porque tem que se combater outra forma de pressão e de repressão, a dos pares. A repressão, como o medo, tem roupagens diversas. Aceitar que outros não possam comungar das mesmas ideias ou seguir a mesma linha de actuação pode significar pôr em causa convicções que julgávamos em nós inabaláveis. É também daí que nasce o medo e este, por sua vez, conduz à repressão, à chantagem, à ameaça (retiremos, neste contexto, alguma da carga negativa que estas palavras transportam), sempre sob o lema “Se não estás comigo, estás contra mim.”. Os radicalismos, partam de onde partirem, ainda que haja causas a suportá-los, são sempre uma ameaça à liberdade de expressão.

Quinta-feira, Janeiro 15, 2009

rapunzel

Esta versão é muito mais divertida! Aproveitem para bisbilhotar outros posts. Na minha opinião de leiga em ilustração, vale bem a pena.

se os tubarões...

(imagem da net)
Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros. As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que se entendam. Cada peixinho que, na guerra, matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói. (...) Em suma, se os tubarões fossem homens haveria uma civilização no mar.
(Bertold Brecht, excerto)

Terça-feira, Janeiro 13, 2009

os livros e a leitura de parabéns...

(Imagem captada pela Ana, quando eu iniciava a subida ao 1.º andar.)
Parece que também a Livraria Lello, no Porto, está de parabéns.
Acabei de descobrir, enquanto fazia uma pesquisa sobre o neo-gótico em Portugal, que esse espaço lindíssimo foi inaugurado num dia 13 de Janeiro (de 1906).

Parabéns, cotas!

Assisti pela primeira vez a um concerto deles um mês ou dois após ter completado dezoito anos. O álbum Circo de Feras saíra no início do ano. Dessa noite, recordo o espaço (a zona antiga e muralhada de uma cidade) e o tema"Contentores", cantado a plenos pulmões pelo público.

Nas rádios espanholas, que ouvíamos (como a inglesa Radio Luxembourg) em AM, apelidavam-nos de "Las Patadas e Patadas" (de Portugal).

e cai, cai, cai...

(De olho no jardim dos vizinhos...)
Passa já das 2h30. Acabei de ir à janela. Como se previra, a neve voltou. Cai em flocos grandes e abundantes.
Embora para mim não seja novidade, e apesar do adiantado da hora, sinto vontade de ser cúmplice desta beleza branca e de todo este silêncio.

Segunda-feira, Janeiro 12, 2009

A cidade é um chão de palavras pisadas

A cidade é um chão de palavras pisadas a palavra criança a palavra segredo. A cidade é um céu de palavras paradas a palavra distância e a palavra medo. A cidade é um saco um pulmão que respira pela palavra água pela palavra brisa. A cidade é um poro um corpo que transpira pela palavra sangue pela palavra ira. A cidade tem praças de palavras abertas como estátuas mandadas apear. A cidade tem ruas de palavras desertas como jardins mandados arrancar. A palavra sarcasmo é uma rosa rubra. A palavra silêncio é uma rosa chá. Não há céu de palavras que a cidade não cubra não há rua de sons que a palavra não corra à procura da sombra de uma luz que não há. (Ary dos Santos) Música: "As Cidades" (Rodrigo Leão)

Domingo, Janeiro 11, 2009

nós e os outros

Nunca sabemos até que ponto os nossos actos e a nossa personalidade interferem nas escolhas de pessoas que convivem connosco. Quando pensamos termos errado ou termos tido na vida dessas pessoas uma presença indelével, situações ou palavras acabam por supreender-nos .
Isto vem a propósito deste post do João. Lê-lo lembrou-me a “confissão” que, há tempos, a minha afilhada mais velha me fez. Dizia-me que tem noção de que foram determinantes na formação dela o meu gosto pelos livros e o facto de lhos ter oferecido ao longo do crescimento dela. Acrescentou que, em determinada altura, sonhou em “seguir-me” profissionalmente (continuo a achar que foi melhor ter seguido outro caminho). As palavras que lhe ouvi foram, ao mesmo tempo, uma surpresa e uma forma de atenuar a minha culpa por não lhe ter dedicado, em momentos fulcrais, mais atenção.

com este frio...

... só posso agradecer estas "pantufonas" que alguém teve a feliz ideia de me oferecer pelo Natal!
Além de serem confeccionadas em malha polar, têm um enchimento de grãos de trigo e de sementes de alfazema.
Basta metê-las uns minutos no micro-ondas e ficam prontas para aquecer e relaxar uns pés a precisar de mimos!

Sexta-feira, Janeiro 09, 2009

Parabéns!

Menina, espero que gostes do presente!
Por cá, continua a nevar...

Quinta-feira, Janeiro 08, 2009

café e dicas úteis

No início da minha adolescência, apareceu lá por casa, pela mão da minha mãe, uma reedição de um livro intitulado Mãos que Prestam. Não houve nessa aquisição, lembro-me claramente, a intenção de que as filhas viessem a ser boas esposas e boas mães, antes uma vontade de aperfeiçoamento próprio.
O livro, mais do que um manual de etiqueta como algumas publicações que surgiram pela mesma altura, constituía uma compilação organizada de utilidades. Iniciava cada capítulo com uma citação de um autor conceitado e uma imagem de um pintor de renome - lembro-me de uma do Vermeer.
A secção mais visitada pelas mulheres da casa, como referiu há tempos a Ana, era a da culinária, onde poderíamos encontrar um conjunto pequeno, mas interessante, de receitas de doces e salgados. Mãos que Prestam dava dicas sobre os utensílios básicos para a cozinha, sobre a melhor forma de organizar o roupeiro, sobre como aproveitar os espaços ou como tirar partido de móveis ou de roupas velhos. Foi também por ele que aprendi como passajar roupa e alguns truques para tirar nódoas dos tecidos. Hoje, para suprir a falta desses livros (hehehe!), uma marca de café decidiu presentear-nos com algumas utilidades, em indicações breves, que poderemos ler nos pacotes de açúcar, enquanto saboreámos um cafezinho.
Para aqueles que não tomam café ou que preferem outra marca (eu também, mas no trabalho não tenho outro remédio), partilho algumas convosco. Gosto sobretudo da primeira!

Quarta-feira, Janeiro 07, 2009

prémio dardos

Recebi de novo o Prémio Dardos. Desta vez, foi-me atribuído pela Clorinda do Carpe Diem, a quem deixo um bem-haja pela nomeação.

"Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web." (excerto do texto que acompanha a corrente) É suposto exibir a imagem do selo no blogue, "linkar" quem nos atribuiu o prémio e indicar quinze pessoas a quem passar a corrente. Nesta terceira vez que recebo o prémio, vou exceder o número indicado, por serem pessoas que merecem e que gosto de visitar.

Os bloggers que indiquei antes considerem-se nomeados!

http://avidaempensamentos.blogspot.com/ (A vida em pensamentos)

http://vouseralecrim.blogspot.com/ (Alecrim)

http://deviajante.blogspot.com/ (Aprendiz de Viajante)

http://baraodatroia2.blogspot.com/ (Barão de Tróia)

http://desfiladeiro.blogspot.com/ (Desfiladeiro)

http://barrento.com/blogue/index.php (Eduardo)

http://entredoismundos.wordpress.com/ (Entre Dois Mundos)

http://fontesefontanarios.blogspot.com/ (Fontes e Fontanários)

http://impressoeseintimidades.blogspot.com/ (Impressões e intimidades)

http://jardimdascores.blogspot.com/ (Jardim das Cores)

http://letrasalinhadas.blogspot.com/ (Letras Alinhadas)

http://lote5-1dto.blogspot.com/ (Lote 5- 1.º Dto)

http://mogadourense.blogspot.com/ (mogadouro)

http://www.omundo-aocontrario.blogspot.com/ (O Mundo ao Contrário)

http://o-pecado.blogspot.com/ (O Pecado)

http://pinkconnection.blogspot.com/ (Pink Connection)

http://shake-the-world.blogspot.com/ (Shake the world)

http://gala-trocadeolhares.blogspot.com/ (Troca de olhares)

(Alguns deles, como comprovareis, se tentardes aceder, são de acesso restrito.)

Terça-feira, Janeiro 06, 2009

Trás-os-Montes... sempre!

(Solar de Mateus, Miradouro de S. Leonardo da Galafura, com vista para o Douro e para os vinhedos)

Não vos trago ouro, incenso e mirra, porque não sou Rei Mago nem vós o Menino Jesus. Em contrapartida, neste dia de Reis, ofereço-vos mais um pedacinho (ou um "catchinho") deste reino maravilhoso. Feliz dia de Reis!

Fotos: deep Janeiro/ 2009

P.S. - O poema de Torga presente numa das imagens aqui.

Segunda-feira, Janeiro 05, 2009

war war stupid

Os latinos diziam "Se queres a paz, faz a guerra." Alguma vez, em algum lugar, a paz foi o fim de qualquer guerra?

War war is stupid And people are stupid And love means nothing In some strange quarters War war is stupid And people are stupid And I heard them banging On hearts and fingers People fill the world With narrow confidence Like a child at birth A man with no defence What's mine's my own I won't give it to you No matter what you say No matter what you do Now we're fighting In our hearts Fighting in the street Won't somebody help me? (repeat chorus) Man is far behind In the search for something new Like as Philistine We're burning witches too This world of fate Must be designed for you It matters what you say It matters what you do Now we're fighting In our hearts Fighting in the street Won't somebody help me? (chorus) After the bird has flown He walked ten thousand Miles back home You can't do that to me,no You can't do that to me

War, Culture Club

Hoje lembrei-me desta...

Domingo, Janeiro 04, 2009

os amigos

Esses estranhos que nós amamos e nos amam olhamos para eles e são sempre adolescentes, assustados e sós sem nenhum sentido prático sem grande noção da ameaça ou da renúncia que sobre a luz incide descuidados e intensos no seu exagero de temporalidade pura Um dia acordamos tristes da sua tristeza pois o fortuito significado dos campos explica por outras palavras aquilo que tornava os olhos incomparáveis Mas a impressão maior é a da alegria de uma maneira que nem se consegue e por isso ténue, misteriosa: talvez seja assim todo o amor José Tolentino de Mendonça, "Os Amigos", De Igual Para Igual
Durante anos, a vila foi o nosso ponto de encontro obrigatório nas férias, sobretudo nas de Verão. Em bando, “assaltávamos” os bancos de jardim, as cadeiras da esplanada, as despensas das mães. Conversávamos de tudo e de nada, ríamos – das palermices, dos pequenos infortúnios ou das interpretações ingénuas de cada um. Éramos parcos em confidências , mas generosos na partilha das horas. (Os afectos nem sempre se alimentam de confidências.) Durante anos, foram as caminhadas e os piqueniques na serra; durante anos, foram os périplos pelos castelos e as tardes em Miranda ou em Zamora. Nesses anos, embora não o verbalizássemos, sentiamo-nos intocáveis, imunes às perdas, à distância e às desgraças. Talvez seja por isso que hoje, volvidos anos, tornados escassos os encontros e a cumplicidade por força de condicionantes geográficas e de obrigações familiares e profissionais, uma nuvem negra que paire sobre um de nós faz sombra no coração e no olhar dos restantes.