sexta-feira, agosto 26, 2016

Aves de Incêndio

A Raquel Serejo Martins, de quem já tive a honra de apresentar Pretérito Perfeito, tem um novo livro, desta vez de poesia. A autora e a editora, Virgínia do Carmo, da Poética Edições, dirigiram-me um convite que muito me honra: apresentar Aves de Incêndio em Trás-os-Montes. A apresentação terá lugar amanhã, na Biblioteca Municipal de Alfândega da Fé, e integra o "VI Encontro de Escritores Transmontanos". 
Se estiverem por perto, não deixem de aparecer!

Deixo-vos o programa e o primeiro de muitos poemas.


1. Poema Verde

Não me peças para amadurecer
que não sou peça de fruta, 
sou peça de outra engrenagem, 
e a vida não é árvore nem fruteira. 
Depois ninguém sabe o que é a vida, 
a vida vai-se fazendo, 
ou vai-se sem mais, 
sem chegar a ser inteira. 
E eu quero continuar verde 
como o mar, 
verde como um poema de Lorca, 
verde como o verde dos meus olhos, 
verde apesar do comprimento dos dias, verde 
às vezes de raiva, que com duas patas 
também se pode ser cão, verde 
por saber o que é a tristeza 
e a inutilidade da alegria ao ponto de cortar os pulsos, 
mesmo quando temos vários corações a bater fora do  
                                                                          [corpo.

Raquel Serejo Martins, Aves de Incêndio, Poética Edições


quinta-feira, agosto 25, 2016

Hoje soube-me a pouco

Conheci a S. quando ela, os pais e o irmão chegaram de Angola, em 75, e se instalaram numa pensão ao pé da casa onde eu morava. Não recordo o nosso primeiro encontro, mas lembro-me que ficámos amigas e cúmplices em pouco tempo. Ainda que por vezes entrássemos em choque, por ambas sermos teimosas, sobretudo durante a infância e a adolescência,tornámo-nos inseparáveis. Ela fez a faculdade em Lisboa, eu no Porto, contudo a distância física não nos separou. Sempre que nos reencontrávamos, o que acontecia nos diferentes períodos de férias, retomávamos as conversas. Entretanto, as contingências da vida de cada uma encarregaram-se de tornar mais espaçados encontros e conversas. Apesar disso, uma e outra nunca perdemos o hábito de ligar no Natal e nos aniversários.
Hoje, decidi fazer alguns quilómetros para rever a S., que está a passar uns dias em casa dos pais com o filho. Apesar de não nos vermos há dois anos, estivemos em amena cavaqueira, em esplanadas diferentes, durante horas. Pude constatar que a amizade e a cumplicidade não se perderam, por isso essas horas me souberam a pouco, ainda que me tenham enchido o coração.
Quando deixei a S. em casa dos pais, demos de caras com o M., um primo da S., que conheci quando ele era vizinho de uma das minhas primas, em Lisboa (há coincidências engraçadas!) e ouvia Rod Stewart em altos berros. Hoje, o M., que não via há alguns anos, tem o cabelo grisalho e mais rugas na cara, mas o tempo e alguns dissabores não conseguiram roubar-lhe o sorriso e a simpatia.
Antes de regressar a casa, passei na casa da mãe da L.. A L. é a  minha amiga mais antiga, com quem tomo café pelo menos uma vez por semana. A L. e a filha não me deixaram vir embora antes que as acompanhasse numa taça de gelado. Entretanto anoiteceu.
Fiz a viagem de regresso sob ameaça de chuva, com a visão de clarões ao longe e com a memória de alguém que costumava dizer que eu sou uma "keeper". Talvez seja de facto uma "keeper", mas nunca poderia sê-lo se algumas pessoas não o fossem também.

terça-feira, agosto 23, 2016

Espanha


A representação de um jogo infantil, numa praceta de Salamanca


Os meus companheiros de passeio, numa rua de Salamanca, com a torre da Catedral, ao fundo


"La Plaza Mayor", em Salamanca


Homenagem a Rosalía de Castro, poetisa galega, num jardim em Santiago


Torre da catedral de Santiago


Uma "instalação", numa rua de Santiago


Homenagem aos heróis da BD, no porto da Corunha


Varandas típicas da Corunha


Passeio marítimo da Corunha, a partir do Museu do Homem

Nessa tarde


Torre de Hércules, Corunha

Nessa tarde em que as aves
adivinhavam tempestades
recolhi as velas
e fiz-me barco ancorado.

Nessa tarde de sal e maresia
lancei os sonhos ao mar
e deixei que, num vaivém de espuma,
se fizessem ondas.

De olhos postos no horizonte em brasa,
fui concha e alga na orla do mar, fui farol...
E, no entanto, um maremoto me nascia no peito.

Outubro de 2012

sexta-feira, agosto 12, 2016

Férias






As férias significam também o regresso aos lugares que amamos e o reencontro com os amigos que conhecemos quase desde que nos conhecemos e com os quais nos sentimos sempre em casa.

sábado, julho 16, 2016

Feiticeira


Há minutos, estava como se vê na imagem.

quarta-feira, julho 13, 2016

Escrevo o que ainda não conheço

Escrevo o que ainda não conheço
nomes de ruas pássaros árvores
monólogos de quem ainda te fala alto
é a minha voz ou a tua?
lá fora a chuva confunde-se com gestos
falamos do tempo, ponte entre o silêncio e o nada
ouve, quando não fores capaz de falar, toca-me

Maria Sousa