quinta-feira, Outubro 30, 2014

De cor de rosa


Bragança, num gesto simbólico, assinalou este Dia Nacional de Luta Contra o Cancro da Mama, vestindo o castelo de cor-de-rosa.

Não só... mas também

«Do que mais sinto falta depois da morte dele é já não poder contar-lhe nada. Quando saio e tenho uma conversa com alguém, ainda penso, Oh, tenho de ir a correr contar ao Lars, ou o Lars vai adorar saber disto, e depois é que me lembro que já lá não está para ouvir.»


Siri Hustvedt, Elegia para um americano, Edições Asa



terça-feira, Outubro 28, 2014

Devaneio outonal


Suspendo, por breves instantes, o trabalho e ergo o corpo. Num gesto intuitivo, dirijo o olhar para a serra - que, como sempre, se mostra maternal e atenta na sua majestade. Sinto, de imediato, uma brisa morna a lamber-me o rosto. «Como quem lambe feridas.», penso. Neste caso, não são do corpo, mas da alma as feridas que precisam de apaziguamento
Não é apenas a serra que faz acontecer em mim um sentimento de familiaridade antiga, indissociável do tempo longínquo da infância. Há essa luz de Outono e um silêncio profundo, que o roçar das folhas dos castanheiros e o som rouco dos aviões - aves gigantescas, cujo estômago parece acusar uma fome permanente -, em vez de perturbarem, intensificam.
Há esse calor, excessivo para a época, que me toca a pele e me transmite a ilusão de que a alma fica em paz. Retomo, por isso, o trabalho, antes que os meus companheiros, os melhores amigos que posso desejar, me acusem de malandrice.

segunda-feira, Outubro 27, 2014