terça-feira, maio 31, 2016

Powema 6*

Se eu pudesse fazia-te princesa,
rainha dos gatos, madressilva,

encontro à noite numa auto-estrada,
flor de lótus a nascer do sangue.

Ou então ravina de onde a ave presa
do canto voasse à mais alta ogiva,

tomar por sua a lua incendiada
até que o voo interrompesse exangue.

Se soubesse, ao menos se soubesse,
na tua boca um beijo ir acender,

eu fazia-me dança e fazia-me prece,
ou fazia-me chama, rosa do amanhecer,

príncipe da treva que a razão desconhece.
Se soubesse, fazia-te mulher.


Bernardo Pinto de Almeida

* Assim mesmo, sem erros

domingo, maio 29, 2016

sábado, maio 21, 2016

Não sei de que água

Não sei de que água é feito esse mar
que atravessa os meus sentidos
E que não sabe a sal

Não sei em que distância me perdi,
Por que sendas e escarpas
Deixei que o corpo se embrenhasse
E perdesse a noção das horas


É este o meu ofício: nada saber

Deep, Janeiro de 2014 

Acabei de encontrar este tosco devaneio de que já não tinha memória.

Bom fim-de-semana para quem (ainda) passa...

segunda-feira, maio 16, 2016

Flores (de papel)


Afonso Cruz, Flores

Quem não espera?


quinta-feira, maio 12, 2016

Coisa amar


Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como dói

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.

                               Manuel Alegre

O poeta nasceu há 80 anos. Parabéns, poeta!

terça-feira, maio 10, 2016

terça-feira, maio 03, 2016

Todos os sonhos do mundo


Surripiei hoje este "boneco" à mana. Uma bonita homenagem à maternidade e à poesia... digo eu!