quarta-feira, Novembro 26, 2014

Devaneio


(M. C. Escher, Dia e noite)

Escrevo-te deste lugar
onde o silêncio sufoca
as nossas vozes,
onde tenho apenas por companhia
as aves que vêm beber a água
que brota das minhas mãos.
«É amor», dizem.

Trazem notícias do sul,
sede de ternura e, no bico,
sementes de esperança.

Observo o seu voo, sinuoso e, nele,
intuo o meu desespero.
Com elas, voo em círculos,
aguardando a hora
em que possa pousar a minha cabeça
no teu colo.

deep/ novembro de 2014

quinta-feira, Novembro 20, 2014

Mais cores de Outono


No regresso do almoço para comemorar mais um aniversário do meu pai, fiz uma breve paragem para captar uma imagem de Outono.

segunda-feira, Novembro 17, 2014

A fazer um esforço para descomplicar

«Pouco te importa aquilo que os outros pensam de ti quando acreditas em ti. O que importa é provares a ti mesmo que não tens de provar nada a ninguém. O que importa é continuares firme no teu caminho em nome não da obstinação, mas da determinação, da tua força e da tua fé. O que importa é saber que se falhares o mundo não acaba e que as pessoas que realmente gostam de ti e te aceitam como és vão estar lá [sempre, sempre, sempre] para ti, para te carregar ao colo de todas as vezes que o teu mundo desmoronar. O que importa é que ao longo do teu caminho consigas aprender a rir de ti. A ser leve perante a vida, a relativizar, a descomplicar, a desconstruir, a descobrir em ti o gosto pela simplicidade. O que importa de verdade é que continues a sentir essa incessante vontade de ser feliz, esse impulso bonito que te motiva a acordar todos os dias e a dar a ti e aos outros o melhor que carregas no peito. O que importa de verdade é que saibas, é que tenhas a certeza absoluta, que só depende de ti seres mesmo, mesmo feliz.»


Texto surripiado daqui

domingo, Novembro 16, 2014

No fundo dos relógios

("A persistência da memória", de Salvador Dali)
Demoro-me neste país indeciso
que ainda procura o amor
no fundo dos relógios,
que se abre
como se abrisse os poros solitários
para que neles caiam ossos, vidros, pão.
Demoro-me
no ventre desta cidade
que nenhum navio abandonou
porque lhe faltou a água para a partida,
como por vezes desaparece a estrada
que nos conduz aos lugares
e ali temos que ficar.

Filipa Leal, A Cidade Líquida e outras texturas

sábado, Novembro 15, 2014

Contrariar o mau humor


(Desconheço o autor da imagem.)

Contrariar o mau humor que caracteriza mais um dia: levantar cedo, sem despertador; pôr alguma ordem na casa; tomar um pequeno-almoço ligeiro, mas descansado; vestir uma peça de roupa nova; ousar uma maquilhagem discreta; entregar-se a uma conversa amena com as amigas, enquanto se saboreia um café aromático e quente; caminhar pelas ruas alguns minutos, debaixo de chuva; ouvir os sons; sentir os aromas; cumprimentar, com ligeiros acenos ou breves palavras, algumas pessoas que se cruzam connosco.