quarta-feira, outubro 31, 2007

outono












Árvores há no outono que conhecem


O toque e ardor das folhas da manhã

E esperando-as, altas adormecem.

Com espaço e vento nunca a vida é vã.

Vitorino Nemésio

Agradeço à menina que hoje me enviou este poema por email. :)

domingo, outubro 28, 2007

ah, fadista!

Digam lá que isto não é lindo?!

sábado, outubro 27, 2007

quem quer...

... uma fatia de bolo?! Garanto-vos: é delicioso! E eu uma incurável gulosa... "Bolo Fino de Chocolate"* Bata 100g de margarina com 180 g de açúcar até a margarina ficar totalmente desfeita. Junte 4 gemas e adicione uma caneca de leite (um copo de iogurte natural também resulta muito bem!). Misture aos poucos 250g (sempre um pouquito menos) e 1 colher de chá de fermento. Quando a massa estiver homogénea, junte 125g de chocolate em pó (aconselho magro, sem açúcar e só metade do pacote!) e raspa de 1 limão (a laranja fica muito melhor!). Bata as claras em castelo e envolva na massa. Leve ao forno médio (de 150 a 170 graus), numa forma untada, sem buraco, até ficar cozido (de 40 a 60 min.). Bom apetite! *Receita recortada de um pacote de açúcar, com alguns ajustes (em mim, sempre inevitáveis!).

segunda-feira, outubro 22, 2007

Deu-me vontade de ouvir esta e as restantes músicas da banda sonora de O Piano e, confesso-vos, emocionei-me. Há dias assim, há músicas assim...
"George encontra, no percurso diário até à cidade, uma coisa ao mesmo tempo séria e reconfortante. Há uma viagem, há um destino (...). O caminho-de-ferro sugere como deveria ser, como podia ser: um encontro suave até um término, sobre carris regularmente espaçados e segundo um horário estabelecido (...). Talvez seja por isso que George sente uma fúria silenciosa, quando alguém procura danificar o caminho-de-ferro. Há rapazes - homens, talvez - que aplicam lâminas e facas às correias de couro junto às janelas; que atacam estupidamente os caixilhos das molduras por cima dos assentos; que se atardam nas pontes pedonais e tentam deitar tijolos para dentro da chaminé da locomotiva. Tudo isso é incompreensível para George. Pode parecer um jogo inofensivo colocar um penny num carril e vê-lo achatar, ganhar o dobro do diâmetro, após a passagem do expresso; mas George vê nisso uma inclinação traiçoeira, que faz descarrilar comboios."
BARNES, Julian, Arthur and George, Edições Asa
É uma fúria semelhante, mesclada de um sentimento de impotência, que experimento face à violência - verbal ou física - sobre as pessoas ou sobre as coisas.

segunda-feira, outubro 15, 2007


"O destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma rameira ou um vendedor de lotaria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele."

ZAFÓN, Carlos Ruiz, A Sombra do Vento, Dom Quixote

"Bea diz que a arte de ler está a morrer muito lentamente, que é um ritual íntimo, que um livro é um espelho e que só podemos encontrar nele o que já temos dentro, que ao ler aplicamos a mente e a alma (...)."

(ibidem)

Foi com alma, e quase de um fôlego, que li, durante o fim-de-semana, A Sombra do Vento. Uma escrita fluída, refrescante, quase cinematográfica, prende-nos a um mundo de suspense em que os caminhos de personagens densas se cruzam por obra de aparentes acasos. Num longo, mas não doloroso, caminho de quinhentas páginas, há lugar para o riso, para a comoção, para a empatia, para o desprezo... Se desejamos ansiosamente conhecer o final, não queremos despedir-nos de algumas personagens, que nos concederam o privilégio de nos tornarmos seus amigos íntimos.
Tudo começa com um livro...

domingo, outubro 14, 2007

Procura-se um amigo

Acabadinho de chegar à minha caixa de correio:
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar. Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer. Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim. Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
Vinicius de Moraes

sexta-feira, outubro 12, 2007

para o fim-de-semana



No Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos, o Espaço t apresenta: "Do Porto para o Mundo: Pedaços de um Manifesto."

No dia 13 de Outubro (Sábado), venha à Estação de Metro da Casa da Música das 14:30h às 18:30h, ajudar a pintar uma "Tela para Mudar o Mundo", que será posteriormente dividida e enviada aos 300 dirigentes máximos do mundo.

Venha descobrir as diferenças que nos podem complementar, através da música, dança, teatro, cores, aromas …

(Mensagem recebida por email)

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NOVECENTOS

O Pianista do Oceano

pela

Peripécia Teatro


Baseado no Texto Novecentos de

Alessandro Baricco

Criação, Adaptação e Dramaturgia

Peripécia Teatro e José Carlos Garcia.



13 de Outubro

21h30

Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros

sábado, outubro 06, 2007

" - Estou a ver - disse. - Interessante, não é, a divisão entre o que é público e o que é privado? Quer dizer, o seu gosto literário pode estar à vista de toda a gente, mas os seus gostos em matéria de homens são um terreno secreto. - Para mim faz sentido. - Mas todas as atracções são semelhantes - disse ele. - Nascem todas de um vazio interior. (...) Falta-nos qualquer coisa e temos que preencher a lacuna. Livros, quadros, pessoas, vem tudo a dar no mesmo... - Muita gente consegue passar sem livros nem quadros. - É verdade - disse ele -, mas isso não invalida o argumento. (...) É claro que o problema fica sempre por resolver. Não há nada que nos satisfaça por muito tempo."
HUSTVEDT, Siri , De Olhos Vendados, Edições Asa

quarta-feira, outubro 03, 2007

Um domingo...


... que "meteu" água
árvores, música
e um rico piquenique, para remate!

A chuva, felizmente, só tentou dar um ar da sua graça!

terça-feira, outubro 02, 2007

o que nos vem à memória

Ocorrem-me, não sei por que artes, nem por que manhas, histórias de família, que não tendo sido de fácil gestão pelos protagonistas e de "digestão" porventura mais difícil por quem as viveu de perto, sempre acirraram a curiosidade sobretudo dos mais novos. A primeira foi protagonizada por um casal de tios, que faleceram já em idade avançada. Conta repetidamente a minha mãe que esses tios, após o casamento, continuaram, por pudor, a viver nas respectivas casas paternas e que, quando o tio, em público, se aproximava para roubar um beijo à esposa, esta afastava-o, dizendo: "Chega-te pra lá, que podem ver-nos." Deduzo, do convívio com eles, que casaram por amor e talvez por amor, ou porque assim acontecia na época, tiveram dez filhos, de que só sobreviveram três raparigas. Por amor ou por razões que me escapam, casaram os meus avós maternos. Ela tinha 28 anos - já uma solteirona, à época -, ele 50. Antes disso, o meu avô, cujos olhos azuis e cabelo aloirado lhe davam um ténue ar de Paul Newman, estivera emigrado nos Estados Unidos, de onde trouxe algum dinheiro, que investiu em terras. Diz-se, inclusive, que, lá, foi pai de uma menina, que nunca deu notícias, mas de quem se conhece - a ser verdade - uma fotografia. Apesar da diferença de idades, criaram e viram casar seis filhos e nascer a maior parte dos dezanove netos. Parece-me sobretudo curiosa a história de uns tios que, tendo casado no início dos anos 60, se separaram alguns meses depois, sem ninguém ter conseguido apurar as verdadeiras razões, só as convenientes. Conheci-os, em momentos diferentes, num mesmo Verão da minha adolescência. Ela, que deixara, oficialmente, de fazer parte da família, comportava-se como se fosse - continuava a enviar cartões e lembranças pelo Natal e a tratar o meu avô por "pai" - , e nós, mesmo aqueles que nascemos depois da separação, tratávamo-la por "tia". O que é certo é que, aproximadamente 30 anos após a separação, voltaram a casar, tendo convidado para testemunhas os padrinhos do primeiro casamento, já velhinhos.