quinta-feira, maio 31, 2007

São inexactas as palavras... inúteis os gestos... soam ridículas as lágrimas perante a dor de alguém a quem a doença tem vindo a roubar a vida cedo demais.

terça-feira, maio 29, 2007

O sorriso

(Imagem retirada da net)

Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro,
apetecia
entrar nele,
tirar a roupa,
ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr,
navegar,
morrer naquele sorriso.



Eugénio de Andrade

domingo, maio 27, 2007

Devo, finalmente, ser honesta comigo própria (bolas, de vez em quando também mereço respeito!): não gosto de festas com data, hora e roupa marcadas. Se fosse daquelas pessoas que faz qualquer sacrifício por um almoço alarve de marisco e leitão, ainda se compreenderia... Na verdade, a meio de um almoço desses, salvo raras - atrever-me-ei a dizer "raríssimas" - vezes, já concluí que prefiro carnes assadas e temperadas pela minha mãe e que, apesar de não ter mão para a cozinha, as minhas sobremesas fazem corar de vergonha as de muitos restaurantes. Mas pior, pior, é conhecer apenas as pessoas que me dirigiram o convite, que, ainda que tivessem alegado ter feito a festa com o pretexto de estar com os amigos, ficam demasiado atordoadas e preocupadas com pormenores para poderem cumprir a promessa feita. Invariavelmente, chego ao fim do dia com o corpo maçado como se tivesse levado uma sova e os músculos do rosto doridos dos sorrisos e das conversas de circunstância forçados. Penso que consegui a minha vingança: depois de um pequeno almoço de café e torradas - que não dispenso quando tenho tempo - devolvi-me aos lençóis para terminar, de um fôlego, A Catedral Verde do João Aguiar, que rematei, por sugestão do protagonista, com uma caneca de chá verde - o meu com jasmim - pois o tempo não pede outra coisa. O trabalho? Ah, esse aguarda-me - não sei se impaciente ou não, porque ainda não ousei chegar perto...

quinta-feira, maio 24, 2007

refusenik

Até ontem, não sabia que existia... talvez seja indesculpável a minha ignorância...

Chen Alon tem 31 anos, é israelita e vive em Telavive. Educado num ambiente sionista e encorajado desde pequeno a servir o Exército, assim o fez durante anos, até se tornar um refusenik. No passado, cumpriu ordens cruéis: cercar aldeias, prender crianças, reprimir manifestações. Hoje, é um activista político contra a ocupação e, com um grupo de israelitas e palestinianos, usa o arsenal do Teatro do Oprimido [1] para alargar o seu movimento, promover a discussão e incitar os israelitas a experimentarem o que é estar no papel do outro, do "inimigo".

Na associação de que faz parte, Courage to Refuse, os israelitas dizem que amam o seu país e que até estão dispostos a combater por ele. Mas consideram que a campanha militar e a ocupação dos Territórios Palestinianos é ilegal, imoral e inútil. Chen faz parte do movimento refusenik e foi um dos dinamizadores da carta pública lançada por militares israelitas em que se recusam a servir o exército violando as fronteiras de 1967, em acções que só servem, como escreveram, para «dominar, expulsar, condenar à fome e humilhar um povo inteiro» e que, sendo acções de «ocupação e opressão», não servem sequer o alegado propósito de defesa de Israel. A carta, assinada por mais de 600 soldados, abalou a sociedade israelita e teve um impacto importante no processo eleitoral de Janeiro de 2003, num momento em que a direita política defensora das acções militares ganhava peso. Nessa altura, a campanha que levou a cabo com os seus companheiros refuseniks foi considerada por alguns como o mais importante elemento de renascimento da esquerda em Israel. Visto como traidor pelo Estado, Chen teve já de cumprir penas de prisão militar. Actualmente, a estratégia do Exército passa menos por reprimir e mais por enviá-los para outro tipo de missões. Mas Chen prossegue o seu activismo, usando o Teatro do Oprimido como arma de denúncia da situação. Trabalhando do "lado dos opressores", ele encena situações concretas passadas nos checkpoints e incita os israelitas a colocarem­‑se no lugar dos palestinianos e a experimentarem, ainda que por momentos, o que é estar no papel do outro.

[1] O Teatro do Oprimido é um sistema de técnicas e jogos que pretendem democratizar os meios de produção teatral e usar a linguagem do teatro para a libertação. Partindo das vivências concretas dos grupos e populações com as quais se trabalha, o Teatro do Oprimido transforma os espectadores em espect­‑actores, agentes activos da transformação da sua realidade. Mais informação pode ser encontrada em www.theatreoftheoppressed.org/.

Texto retirado daqui.

terça-feira, maio 22, 2007

dizem

que a chuva ou água a correr trazem ou aumentam a vontade de urinar... Mas às 22 horas, sob chuva torrencial, no muro de um prédio... o meu prédio???! Ele há com cada uma!... foi o que pensei há minutos quando tentava estacionar em frente a casa...

quinta-feira, maio 17, 2007

Há dias...


e idades, em que não há argumentos que os demovam...

Arrumou a minha varanda... disse ela... e ficou gira... acrescentou.

domingo, maio 06, 2007

para todas as mães


para a minha especialmente...

(...)
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, maio 04, 2007

quinta-feira, maio 03, 2007

Só porque me sorriste nessa tarde o sol inundou a cidade. E no meio do asfalto, entre o rumor dos táxis, surgiram de repente árvores agrestes cheias de flores e pássaros. E eu senti-me feliz, como se ouvisse, tangido lá da infância, um toque de novena; ou percorresse, alheado e sozinho, num dia de verão, entre o zumbir dos insectos, um caminho de aldeia.
Hoje, aliás, ontem, recebi um e-mail com as imagens que agora partilho convosco.

Digam lá que não são uma ternura?

Para verem outras e conhecerem a autora, cliquem na primeira imagem.





terça-feira, maio 01, 2007

pareceu-me adequada ao dia...

Que força é essa (Sérgio Godinho) Vi-te a trabalhar o dia inteiro construir as cidades pr'ós outros carregar pedras, desperdiçar muita força pra pouco dinheiro Vi-te a trabalhar o dia inteiro Muita força pra pouco dinheiro Que força é essa que trazes nos braços que só te serve para obedecer que só te manda obedecer Que força é essa, amigo que te põe de bem com outros e de mal contigo Que força é essa, amigo Não me digas que não me compr'endes quando os dias se tornam azedos não me digas que nunca sentiste uma força a crescer-te nos dedos e uma raiva a nascer-te nos dentes Não me digas que não me compr'endes (...) Lamento não poder acrescentar a música...