"o essencial é invisível aos olhos (...)"
Saint-Exupèry, O Principezinho
De novo Pessoa - desculpem-me a recorrência! Desta vez, não a simples leitura, antes o privilégio de "ouvê-lo" (Tsiwari, espero que me perdoes o "roubo"!), numa apresentação de aproximadamente uma hora e vinte minutos.
Estreia, no próximo dia 26, às 22h, no Teatro de Vila Real, a peça "Sou do Tamanho do que Vejo", da companhia Peripécia Teatro.
"Sábio é quem monotoniza a existência, pois então cada pequeno incidente tem um privilégio de maravilha."
O "Letras" completa um aninho de existência. Estão todos convidados para uma fatia de bolo, uma taça de espumante (as finanças não andam bem para champanhe - espero que não sejam muito exigentes!) ou um cálice de Porto.
A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
(...)
sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal
em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado de um dia exemplar
Porque não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Porque me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço?
(...)
António Ramos Rosa, O Grito Claro
Depois de ter postado o poema, ao visitar o Hotel de Gardona, soube que ontem foi o dia do aniversário de A. Ramos Rosa...