Desde pequena que vejo cair neve. Uns anos mais, outros menos. A magia, com o tempo, parece acrescentar-se. A neve traz consigo um silêncio que tem o poder de um chamamento, grave e poderoso. Invariavelmente, desperto mais cedo. Vou à cozinha, faço um café, que tomo bem quente, em chávena grande. Abro o estore do quarto, desvio a cortina, e fico, deitada, num extâse de novidade, a admirar os "farrapos" que vão tornando brancos os telhados.
(Serra do Marão)
Hoje, acordei cedo. Tomei o meu café. Não voltei a deitar-me. Fiquei, de pé, em frente à janela, por longos momentos, a ver os flocos frios e brancos tingir o chão, as árvores, os carros. A circunstância torna-me os gestos lentos, mas pacifica-me a alma...
Fotografias de Miguel Afonso - Olhares





















