sábado, março 25, 2017

Duplo império


Ponte sobre o rio Douro, em Zamora
Atravesso as pontes mas
(o que é incompreensível)
não atravesso os rios, 
preso como uma seta
nos efeitos precários da vontade.
Apenas tenho esta contemplação
das copas das árvores
e dos seus prenúncios celestes,
mas não chego a desfazer
as flores brancas e amarelas
que se desprendem.
As estações não se conhecem,
como lhes fora ordenado,
mas tecem o duplo império
do amor e da obscuridade.

Pedro Mexia

2 comentários:

Graça Pires disse...

Excelente poema de Pedro Mexia.
Um bom fim de semana.
Beijos.

deep disse...

Gosto de o ler, na prosa e na poesia. :)

Bom fim-de-semana, Graça.

Beijos