domingo, outubro 09, 2016

Fica ao menos o tempo de um cigarro

Fica ao menos o tempo de um cigarro, evita
comigo que este tempo ande. Lá fora estão as 
casas, vive gente perto do candeeiro, o som
que nos chega apagado pela distância só
denuncia o nosso silêncio interrompido.
Ajuda-me, faremos o inventário das coisas
que quisemos fazer e não fizemos, mágoas
que deixámos esquecidas entre o ruído das
cidades. Fica, não te aproximes, nenhum 
dia é menos sombrio, quando anoitecer vamos
ver as árvores caminhando cercando a casa.


Hélder Moura Pereira
Ted Blackall, "Study break"

2 comentários:

Lídia Borges disse...


Belíssimo poema! Como se a solidão tivesse boca e falasse.

Lídia

deep disse...

Muito belo... mesmo! :)