terça-feira, março 03, 2015

Por vezes


(Eu, como a pequena Ana me viu, no dia de Carnaval de 2014, no castelo de Mogadouro)

Por vezes - mais do que gostaríamos - olhamo-nos aos espelhos, o material e o da alma, e não gostamos daquilo que vemos. Porque nos centramos nos pormenores. Porque não aceitamos as imperfeições e o desgaste com que o tempo nos vai, inevitavelmente, marcando. Porque pomos a fasquia muito alta. Ou porque usamos como termo de comparação a imagem de beleza, de elegância e de sucesso que construímos de algumas pessoas ou que as próprias criaram de si próprias e que tentam, a todo o custo, vender-nos.
Centrados nas diferenças e, em particular, nos aspectos negativos, desgastamo-nos, diminuímo-nos, atrofiamos, deixamo-nos intoxicar ou deixamos que nos intoxiquem. Damos terreno a predadores de fraquezas alheias, que nos fazem duvidar das nossas qualidades, do nosso sentido de justiça ou da nossa clarividência. Chegamos a acreditar que a nossa solidão decorre da imensidão de defeitos, físicos ou de carácter, que detectamos em nós. Ficamos de tal modo cegos que não conseguimos ver o que de luminoso nos habita e que nos torna, aos olhos daqueles que verdadeiramente nos amam, seres especiais. 

6 comentários:

pcristinasantos disse...


São muitos os predadores, cada vez temos de ser mais selectivos. E, acho eu, do que a vida me ensina, quanto mais sabemos quem somos, menos isso nos preocupa.

Obrigada por seres tão especial e minha amiga! Beijos :-)

Daniel C.da Silva (Lobinho) disse...

Belo post!

:)

Isabel disse...

É tudo verdade!
A pressão das comparações com os outros é terrível! Para os tímidos, ainda pior.
Só com a idade se vai descobrindo que os "perfeitos" afinal não o são. Às vezes são bem mais imperfeitos que os outros.
Enfim, aceitarmo-nos como somos leva tempo, mas um dia chega-se a esse estado de libertação.

Gostei do texto:)

deep disse...

Paula, muitas vezes, damo-nos conta cedo, mas queremos dar o benefício da dúvida, não queremos magoar, não somos capazes de dizer "não". A certa altura, não se sai sem dor. A idade,sim, importa muito, torna-nos mais rápidos na "identificação" de certo tipo de pessoas que são "tóxicas".
Sou eu quem agradece a tua amizade e a tua presença sempre tão serena. Beijinho

Obrigada, Daniel. :)

Isabel, com o tempo, tornei-me desconfiada, deixei de ter "ídolos" e, lentamente, tenho valorizado aquilo que de bom encontro em mim, fazendo por não deixar que me façam sentir que sou inferior. Obrigada. :) Bj

Carmem Grinheiro disse...

Olá Deep,
Vivemos num mundo de "tabelas" - em que medem as belezas, as capacidades, a inteligência, o saldo bancário, etc.
Todos se apertam, sorriem um sorriso que não lhes apetece, omitem, acrescentam, encolhem a barriga, estufam o peito afim de se encaixarem numa coluna qualquer que "os alguéns" disseram que era a perfeita. Esquecem do essencial, o que não tem medida, que é sua essência.
É uma luta inglória. E não é fácil contrariar um todo.

abço

deep disse...

Obrigada, Carmem, pelas palavras e pela visita. :)