sábado, fevereiro 07, 2015

Das palavras


(Image de Soizick Meister)

Trata-me por tu, apesar dos seus quinze anos e ao contrário do que me era permitido fazer com os amigos dos meus pais ou com qualquer adulto quando tinha a idade dele. Não estranho. Conheço-o desde que nasceu, peguei nele ao colo - como atestam as fotos -, tomei conta dele inúmeras vezes, inclusive na madrugada em que a irmã nasceu. 
De vez em quando, pede-me conselhos, sobretudo acerca de fotografia, matéria em que sou uma perfeita amadora. Há dias, abordou-me no chat com outro propósito: exprimir a sua angústia que decorre da dificuldade em usar as palavras, em encontrar os termos certos para se exprimir, quer se trate de assuntos pessoais ou académicos. Do alto dos meus mais de quarenta anos, para não defraudar as suas expectativas e apaziguar a sua angústia, aventurei-me em algumas receitas óbvias: ler e escrever mais, ter paciência e acreditar que, apesar da sua tenra idade, se exprime com mais clareza e propriedade do que uma grande parte dos jovens da sua idade.
Não me atrevi a confessar-lhe que também eu experimento, não raras vezes, essa angústia, que também me sobram sentimentos e impressões  para tão escasso vocabulário, como me exaspera a falta de maleabilidade da sintaxe.

4 comentários:

Lídia Borges disse...



Bonito! Temos de aceitar que a linguagem é só um instrumento de comunicação não o sentimento em si, não a Poesia...

Beijo meu

deep disse...

Obrigada,Lídia. :)

Nem sempre é fácil.

Um beijo

Helena disse...

e mantém-se aos sessenta. Posso testemunhá-lo.
:)
Abraço

deep disse...

Acredito, Helena! :)

Abraço