segunda-feira, setembro 08, 2014

Asas

Na tarde deste domingo, a Virgínia do Carmo deu a conhecer a sua mais recente obra de poesia, Relevos, cuja apresentação esteve a cargo de Hercília Agarez. Trago-vos aqui um dos muitos poemas de que gostei.


Não adianta fazeres de conta que tens asas. Por mais
que acredites nelas, voarão sem ti. Porque tu és do
chão. Devias saber.

Trazes restos de chumbo na alma e um caos de
grainhas no corpo que ninguém quer.

E se olhares para os teus pés verás que não caminhas
descalça. Trazes-te neles, chumbo e grainhas. Como
esperas levantá-los do fundo de tudo?

E há fragas de pó no teu peito sem janelas. E o único
ar que respiras é  o que sorves dos espaços entre as
pedras.

Por que havias tu de querer um céu inteiro?

Tu pertences ao chão. Devias saber.


Virgínia do Carmo, Relevos


5 comentários:

Isabel disse...

Gostei do poema!

Boa semana:)

O Puma disse...

Eu já vi

estrelas no chão

Bj para as duas

deep disse...

Obrigada, Isabel! :)
Boa semana.

Puma. costumam cair do céu... algumas ficam intactas. :)
Bj

© Piedade Araújo Sol disse...

que poema tão belo da Virgínia.

tem graça que só agora o leio, e o meu ultimo tb fala sobre asas.

uma coincidência agradável.

um beijo

:)

Anónimo disse...

Um poema belo mas triste.

Sinto a revolta latente da poetiza, como se transportasse mágoa ao conjugar as palavras.

Parece um poema de vingança... ou autobiográfico...

Todos acabamos por ter asas, quando invocamos os sonhos.