quinta-feira, maio 22, 2014

Porque hoje,

como acontece muitas vezes, fui acolhida pelo cheiro do café que se foi espalhando pela casa...

Há um esquisso de intimidade
nesse aroma de café
que inaugura a manhã e que,
a conta-gotas,
se imiscui no cheiro
permanente dos livros.

Há um secreto aconchego
nessa luz de sol morno
que entra pela janela,
nesse silêncio cortado, a espaços,
pelas vozes abafadas dos vizinhos.

Sobram ecos da infância
no tilintar da loiça
dos almoços dos outros,
no aroma familiar
do assado de domingo,
nas conversas cruzadas
que adivinho…

E tudo, de uma vez só,
me assalta:
o torpor das tardes de estio,
o cheiro dos limos
e das malápias,
as brincadeiras depois da escola,
os rostos amigos…

E tudo, como cenas
de um filme mudo,
agarro, como, num ápice,
tudo perco…

Deep/ Abril de 2013

5 comentários:

Kátia disse...

E porque hoje fui eu que me perdi em teus versos cheios de inspiração.

Bela partilha!Tenha um excelente final de semana!

Beijos!

deep disse...

Obrigada, Kátia.

Um óptimo fim-de-semana.

Bj

Isabel disse...

Adoro o cheirinho do café espalhando-se pela casa. Actualmente só gosto do café que faço em casa, numa máquina já com uns anitos (nada moderna...).

Gostei do poema!

Nilson Barcelli disse...

Há cheiros que ficam na nossa memória...
Este poema é brilhante, excelente.
Bom domingo e boa semana.
Beijo, querida amiga Deep.

deep disse...

Isabel, há dias, a minha sobrinha mais velha disse que na minha casa cheira sempre bem, porque cheira a café! Eu, ao pequeno almoço, tomo sempre café de cafeteira, que é o meu preferido.
Obrigada!

Nilson, o cheiro do café é antigo na minha memória.
Obrigada!

Beijos e votos de boa semana para ambos. ;)