quinta-feira, fevereiro 20, 2014

Dentro de água

O meu corpo dentro de água... 

Pelo recorte da janela, 
impõe-se um céu de crepúsculo, 
que se desenha em densas nuvens, 
entre azul e cinza carregado. 

Por entre tímidos raios de sol, 
um bando move-se numa dança 
harmoniosa e repetida. 

O meu corpo dentro de água... 

Assalta-me, de súbito, 
a imagem dos teus olhos verdes,
a memória, presa ainda aos meus dedos, 
da textura da tua roupa.

Pela janela, começa a insinuar-se
a noite e o meu corpo 
 - ainda dentro de água - 
busca o que sobra de luz.

deep/ Adaptação de um "devaneio" em prosa escrito em Maio de 2012

3 comentários:

Mar Arável disse...

80% do nosso corpo é água

o resto é ainda mar

Nilson Barcelli disse...

Só faltou dizeres "eureka"...
Gostei muito do teu poema, é magnífico.
Deep, minha querida amiga, tem um bom fim de semana.
Beijo.

deep disse...

Talvez por isso, muitas vezes nos sintamos barco à deriva, Mar Arável. :)

Pois, Nilson. :)
Muito obrigada.
Boa semana. Beijo