domingo, dezembro 08, 2013

Semelhante aos deuses

Semelhante aos deuses me parece
o homem que diante de mim se senta
e, tão doce, a tua voz escuta,

ou amoroso riso - que tanto agita
meu coração de súbito, pois basta ver-te
para que nem atine com o que diga,

ou a língua se me torne inerte.
Um subtil fogo me arrepia a pele,
deixam de ver meus olhos, zunem meus ouvidos,

o suor inunda-me o corpo de frio,
e tremendo toda, mais verde que as ervas,
julgo que a morte não pode já tardar.

Safo, in Qual é a minha ou a tua língua - Cem poemas de amor de outras  línguas, Assírio e Alvim (organização de Jorge Sousa Braga)

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