terça-feira, novembro 20, 2012

Assim é


Há dias, uma amiga dizia-me que somos aquilo que os outros esperam de nós.
Sê-lo-emos de facto ou sê-lo-emos apenas na ideia que esses outros têm de nós?
Ou será que, à força de acreditarmos que somos como os outros nos vêem, acabamos por adequar comportamentos e personalidade a essa imagem que constroem de nós?
A ser verdade, por que insistem alguns daqueles que nos rodeiam em fazer-nos acreditar que somos aquilo que não somos? Sentem-se mais fortes acreditando que somos mais fracos? Sentem-se maiores e mais capazes acreditando e fazendo-nos acreditar que somos menos capazes e menores?
Ontem, uma amiga que me é muito querida e que tem pouco menos que a minha idade, sentiu-se mal quando estava a trabalhar. Os sinais apontavam para algo grave. Felizmente, os exames acabaram por dissipar os temores.
Este incidente fez-me pensar, mais uma vez, como são fúteis os motivos que nos levam a diminuir os outros e a lutar por causas em que, muitas vezes, só nós acreditamos, porque, como dizia há dias o Pedro Tochas, nos levamos demasiado a sério e por isso nos convencemos de que precisamos urgentemente de vencer e de espalhar aos quatro ventos as nossas vitórias, desviando do caminho todas as “pedras” que encontrámos e que ameaçam impedir-nos de alcançar as metas que traçámos.
Nos dias em que vivemos, não basta que façamos o nosso trabalho com dignidade e brio. É preciso que o publicitemos, que lhe demos visibilidade. É fundamental que sejamos empreendedores e que nos reconheçam capacidade de iniciativa. 
Muitas vezes, para que possamos, então, brilhar, desrespeitamos quem está à volta, pisamos, atropelamos e esquecemo-nos de que tudo é efémero. Mais: estamos tão convencidos da nossa grandeza, que nos esquecemos de nos olharmos ao espelho, e, assim, não chegamos a dar-nos conta das figuras ridículas que fazemos e do pedantismo em que caímos.

2 comentários:

Virgínia do Carmo disse...

As pessoas insistem em esquecer as coisas importantes e em viver de futilidades.
Partilho da tua tristeza.

Beijinhos, L. :)



deep disse...

Virgínia, felizmente vai havendo momentos que nos provam que há quem seja diferente.

Beijinhos :)