domingo, junho 24, 2012

Não, não é complexo de avestruz

É muito raro referir-me, neste espaço, a assuntos ditos "sérios". Posso, com esta omissão, dar a ideia de que o mundo, os problemas e as pessoas à minha volta me passam ao lado ou que talvez prefira, como a avestruz, meter a cabeça na areia, enquanto espero que uma espécie de deus "ex machina" traga as soluções.
Na verdade, aquilo que se passa à minha volta preocupa-me - e revolta-me -  muito mais do que parece. Não fico indiferente às situações de desemprego de casais próximos, à eminência de algumas pessoas ficarem sem emprego ou de terem de se afastar das famílias para poderem garantir um lugar e o sustento. Revolta-me que os nossos políticos estejam mais apostados em responder, com números, a objectivos absurdos, esquecendo o lado humano das situações e que eles próprios continuem a usufruir de privilégios, quando uma grande parte de nós se vê obrigado a sacrifícios. Revolta-me também que aqueles que nos representam não façam nada para evitar que o interior esteja seja cada vez mais esquecido e seja cada vez mais interior, sem pessoas e sem serviços.
Talvez não escreva mais vezes sobre estes assuntos porque já muitos o fazem, ou porque escrever pode aliviar a minha raiva ou a minha consciência, mas não a situação daqueles que sentem mais do que eu os problemas.

3 comentários:

Anónimo disse...

Às vezes, mais vale não falar tanto do que é, diariamente, explorado pelos telejornais e que já cansa, torna-se banal, não se resolve.

R. disse...

Cara deep, respeito e percebo perfeitamente a opção. Além disso, a quem por aqui passa não cabe julgar. Ainda assim, subscrevo inteiramente estas palavras, como já tenho subscrito outras. Sejam elas quais forem, não é questionável o lugar que lhes cabe, porque felizmente a liberdade ainda é um direito que nos assiste!

Um abraço muito grato pela lembrança desta "blogueira" ;) que anda sem tempo para o ser!. E, uma vez mais, votos reforçados de uma magnífica continuação!

deep disse...

Anónimo, por vezes, falar sobre as coisas ou escrever sobre elas traz-nos outra lucidez que, ainda assim, continua a não ser uma solução.

R., felizmente, ainda temos essa liberdade.
Também eu agradeço a presença e as palavras.

Um abraço. :)