quarta-feira, abril 25, 2012

Abril de Abril


(Numa parede, em Almeida)


Era um Abril de amigo Abril de trigo
Abril de trevo e trégua e vinho e húmus
Abril de novos ritmos novos rumos.
Era um Abril comigo Abril contigo
ainda só ardor e sem ardil
Abril sem adjectivo Abril de Abril.
Era um Abril na praça Abril de massas
era um Abril na rua Abril a rodos
Abril de sol que nasce para todos.
Abril de vinho e sonho em nossas taças
era um Abril de clava Abril em acto
em mil novecentos e setenta e quatro.
Era um Abril viril Abril tão bravo
Abril de boca a abrir-se Abril palavra
esse Abril em que Abril se libertava.
Era um Abril de clava Abril de cravo
Abril de mão na mão e sem fantasmas
esse Abril em que Abril floriu nas armas.
Manuel Alegre

3 comentários:

R. disse...

Belíssima escolha, deep.
E que Abril floresça mais que nunca!
Abril Sempre e Abril para tod@s!

Um abraço.

PS: O novo visual da tua "casa" está muito bonito :) Parabéns!

Lídia Borges disse...

Uma boa escolha. Um grande poema em que voz e musicalidade se entrelaçam, se enlaçam nos tons de Abril que Abril nos deu!...

Um beijo

ps:O meu Obrigada pelas palavras deixadas no "searas".

deep disse...

R. e Lídia, é, de facto um bonito poema, pelo ritmo e pela mensagem que veicula.

É preciso não esquecer os motivos e os valores que nos trouxeram um Abril novo. :)

Bom fim-de-semana para ambas. :)