Domingo, Outubro 30, 2011

Volcano



Com votos de bom domingo!

Sábado, Outubro 29, 2011

Fito estes montes

Fito estes montes,
onde o crepúsculo
é um laivo de sangue,
um eco de xisto...


Procuro, na luz rubra,
um grito de ave,
um corpo em chama
que me restituam a voz
e me devolvam à vida.


Texto e imagens: "deep"

Caminhas ao meu lado


Caminhas ao meu lado...
Para me roubares a voz,
Para me privares do olhar
Que se alimenta
Da luz dos teus olhos.


Ouso pedir-te a mão,
Forte e amada mão,
Para amparo
Dos passos que dou
Neste tortuoso caminho
Que conduz ao meu ser.


Apertas-me a mão...
Aperta-la
Para atrasares os meus passos,
Para que eu siga
Arrastada p'los teus.


Com que desespero
Apertas a minha mão na tua!
Para iludires
A segurança dos teus
Próprios passos,
Para não sentires
O bater descompassado
Do meu coração,
Para te poupares da minha mágoa,
Da tua mágoa...


Texto e imagem: "deep"

Quarta-feira, Outubro 26, 2011

Sexta-feira, Outubro 21, 2011

Escrevias pela noite fora

Escrevias pela noite fora. Olhava-te, olhava
o que ia ficando nas pausas entre cada
sorriso. Por ti mudei a razão das coisas,
faz de conta que não sei as coisas que não queres
que saiba, acabei por te pensar com crianças
à volta. Agora há prédios onde havia
laranjeiras e romãs no chão e as palavras
nem o sabem dizer, apenas apontam a rua
que foi comum, o quarto estreito. Um livro
é suficiente neste passeio. Quando não escreves
estás a ler e ao lado das árvores o silêncio
é maior. Decerto te digo o que penso
baixando a cabeça e tu respondes sempre
com a cabeça inclinada e o fumo suspenso
no ar. As verdades nunca se disseram. Queria
prender-te, tornar a perder-te, achar-te
assim por acaso no meu dia livre a meio
da semana. Mantêm-se as causas iguais
das pequenas alegrias, longe da alegria, a rotina
dos sorrisos vem de nenhum vício. Este abandono
custa. Porque estou contigo e me deixas
a tua imagem passa pelas noites sem sono,
está aqui a cadeira em que te sentaste
a escrever lendo. Pudesse eu propor-te
vida menos igual, outras iguais obrigações.
Havias de rir, sair à rua, comprar o jornal.


Helder Moura Pereira in De Novo as Sombras e as Calmas

Com um grande obrigada à Marta, que permitiu que eu a "roubasse". :)

Quarta-feira, Outubro 19, 2011

Seis anos

depois do início deste devaneio que intitulei, por lapso, "Letras são papéis", as palavras de Mário de Sá-Carneiro ainda fazem sentido. Continua a faltar-me "um golpe de asa"...


"Um pouco mais de sol – eu era brasa,
Um pouco mais de azul – eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…"


(Excerto do poema "Quase")


Aproveito para agradecer a presença de todos quantos ainda me visitam e com os quais tenho sido uma ingrata. Sem o vosso alento, este espaço, que está longe de ser perfeito, não teria sobrevivido. Obrigada!

Podes ficar aqui?

Podes ficar aqui?
Não vás embora,


precisarei de mais alguns minutos,
horas, dias, semanas, meses, anos,
eternidades para te esquecer…


Fernando Pinto do Amaral

Quarta-feira, Outubro 12, 2011

Andrea Bocelli - Romanza

Vírus nos blogues

Há pelo menos quatro blogues da minha lista aos quais não consigo aceder, porque, sempre que tento fazê-lo, aparece um sinal de alerta de vírus.


Os blogues aos quais me refiro são:


histórias com vida
mar arável
mimo e maresia
seara de versos

Convocar o Outono

Terça-feira, Outubro 11, 2011

Surrender



De "molho"... o Outono a fazer das suas. :(

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?

Cecília Meireles




Black Flies

Sábado, Outubro 08, 2011

Again

Gostei, por isso "roubei"...

É uma daquelas músicas para ouvir em modo "repeat", num volume considerável, de preferência dentro do carro...

Vou tentar seguir

o conselho que Cecília Meireles pôs nestas palavras que hoje vieram ter comigo e que, suspeito, são apenas parte de um poema que eu não consigo encontrar:


"Não vou deixar a porta entreaberta.
Vou escancará-la ou fechá-la de vez.
Porque pelos vãos, brechas e fendas,
passam semiventos,
meias verdades e muita insensatez".


Cecilia Meireles