terça-feira, maio 10, 2011

Guerra civil


("Breogán", La Coruña, Abril/2011)


É contra mim que luto.
Não tenho outro inimigo.
O que penso,
O que sinto,
O que digo
E o que faço,
É que pede castigo
E desespera a lança no meu braço.


Absurda aliança
De criança
E adulto,
O que sou é um insulto
Ao que não sou;
E combato esse vulto
Que à traição me invadiu e me ocupou.


Miguel Torga

2 comentários:

Lídia Borges disse...

Miguel Torga é sempre uma revelação.

Não conhecia este

Um beijo

deep disse...

Lídia, é tão bom quando os poetas ainda conseguem surpreender-nos.

Obrigada pela companhia.

Um beijo. :)