sexta-feira, março 04, 2011

insones

Fumam à janela, o vento frio
desfaz o fumo, os dedos tremem.
Não sabem uns dos outros,
espalhados pela cidade, mas
procuram as luzes ainda acesas
noutras casas. Noite dentro,
o silêncio dos que dormem
é uma afronta, desleixo pueril
de quem consegue ignorar
as facadas do tempo, a areia
entre os dedos, o sobressalto.


José Mário Silva

2 comentários:

R. disse...

Belíssimo.
Gosto desta ideia da partilha ignorada de certas comunalidades. A igualdade de condições na heterogeneidade das vidas.

Votos de uma excelente semana!

deep disse...

R., dei com ele há dias e, de certa forma, espelhei-me nele. Obrigada pela presença.

Votos de um óptimo domingo! :)