Segunda-feira, Maio 31, 2010
Domingo, Maio 30, 2010
Sábado, Maio 29, 2010
Pequenas coisas
Falar do trigo e não dizer o joio. Percorrer
em voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússola
na floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes,
não acordar o silêncio.
Albano Martins, Escrito a vermelho
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Um dos capítulos
Ainda te falta
dizer isto: que nem tudo
o que veio
chegou por acaso. Que há
flores que de ti
dependem, que foste
tu que deixaste
algumas lâmpadas
acesas. Que há
na brancura
do papel alguns
sinais de tinta
indecifráveis. E
que esse
é apenas
um dos capítulos do livro
em que tudo
se lê e nada
está escrito.
Albano Martins, Escrito a Vermelho
dizer isto: que nem tudo
o que veio
chegou por acaso. Que há
flores que de ti
dependem, que foste
tu que deixaste
algumas lâmpadas
acesas. Que há
na brancura
do papel alguns
sinais de tinta
indecifráveis. E
que esse
é apenas
um dos capítulos do livro
em que tudo
se lê e nada
está escrito.
Albano Martins, Escrito a Vermelho
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Sexta-feira, Maio 28, 2010
Segunda-feira, Maio 24, 2010
Domingo, Maio 23, 2010
Pássaros, passarinhos, passarões, aves de rapina...
Viveu em tempos um pintor que nunca conseguia acabar de pintar uma ave, fosse ela uma cegonha ou uma garça. Quando se preparava para dar a última pincelada, ela levantava voo.
E o pintor ficava muito tempo ainda a persegui-la com o pincel no céu azul...
Jorge de Sousa Braga, "A Última Pincelada"
Comigo acontece quase o mesmo: aponto a máquina, mas nunca consigo fotografar aves... ou porque elas voam antes que eu consiga fixá-las no ecrã ou porque o zoom é insuficiente. Acabo por me contentar em observá-las com a ajuda do telescópio e dos binóculos ou a olho nu, sempre com o auxílio de quem sabe. Pelo meio, aproveito para fotografar flores, modelos bem menos irrequietos.
Esta manhã, observámos milhafres negros, cegonhas, cartaxos, andorinhas, pardais, uma perdiz, mergulhões, patos...
Fiquei, por exemplo, a saber que a diferença entre um pato e um mergulhão reside não só na morfologia, mas também na maneira como cada um nada e que uma das formas de identificar rapinas em voo é olhar-lhes para o formato da cauda. Foi-me igualmente explicado que posso chamar "passarinho" a um pardal ou a uma andorinha, mas não posso fazê-lo se se tratar de um piriquito ou de um andorinhão - apenas os primeiros se incluem no grupo dos "passeriformes".
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Sábado, Maio 22, 2010
Boletim Meteorológico
Céu muito nublado vento
Fraco moderado de sudoeste
Soprando forte nas terras
Altas aguaceiros em especial
Nas regiões do Norte e Centro
E que serão de neve nos
Pontos mais altos da Serra
Da Estrela e no teu coração.
Fraco moderado de sudoeste
Soprando forte nas terras
Altas aguaceiros em especial
Nas regiões do Norte e Centro
E que serão de neve nos
Pontos mais altos da Serra
Da Estrela e no teu coração.
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Sexta-feira, Maio 21, 2010
So Nice
Uma música com "sabor" a Verão... que combina bem com um café, numa esplanada, perto da água, de preferência. Sonhos...
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18
O lugar onde fui sem projecto nem mapa
O lugar fixo de morrer e renovar
O lugar onde sou nem sombra nem um nome
O lugar que abandono o lugar onde acordo
O lugar onde a vida aguarda um novo vinho
O lugar onde a pedra é todo o meu abrigo
O lugar de tão velho extremamente nítido
O lugar de tão frio no seu estar comigo
O lugar amplidão de todos os lugares
O lugar onde sou de todos os passados
O lugar de embarcar em barcos de papel
O lugar da conquista das cavernas do vento
O lugar de ser triste e esperar o infinito
O lugar de sorrir da viagem no início
O lugar da cisterna o lugar da latada
O lugar da debulha de tanta inútil lágrima
O lugar onde sou de raízes queimadas
Esquecimento só de todos os lugares.
José Martins Garcia, No Crescer dos Dias
(Neste volume, os poemas do autor não têm título, apenas um número.)
O lugar fixo de morrer e renovar
O lugar onde sou nem sombra nem um nome
O lugar que abandono o lugar onde acordo
O lugar onde a vida aguarda um novo vinho
O lugar onde a pedra é todo o meu abrigo
O lugar de tão velho extremamente nítido
O lugar de tão frio no seu estar comigo
O lugar amplidão de todos os lugares
O lugar onde sou de todos os passados
O lugar de embarcar em barcos de papel
O lugar da conquista das cavernas do vento
O lugar de ser triste e esperar o infinito
O lugar de sorrir da viagem no início
O lugar da cisterna o lugar da latada
O lugar da debulha de tanta inútil lágrima
O lugar onde sou de raízes queimadas
Esquecimento só de todos os lugares.
José Martins Garcia, No Crescer dos Dias
(Neste volume, os poemas do autor não têm título, apenas um número.)
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Quinta-feira, Maio 20, 2010
Dia de Santa Azelhice!
O dia começou bem - não é todos os dias que tomamos o pequeno-almoço na companhia do pai e da mãe-, a manhã de trabalho foi serena. Nada indiciava que o azar espreitasse logo depois do almoço. Está bem que há azares aos quais quadra melhor o nome, é certo que não passou de um raspão, mas ainda estou para ver quanto me vai custar um cálculo mal feito ou a pura demonstração de "azelhice"!
Juro que não bebi... nem água!
Juro que não bebi... nem água!
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Terça-feira, Maio 18, 2010
Os anéis de Saturno
(Imagem da net)
Os melhores momentos são, muitas vezes, aqueles que resultam de convites de última hora. O de hoje levou-me num "passeio" pelos anéis de Saturno, pelas crateras lunares, por Marte, por Vénus e pela Estrela Polar, na boleia de um telescópio.
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Segunda-feira, Maio 17, 2010
Como...
... tristezas e desilusões não pagam dívidas, a tarde prossegue com trabalho e música, esta em modo "repeat".
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Recorrências
"Mostrei-me doce e flexível com pessoas que acabaram por me expulsar das suas vidas devido a uma qualquer indeterminada ofensa minha. Pessoas que afirmavam morrer se eu as abandonasse e depois me esbofeteavam em fúria por ter comprado a marca de cerveja errada. (...)"
Michael Cunningham, Uma Casa no Fim do Mundo
(Com as devidas diferenças, obviamente...)
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Domingo, Maio 16, 2010
Dia internacional dos museus
Para quem está pelo Porto ou possa ir até lá, fica aqui o programa, que me foi gentilmente "cedido" por um amigo.
(Serralves, Agosto de 2008)
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Entre amigos
Há momentos impagáveis, em que nos sentimos em casa. O habitual café de sábado de manhã com uma amiga de sempre ou um jantar de "novidades", também entre amigos, em que os adultos partilharam histórias e música com os mais novos - como este "As tears go by", que o J., de 40, emprestou à J., de 13, num CD de precisamente 40 músicas. O café estava um pouco queimado, mas a conversa e a companhia souberam a serenidade e companheirismo. O jantar, cujos pratos são confeccionados rotativamente por todos os adultos, estava óptimo e a conversa animada. Só lamentei esta dor de cabeça que não me largou durante todo o dia.
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Sábado, Maio 15, 2010
Sexta-feira, Maio 14, 2010
Passar a ferro
Além de todos apresentarem sinais óbvios de degradação, dois foram fotografados logo após a "descoberta", na adega da casa, como se percebe pela sujidade que "exibem"!
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Quinta-feira, Maio 13, 2010
Quarta-feira, Maio 12, 2010
Esquadros
Adequada, a meu ver, para uma tarde cinzenta e fresquita como esta...
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Terça-feira, Maio 11, 2010
Palavras dos outros (II)
Estas podiam ser também as minhas palavras... se eu soubesse escrever assim.
Segunda-feira, Maio 10, 2010
o que se ouve por aí (II)
Se ficasse a saber que o meu marido comentou, com outra mulher que eu nem conheço, que estou gorda (mais do que ele gosta numa mulher) e que me visto com mau gosto, não acharia, decerto, graça alguma... mesmo que tudo fosse verdade.
Se ele fosse como o homem a quem ouvi estas palavras, no mínimo, oferecia-lhe um espelho de corpo inteiro e uma fita métrica...
Se ele fosse como o homem a quem ouvi estas palavras, no mínimo, oferecia-lhe um espelho de corpo inteiro e uma fita métrica...
Domingo, Maio 09, 2010
Quero
... um domingo sem defeitos! Senão, vou queixar-me à Deco.
(Não, este mau humor não se deve à vitória do Benfica... Parabéns aos benfiquistas!)
(Não, este mau humor não se deve à vitória do Benfica... Parabéns aos benfiquistas!)
o que se ouve por aí
Há dias, afirmava alguém: "Dizem que há muitas pessoas más no mundo, mas, sabe, eu acredito que são mais as boas do que as más."
Estou tentada a dar-lhe razão...
Sunday
Nothing remains
We could run
when the rain slows
Look for the cars or signs of life
Where the heat goes
Look for the drifters
We should crawl under the bracken
Look for the shafts of light on the road
Where the heat goes
Everything has changed
For in truth, it's the beginning of nothing
And nothing has changed
Everything has changed
For in truth, it's the beginning of an end
And nothing has changed
And everything has changed
In your fear
Of what we have become
Take to the fire
Now we must burn
All that we are
Rise together
Through these clouds
As on wings
In your fear, seek only peace
In you fear, seek only love
In your fear, seek only peace
In you fear, seek only love
In your fear, in your fear
As on wings
This is the trip
And this is the business we take
This is our number
All my trials, Lord
Will be remembered
Everything has changed
Sábado, Maio 08, 2010
Palavras dos outros...
... que nos calham bem...
Como "longos dias têm cem anos", talvez nunca seja tarde.
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Coincidências
Eu sei que a terra não é grande, mas encontrar, num período inferior a duas horas, a mesma pessoa em cinco ou seis espaços diferentes para mim é inédito...
Sexta-feira, Maio 07, 2010
Segunda-feira, Maio 03, 2010
Parabéns... com um dia de atraso
para a minha prima I., que, mesmo não deixando comentários, é uma das visitantes mais assíduas desta "casa". Espero que tenhas passado um dia feliz... e que gostes da música!
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Em toda a noite o sono não veio
Em toda a noite o sono não veio. Agora
Raia do fundo
Do horizonte, encoberta e fria, a manhã.
Que faço eu no mundo?
Nada que a noite acalme ou levante a aurora,
Coisa séria ou vã.
Com olhos tontos da febre vã da vigília
Vejo com horror
O novo dia trazer-me o mesmo dia do fim
Do mundo e da dor —
Um dia igual aos outros, da eterna família
De serem assim.
Nem o símbolo ao menos vale, a significação
Da manhã que vem
Saindo lenta da própria essência da noite que era,
Para quem,
Por tantas vezes ter sempre esperado em vão,
Já nada espera.
Fernando Pessoa
Raia do fundo
Do horizonte, encoberta e fria, a manhã.
Que faço eu no mundo?
Nada que a noite acalme ou levante a aurora,
Coisa séria ou vã.
Com olhos tontos da febre vã da vigília
Vejo com horror
O novo dia trazer-me o mesmo dia do fim
Do mundo e da dor —
Um dia igual aos outros, da eterna família
De serem assim.
Nem o símbolo ao menos vale, a significação
Da manhã que vem
Saindo lenta da própria essência da noite que era,
Para quem,
Por tantas vezes ter sempre esperado em vão,
Já nada espera.
Fernando Pessoa
Domingo, Maio 02, 2010
Mãe
(Da net. Desconheço o autor.)
Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei! Traz tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue verdadeiro, encarnado!
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.
Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me ao teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero Ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!
Almada Negreiros, A Invenção do Dia Claro
Votos de um dia muito feliz para todas as mães!
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Sábado, Maio 01, 2010
Quem pode impedir a Primavera
Quem pode impedir a Primavera
Se as árvores se vão cobrir de flores
E o homem se sentiu sorrir à Vida?
Quem pode impedir a surda guerra
Que vai nos campos deslocando as pedras
- Mudas comparsas no ritmo das estações -
E da terra inerte ergueu milhares de lanças
Que a tremer avançam, cintilantes, para o limite
Em que a luz aquosa se derrama
Como um mar infinito onde o arado
Abre caminho misterioso à seiva inquieta!
Quem pode impedir a Primavera
Se estamos em Maio e uma ternura
Nos faz abrir a porta aos viandantes
E o amor se abriga em cada um dos nossos gestos.
Quem?...
Se os sonhos maus do Inverno dão lugar à Primavera!
Ruy Cinatti
Se as árvores se vão cobrir de flores
E o homem se sentiu sorrir à Vida?
Quem pode impedir a surda guerra
Que vai nos campos deslocando as pedras
- Mudas comparsas no ritmo das estações -
E da terra inerte ergueu milhares de lanças
Que a tremer avançam, cintilantes, para o limite
Em que a luz aquosa se derrama
Como um mar infinito onde o arado
Abre caminho misterioso à seiva inquieta!
Quem pode impedir a Primavera
Se estamos em Maio e uma ternura
Nos faz abrir a porta aos viandantes
E o amor se abriga em cada um dos nossos gestos.
Quem?...
Se os sonhos maus do Inverno dão lugar à Primavera!
Ruy Cinatti
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