domingo, maio 02, 2010

Mãe

(Da net. Desconheço o autor.)

Mãe!

Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei! Traz tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue verdadeiro, encarnado!

Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!

Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.

Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me ao teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.

Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero Ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.

Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!

Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!

Almada Negreiros, A Invenção do Dia Claro

Votos de um dia muito feliz para todas as mães!

3 comentários:

wandolas disse...

Pela parte que me toca, obrigada.
Belo poema.
Beijinhos e boa semana tb para ti.

Anónimo disse...

Obrigada pela parte que me toca.
Como sempre, consegues encontrar coisas bonitas para descreveres o dia.
Beijos
Nina

CCF disse...

Bonito! Agradecimentos atrasados...
Abraço
~CC~