quinta-feira, julho 30, 2009

quem não tem cão caça com gato

Aproveitar o sol, enquanto Agosto não chega e é ainda possível encontrar uma sombra perto da água...

quarta-feira, julho 29, 2009

emperor's dream

(Imagem da net)
Conheci-o no domingo aqui. Fiquei fã. Na segunda-feira, encontrei-o, por acaso, aqui.
Um sonho de imperador partilhado com comuns mortais...
Vai uma chávena? Também há bolo, acabadinho de fazer...

livros (não) são (só) papéis pintados com tinta*

Quando decido (finalmente) arrumar as estantes, invade-me, por vezes, uma sensação semelhante (ou melhor) àquela que experimento quando descubro uma nota no bolso de um casaco que não vestia desde a estação anterior.
À medida que esvazio as prateleiras para, depois de limpas, as encher de novo, vão-se revelando livros que julgava perdidos, outros que não recordava ter e algumas obras repetidas. Pelo caminho, demoro-me nas datas e nos locais em que foram comprados ou nas palavras amigas que acompanharam ofertas, fazendo a tarefa durar o dobro do tempo.
* "Livros são papéis pintados com tinta" é um verso do poema "Liberdade" de Fernando Pessoa.

sexta-feira, julho 24, 2009

Bom fim de semana...

... para os poucos que ainda passam por cá! Embora não sejam o Leonard Cohen, o Jeff Buckley ou o John Cale, não se saíram nada mal!

quarta-feira, julho 22, 2009

Parabéns!

Não podendo oferecer-te a lua ou uma estrela, fica este "Harvest Moon"...

domingo, julho 19, 2009

a propósito da lua II

“Círculo na lua, chuva na rua.” “Lua de Agosto dá no rosto.” “Riqueza e fortuna mudam com a lua.” "Lua, a de Janeiro, e amor, o primeiro." "Luar de Janeiro não tem parceiro."

a propósito da lua

CANÇÃO DA SAUDADE Se eu fosse cego amava toda a gente. Não é por ti que dormes em meus braços que sinto amor. Eu amo a minha irmã gémea que nasceu sem vida, e amo-a a fantasiá-la viva na minha idade. Tu, meu amor, que nome é o teu? Diz onde vives, diz onde moras, diz se vives ou se já nasceste. Eu amo aquela mão branca dependurada da amurada da galé que partia em busca de outras galés perdidas em mares longíssimos. Eu amo um sorriso que julgo ter visto em luz do fim-do-dia por entre as gentes apressadas. Eu amo aquelas mulheres formosas que indiferentes passaram a meu lado e nunca mais os meus olhos pararam nelas. Eu amo os cemitérios — as lajes são espessas vidraças transparentes, e eu vejo deitadas em leitos floridos virgens nuas, mulheres belas rindo-se para mim. Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres são como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem em meus sonhos. Eu amo a Lua do lado que eu nunca vi. Se eu fosse cego amava toda a gente. Almada Negreiros, Frisos

quinta-feira, julho 16, 2009

música com "sabor" a verão

que encontrei aqui e que resolvi "copiar"...

quarta-feira, julho 15, 2009

o silêncio do mar

Conheço o título há mais de vinte anos: O Silêncio do Mar de Vercors. Na verdade, conheci-o antes no original, em francês. Foi, durante anos, leitura obrigatória para os alunos de nível 7 da língua. Não o li então, porque não frequentava a disciplina e porque o meu francês de três anos me limita a leitura de obras literárias. Há dias, não me lembro bem a que propósito, uma amiga, leitora assídua e criteriosa, fez-me um resumo sucinto da obra. Propus-me, intimamente, adquiri-la. Comprei-a há dois dias e li-a, em aproximadamente duas horas, entre a noite de ontem e a hora de almoço de hoje. Na obra, cruzam-se dois monólogos: o do narrador-observador e o de uma das três personagens, um oficial nazi que, em 1941, se instala na casa de uma família francesa. Tio e sobrinha não contestam abertamente a ocupação, mas optam pelo silêncio, fazendo por ignorar a presença do inimigo. Permitem-lhe que se aproxime da lareira para se aquecer, que use o piano, sem alguma vez lhe dirigirem uma palavra ou darem mostras de que estão a escutá-lo. Durante cem dias, o oficial trata com afabilidade os habitantes da casa, falando de si, do seu passado e do seu fascínio pela cultura e pelos escritores franceses.
Apercebemo-nos, pelas observações do narrador, da paixão impossível (e que nunca chega a ser verbalizada) que vai nascendo entre o alemão e a mulher da casa e da admiração do próprio narrador pelo inimigo. Ao longo da obra, tornamo-nos cúmplices das batalhas interiores das três personagens e ansiamos que um dia o silêncio se quebre.

segunda-feira, julho 13, 2009

domingo, julho 12, 2009

manhãs de domingo

(Trás-os-Montes)
Era em Julho, um domingo; fazia um grande calor; (...) sentia-se fora o sol faiscar nas vidraças, escaldar a pedra da varanda; havia o silêncio recolhido e sonolento de manhã de missa; uma vaga quebreira amolentava, trazia desejos de sestas, ou de sombras fofas debaixo de árvores, no campo, ao pé da água (...).
Eça de Queirós, O Primo Basílio

11 burros caem no estômago vazio

é o título de um documentário de que já conhecia este excerto e que hoje tive oportunidade de ver na íntegra. Revela-se um filme cativante pelo que tem de genuíno, por retratar a simplicidade e generosidade das gentes de Miranda (e dos transmontanos em geral) e por recuperar algumas peças do património oral que correm o risco de serem esquecidas.

Na infância e na adolescência, visitava frequentemente, com uns amigos, uma aldeia do concelho de Miranda, para vindimar ou para passar uns dias no Verão. Lá, não havia café, nem mercearia, e, na hora da sesta, as pessoas recolhiam-se nas suas casas, para se protegerem do intenso calor. Tudo ficava, então, silencioso. As pessoas mais velhas, que se expressavam em mirandês cerrado, eram afáveis e curiosas. Por tudo isto, a minha relação com o filme não pode deixar de ser também afectiva.

sábado, julho 11, 2009

les hommes qui passent

Um "menino" que gosta muito de música partilhou este tema comigo... eu partilho-o convosco. ;)

sexta-feira, julho 10, 2009

Bom dia!

quinta-feira, julho 09, 2009

teimosias

Levanto-me do sofá, onde, sucumbindo a espaços ao sono, assisti a uma mais-do-que-repetida série na tv. Antes de desligar a luz para dormir, pego num livro. Algumas – duas? três? – páginas depois, o sono arremessa o livro contra o meu rosto. Não desisto. Contudo, o meu esforço não vai além de uma página. Rendo-me e decido, finalmente, abandonar o livro e desligar a luz. Ironicamente, sinto-me desperta. Ligo de novo a luz e levanto-me. Nada me ocorre que possa pesar-me na consciência. Pesam-me as pálpebras, isso sim, de sono. Nada que me faça doer a alma. Antes o corpo e, ligeiramente, a cabeça, de cansaço. Tudo à minha volta parece imerso num silêncio pesado. No exterior, apenas o ladrar abafado de alguns cães. Depois destas linhas, o sono e o contrário dele ainda se degladiam e o meu nariz, resistente ao soro fisiológico e à água do mar, teima em dificultar-me a respiração. De súbito, há um sinal do início do dia – ou será do fim da noite? - : o som de uma porta a abrir, passos na escada. Gosto dos sons e da luz que anunciam o dia, mas não menos de poder dormir e descansar. Será que é desta?
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Aqui estou eu, de novo, sem ter pregado olho - nem um só minuto!
Há muito que não testemunhava o acordar e espreguiçar dos dias e que não surpreendia, em diferentes recantos da minha casa, uma luz diferente - por isto, e só por isto, valeu a pena não ter dormido.

terça-feira, julho 07, 2009

não se estava nada mal

lá em cima... Pois não, menina da foto?

(Serra de Bornes,Trás-os-Montes, Abril de 2009)

Mas à sombra, claro está, que o sol não está para brincadeiras!

a nordeste

durante o mês de Julho: Feixes de Luz Festa da Caricatura L Burro e l Gueiteiro

Não compreendo

como é que, depois de tantas campanhas de sensibilização, ainda há pessoas que não aprenderam que é mais rápido, económico (esqueçam o ecológico!) levar os diferentes tipos de lixo a um ecocentro do que esperar pela noite para os depositar em qualquer campo (alheio, está claro!). Mais me espanta que haja pessoas que parecem não ter aprendido a usar caixotes do lixo em casa e que se sirvam do quintal do vizinho como depósito de "restos". No fim da tarde de sexta, quando me dispus finalmente a tratar das árvores e a limpar a erva do quadrado murado a que chamo quintal, deparei-me com diversos objectos "estranhos" – beatas, embalagens de leite, pedaços de metal e de madeira, garrafas de cerveja, uma embalagem de amaciador da roupa, entre outras coisas que não sei nomear -, a quantidade suficiente para encher um saco de 30 litros. Está visto que há macacos que aprendem mais depressa...

segunda-feira, julho 06, 2009

i wish i knew how it would feel to be free

I wish I knew how it would feel to be free I wish I could break all the chains holding me I wish I could say all the things that I should say say 'em loud, say 'em clear for the whole round world to hear. I wish I could share all the love that's in my heart remove all the bars that keep us apart I wish you could know what it means to be me Then you'd see and agree that every man should be free. I wish I could give all I'm longing to give I wish I could live like I'm longing to live I wish that I could do all the things that I can do though I'm way overdue I'd be starting anew. Well I wish I could be like a bird in the sky how sweet it would be if I found I could fly Oh I'd soar to the sun and look down at the sea and I'd sing cos I'd know that and I'd sing cos I'd know that and I'd sing cos I'd know that I'd know how it feels to be free I'd know how it feels to be free I'd know how it feels to be free

(Tema gravado pela primeira vez em 1967)

sábado, julho 04, 2009

traz-me uma casa do horizonte deserto

Imagem: Lighthouse Hill de Edward Hopper
Traz-me uma casa do horizonte deserto lá onde o mar começa e os meus olhos se fecham trá-la pela carne da vaga pedra a pedra conseguida trá-la vaga, descoberta de franquia, porta aberta trá-la de coral e de limos há-de reluzir nas colinas há-de crescer de guarida para quem nela entre e habite trá-la hoje a hora que o sol posponte e se veja lá no horizonte janelas, portadas abertas gente a entrar, a sair delas encontrando tesouros fazendo descobertas Há séculos que não há caravelas mas ainda se queimam círios em muitas casas por dentro sem rosto sem remetente sem que um pássaro possa desabrochar numa flor. José Ribeiro Marto, Pastoreio Obrigada, Poeta!

sexta-feira, julho 03, 2009

quinta-feira, julho 02, 2009

de corpo e alma

Em menos de um ano, três mulheres com quem me relaciono e que têm a minha idade, foram surpreendidas pelo mesmo problema de saúde, uma das quais há menos de uma semana, vendo-se obrigadas a abandonar o trabalho por alguns meses e a reorganizar a vida familiar. Sei que o medo e a angústia as rondam muitas vezes, mas até agora não foram capazes de as vencer.
Estas situações levam-me a acreditar que o corpo é uma bomba-relógio, que explode em hora marcada e que não adianta passarmos o tempo a convencer-nos e a convencer os outros de que a idade está no espírito. Quando o corpo, em vez de sussurrar, grita, o espírito vê-se obrigado a ouvi-lo e a entrar em sintonia com ele.

quarta-feira, julho 01, 2009

É estranho, encantador e pouco possível de se explicar esse sentimento que se apodera da gente quando, por instinto, se pressente que há uma possibilidade de amor nos rondando. As mulheres bonitas sempre nos despertam desejos; mas há ocasiões em que esses desejos mesclam-se com outro tipo de sentimento, mais fino, mais delicado, mais expectante; não é ainda a paixão que arrasa e atormenta, nem é apenas a vontade de beijar e deitar-se acariciando um corpo macio e quente com seus cheiros. É como se estivéssemos, por um instante, suspensos entre esses dois abismos, sem a noção clara de qual deles irá nos atrair primeiro. Murilo Carvalho, No Rastro do Jaguar

Pina Bausch (1940 - 2009)

Há vinte anos, tive a sorte de a ver dançar no grande auditório da Gulbenkian. Impressionou-me o facto de ter ficado todo o intervalo no palco, de pé, sem se mexer.