quinta-feira, junho 11, 2009

numa rua do Porto há muito tempo


Havia um Picasso
E as conversas fluíam
alheias a qualquer guerra civil.
Encaixilhado por cima das nossas cabeças
havia um “Guernica”.
E as conversas,
misturadas com o tilintar de loiças e o aroma de “cimbalinos”,
subiam de tom.
E, mesmo por cima das cabeças de alguns de nós,
a guerra clamava em fragmentos,
uma mãe suportava ao colo o filho
e o seu desespero era indiferente ao riso
que nascia de algum dito mais tolo que abafava
o trote dos cavalos,
a dor da gente que ali aparecia
e reclamava cafeína depois do almoço,
numa guerra civil em que a vontade de dormir
e as obrigações quotidianas se degladiavam.
Esqueci o nome do café, os rostos e as vozes
que reclamavam cafeína depois de almoço,
mas lembro-me que o quadro era uma reprodução
e por isso não o levávamos a sério.

5 comentários:

Lídia Borges disse...

Para nosso bem, há coisas que não podem ser levadas a sério, mesmo!

Um poema tenso, sério...
Gostei muito.

Obrigada

tsiwari disse...

ainda há uma rua assim...


... e o vídeo é qq coisa, mesmo!

;)***

deep disse...

Lídia, obrigada pela visita e pelo elogio. Não lhe chamaria poema, antes um devaneio. :)

Tsiwari, há muito tempo que não passo nessa rua... um destes dias, talvez!
O vídeo, cujo link alguém me enviou há tempos, é, de facto, muito bonito. :)

Bom fim-de-semana para ambos.

vaandando disse...

Uma tragédia ainda sobre nós , indiferentes, uma guerra parada no tempo...
Um POEMA!
Abraço
____________ JRMARTO

ana maria disse...

Que bela escrita poética!
Boa semana!!