segunda-feira, junho 29, 2009

de tarde

Naquele "pic-nic" de burguesas, 
Houve uma coisa simplesmente bela, 
E que, sem ter história nem grandezas,
 Em todo o caso dava uma aguarela. 


 Foi quando tu, descendo do burrico, 
Foste colher, sem imposturas tolas, 
A um granzoal azul de grão-de-bico 
Um ramalhete rubro de papoulas. 


 Pouco depois, em cima duns penhascos, 
Nós acampámos, inda o sol se via; 
E houve talhadas de melão, damascos, 
E pão de ló molhado em malvasia. 

Mas, todo púrpuro, a sair da renda 
Dos teus dois seios como duas rolas 
Era o supremo encanto da merenda 
O ramalhete rubro das papoulas! 


Cesário Verde


Esta tarde, não haverá burguesas, nem burricos, nem outras coisas que Cesário Verde enumera, mas, se a chuva não nos surpreender, haverá um piquenique. Bom trabalho para quem não pode, como nós, gozar o feriado!

2 comentários:

wandolas disse...

Pela parte que me toca, obrigada.
A manhã foi passada no emprego habitual e a tarde nas lides domésticas.Nesta pequena pausa aproveitei para ver o que por aqui havia de novo. Como não podia deixar de ser fiquei com água na boca:))!
Espero que o feriado tenha e ainda esteja a ser bem passado.
Bjos.
wandolas

Lídia Borges disse...

Cesário Verde, o poeta que tenta fugir ao lirismo e expressar-se o mais naturalmente que lhe é possível.
Este poema é um exemplo disso mesmo.
Boa escolha!

Um beijo