sábado, janeiro 17, 2009

comentário extenso

O medo, Infame, pode assumir diferentes rostos e um grau maior ou menor de intensidade. Pode disfarçar-se de astúcia, de cobardia, mas pode chegar-nos sob a capa da coragem e da audácia. O medo pode levar-nos a executar actos impensáveis que revelam o pior de nós, respondendo, cegos, a instintos de sobrevivência latentes a que o mais apregoado altruismo não resiste, ou, pura e simplesmente, prende-nos os braços e entorpece-nos o cérebro, deixando-nos sem acção. O medo transforma-se em coragem quando, independentemente das consequências, pugnamos pelos nossos objectivos, fazemos valer as nossas vontades e ideais. “Quem vai à guerra, dá e leva”, lá diz o ditado. E só quem está disposto a “levar” de facto, mesmo que saiba que as feridas demorarão a sarar, é que pode apelidar-se de corajoso. Por vezes, cruzar os braços – aqui entenda-se “não seguir a a linha de actuação que muitos consideram a certa” – pode exigir maior “valentia” (o termo é excessivo, sei-o), porque tem que se combater outra forma de pressão e de repressão, a dos pares. A repressão, como o medo, tem roupagens diversas. Aceitar que outros não possam comungar das mesmas ideias ou seguir a mesma linha de actuação pode significar pôr em causa convicções que julgávamos em nós inabaláveis. É também daí que nasce o medo e este, por sua vez, conduz à repressão, à chantagem, à ameaça (retiremos, neste contexto, alguma da carga negativa que estas palavras transportam), sempre sob o lema “Se não estás comigo, estás contra mim.”. Os radicalismos, partam de onde partirem, ainda que haja causas a suportá-los, são sempre uma ameaça à liberdade de expressão.

3 comentários:

Carla disse...

O medo impede-nos de ser, contrai-nos, faz-nos não ir, fecha-nos em nós mesmos e espera pelo silenciar das vozes...

Infame da Vileza disse...

Quem não comunga publicamente dos meus ideais é corajoso! Nestes o medo não é sinónimo de escoliose! Admiro-os tanto como os meus "irmãos" de luta!
Bjs

Anónimo disse...

Não há razões para ter medo de não 'seguir a corrente', como não existem para não se dizer o que se pensa, e dizê-lo é não ter medo de ser livre.

Bjis

rubia