terça-feira, junho 24, 2008

tu ou você?

O Director Geral de um Banco estava preocupado com um jovem e brilhante director, que, depois de ter trabalhado durante algum tempo com ele sem parar, nem para almoçar, começou a ausentar-se ao meio-dia. Então o Director Geral do Banco chamou um detective e disse-lhe: - Siga o Dr. Mendes durante uma semana, na hora de almoço. O detective, após cumprir o que lhe havia sido pedido, voltou e informou-o: - O Dr. Mendes sai normalmente ao meio-dia, pega no seu carro, vai a sua casa almoçar, faz amor com a sua mulher, fuma um dos seus excelentes cubanos e regressa ao trabalho. Responde o Director Geral: - Ah, bom, antes assim. Não há nada de mal nisso. O detective pergunta-lhe: - Desculpe. Posso tratá-lo por tu? - 'Sim, claro' respondeu o Director surpreendido. - Então vou repetir : o Dr. Mendes sai normalmente ao meio-dia, pega no teu carro, vai a tua casa almoçar, faz amor com a tua mulher, fuma um dos teus excelentes cubanos e regressa ao trabalho. A lingua portuguesa é mesmo fascinante!
(Recebido por email)

4 comentários:

Anónimo disse...

Excelente, mas para além dos matizes das formas de tratamento que são vários, e aparentemente simétricas nalguns casos , por exemplo no mundo do trabalho, o tu ou o você entre pares profissionais, e estes com pares com outras responsabilidades, o tu ou o até mesmo o você, são só aparentemente simétricos, quer formal quer informalmente.
As formas de tratamento são sempre de uma ou outra forma relações de poder no mundo do trabalho e não só... ....
No contexto entre desconhecidos em geral assumem outro valor dependendo da duração da interacção e ás vezes de uma negociação implícita, ou seja, há um ajuste do tratamento explícito » podemo-nos tratar por tu /ou você, ou vamo-nos tratar pelo nome próprio , ou ainda impessoal ( omissão) , tanto pode ser você, o sr a sra ).... Escuso-me de apresentar exemplos; quando propomos uma forma de tratamento e recebemos uma igual, informal o TU não o é necessariamente...
A-Tu não achas uma boa ideia vou fazer isto( dependente)
B. Acho e vais fazer isso mesmo !... ( chefe )
No caso exposto que introduz desconhecidos na esfera íntima , não chegou ao interessado uma explicação grosseira....
Eu trato muita gente conhecida por você e até amigos.... È assim ...
Há, no entanto, um sub-texto ambíguo que acho interessante....
Quem se atreve a ir mais adiante ?
cordialmente
José Ribeiro Marto

Infame da Vileza disse...

A língua com os seus pronomes pode tornar-se uma inimiga com requintes de crueldade!
Bjs

Anónimo disse...

Já os espanhóis 'tutean(?)' toda a gente...

Bjis

rubia

Anónimo disse...

... temos a ideia de que o tratar por tu no Estado espanhol, é idêntico em Portugal , apesar dos matizes já apresentados , no entanto, não o é... Há diferenças contextuais que nos permitem estabelecer essa diferença, a relação paritária ...
Tal como a diferença entre a mesma forma do tratamento de casa entre uma empregada e uma filha, como vi e desapareceu Era o você... Aí percebe-se a relação de hierarquia no primeiro nível , estrito e só, Patroa /Empregada, já que a forma de a dita senhora ser tratada seria minha sra, pressuponho e no segundo também a hierarquia, mas familiar... esse você postado e que vi à hora do almoço não é o mesmo, aparentemente sim, mas não o é , era pura e simplesmente uma relação de poder laboral e familiar... já que se falava de uma pessoa sem carácter , havia a consciência clara da distância social, às vezes
essa distância apresenta-se como natural, e no entanto, apenas foi naturalizada,e é social, de poder portanto ... Mas, estávamos a falar do tratamento por tu no Estado vizinho , estamos todos lembrados dos ideais de Abril, Igualdade , patati , patatá
, também se teve a ideia de que a coisa era efectivamente assim , quem não se lembra de tratar toda a gente por tu, no Estado do lado foi igual , mas como é uma sociedade mais democrática, temos a ilusão que o tu está bem.... Só isso... Jose ribeiro marto

Ps : como era tratada a filha pela empregada e a empregada tratava a filha...