quarta-feira, novembro 14, 2007

quando as letras são papéis



(Michael Goldman e NouvellesImages)



(L. West e NouvellesImages)

Não há muito tempo, nomeadamente em períodos de férias, quadras festivas e datas de aniversário, a espera pela passagem do carteiro fazia-se com alguma expectativa. Nessa altura, havia tempo para escrever e para nos deliciarmos com as palavras de primos e amigos que tinham outro tanto tempo como nós.
Lembro-me que, na adolescência, me correspondia com primas e amigas a quem escrevia e de quem recebia, por vezes semanalmente, cartas de oito páginas, algumas com "top secret" em anexo, que era de imediato "surripiado" ao conjunto, não fosse um descuido permitir que alguém mais curioso fosse inteirar-se dos nossos mais íntimos segredos, invariavelmente as nossas conquistas ou impossíveis paixões. Sempre que alguma dessas cartas me vem parar às mãos ainda me surpreendo com incidentes da minha vida que havia esquecido.
É verdade que também experimento algum prazer quando, actualmente, recebo emails ou sms, sobretudo quando se aproximam da função e do tom da carta, mas não os saboreio da mesma forma.
Hoje, continuamos, ao chegar a casa diariamente, a executar o gesto mecânico de abrir a caixa do correio. Quando, no meio das inevitáveis contas para pagar e dos quilos de publicidade, descobrimos uma carta com o sabor das de antes, com palavras amigas e imagens simpáticas, escolhidas a pensar em nós, e, ainda por cima, a terminar com "B'jocas", em vez do formal "Com os melhores cumprimentos.", até o dia tem obrigação de correr melhor.

Há dois dias, ao abrir a caixa do correio, como faço sempre que chego a casa para almoçar, veio parar-me às mãos um envelope diferente. Dentro, as imagens que partilho convosco, acompanhadas das palavras simpáticas de alguém que me conhece o suficiente para me pregar destas partidas de vez em quando.

Obrigada, maninha!

6 comentários:

Kokas disse...

Tenho saudades de escrever cartas. Escrever mails e sms não tem a mesma magia. Não sei. Não se sente o papel, não se sente a caneta a tatuar o branco...

Que bom, chegar a casa, abrir o correio, e ter uma carta...

Aquele beijinho

alexandrecastro disse...

Olá deep
Que bem a entendo…
Mail´s, sms e outros que tais vieram alterar o prazer “por vezes angustiante…” da espera do carteiro!!!! E depois….o prazer da leitura, o cheiro da folha de papel misturado com o “odor colado” de quem escreveu…
Sem querer ser velho do Restelo…tenho saudades disso!
Bem, confesso, que ainda hoje não consigo pensar em frente a um écran…
O esboço tem que ser escrito à mão, usando a “velhinha” caneta de tinta permanente!!!
Manias ou hábitos enraizados.?
beijs

Novo disse...

Hoje em dia escrevemos para todo o mundo ler.

aidil disse...

No meio das cartas de contas para pagar e no "entulho " das publicidades, encontrar uma verdadeira carta deve ter um sabor tão doce como o mel...

Barão da Tróia II disse...

Desabafa quando quiseres, eu so adepto do desabafar, ajuda a manter a sanidade é por isso que tenho aquele pasquim electrónico. Bom fim de semana

Nilson Barcelli disse...

Os telefones, os telemóveis e os e-mail deram cabo de uma prática que durava há muitos anos.
Hoje não temos paciência para esperar o correio no dia seguinte, queremo-lo em minutos nas mãos.
E lá se foi o romantismo...
Bom fim de semana, beijinhos.