sábado, outubro 06, 2007

" - Estou a ver - disse. - Interessante, não é, a divisão entre o que é público e o que é privado? Quer dizer, o seu gosto literário pode estar à vista de toda a gente, mas os seus gostos em matéria de homens são um terreno secreto. - Para mim faz sentido. - Mas todas as atracções são semelhantes - disse ele. - Nascem todas de um vazio interior. (...) Falta-nos qualquer coisa e temos que preencher a lacuna. Livros, quadros, pessoas, vem tudo a dar no mesmo... - Muita gente consegue passar sem livros nem quadros. - É verdade - disse ele -, mas isso não invalida o argumento. (...) É claro que o problema fica sempre por resolver. Não há nada que nos satisfaça por muito tempo."
HUSTVEDT, Siri , De Olhos Vendados, Edições Asa

3 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Diálogo interessante.
Mas vá-se lá saber se são as lacunas que nos comandam a vida...
Bfs, beijinhos.

Astor disse...

em parte verdade, em parte... não verdade :P

não é só porque nos falta algo que vamos procurar outra pessoa.

ana maria disse...

Não concordo que "livros, quadros, pessoas..." seja tudo o mesmo! Preenchem vazios interiores?... Talvez, mas as pessoas estão em constante movimento, contínua alteração...os livros, os quadros, estão sempre lá, constantes... podem chegar a cansar...ou deliciarem-nos especialmente.As pessoas alteram, alteram-se, deixam-se alterar... podem ser mais divertidas ou aborrecidas, mas são sempre um desafio bem interessante!