segunda-feira, junho 20, 2016

terça-feira, junho 14, 2016

Pinta-amores

Uns "pinta-amores", para a colecção da Luísa.


Num muro, em Vouzela


Num banco de jardim, no Porto


No chão, em Ponta Delgada


Numa parede, no Porto


Numa loja, no Porto


Numa parede, em Trás-os-Montes


Numa porta, em Trás-os-Montes


Na apanha da batata, em Trás-os-Montes


Num banco de jardim, em Castelo Branco


Numa parede, em Trancoso


Numa parede, em Évora

Numa rua, em Delft


Na estação de metro do Bolhão, Porto

Num jardim, em Ponta Delgada

segunda-feira, junho 13, 2016

Take 4


Há quanto tempo não confessara ela o amor desta forma, directa e desnudada? Há quanto tempo a sua pele não ansiara por outra pele de que guardava a memória? Pele, textura, cheiro... Tudo estava ainda gravado em si como uma vivência recente.
De que lhe servira esse desnudar da alma e do coração? Sentia que se expusera somente à intempérie, de que fora inútil perder o medo, sair do seu casulo, abandonar a carapaça. Talvez tão somente para se sentir viva, para saber que ainda seria capaz de amar.
De que lhe servia agora amar até ao desespero, amar no limiar de uma dor quase física?
Sentia que sempre lhe faltava o quase (lembrou-se de Mário de Sá-Carneiro e do seu "Quase", que conhecia e amava desde a adolescência) e que não caíra em graça ao deus Eros ou à deusa Vénus. Deu-lhe vontade de os insultar, de lhes chamar arrogantes e prepotentes, de os culpar por terem sido desleixados na instrução dos afectos.

19/01/2016

Capítulo 4 de um "devaneio" que teve início aqui e continuou aqui e aqui.

domingo, junho 12, 2016

Amizade

Só os amigos conservam no olhar o nosso nome.
Só eles nos devolvem o movimento
das mãos para que os gestos nos comovam. 
Só com eles partilhamos a casa e o silêncio.
Sem urgência.
Graça Pires, Caderno de significados, 2013

Boca a boca

Tenho um círculo de amigos que, confesso, é bastante vicioso.
A Vénus de Milo não era mulher para cruzar os braços.
Arlequim: «Gostas de mim, Colombina?»
Colombina: «Arlequim, aos molhos!»
Por mais línguas que saibamos só uma serve para colar um selo.
Nas democracias que metem água, as eleições são feitas por naufrágio universal.
Se desejarmos a mulher do mais afastado já não deve haver problema.
[…]
Pedro Bandeira Freire, Boca a Boca

sábado, junho 04, 2016

«Porque las mujeres estamos presas de nuestro pernicioso romanticismo, de una idealización desaforada que nos hace buscar en el amado el súmmum de todas las maravillas. E incluso cuando la realidade nos muestra una e outra vez que no es así (…)
Las mujeres padecemos el maldito síndrome de la redención.
Los hombres, en cambio, creo que suelen ser más sanos en este punto y que son capaces de querernos por lo que en verdade somos. Nos nos inventan tanto (…).»

Rosa Montero, La ridícula idea de no volver a verte

Das minhas leituras de 2013.

sexta-feira, junho 03, 2016

Os enamoramentos

«[...] muitas de nós, mulheres, tendemos a ser optimistas e no fundo presunçosas, mais profundamente que os homens, que, no terreno amoroso, só o são passageiramente, esquecem-se de continuar a sê-lo: pensamos que hão-de mudar de atitude ou de convicções, que descobrirão paulatinamente que não podem passar sem nós, que seremos a excepção nas suas vidas ou as visitas que acabam por ficar, que por fim de hão-de fartar dessas outras invisíveis mulheres que começamos a duvidar que existam e preferimos pensar que não existem, à medida que vamos reincidindo com eles mais os vamos amando com grande pesar nosso; que seremos as eleitas se tivermos paciência de permanecer ao seu lado quase sem queixas nem insistências. Quando não provocamos imediatas paixões, acreditamos que a lealdade e a presença acabarão por ser premiadas e por ter mais durabilidade e mais força que qualquer arrebatamento ou capricho. Nesse caso sabemos que dificilmente nos sentiremos lisonjeadas [...].»

«Não podemos pretender ser os primeiros, ou os preferidos, somos apenas o que está disponível,os restos, as sobras, os sobreviventes,o que vai ficando, os saldos, e é com esse pouco nobre que se edificam os maiores amores e se fundam as melhores famílias, é essa a proveniência de nós todos, produto que somos da casualidade e do conformismo, dos descartes e das timidezes e dos fracassos alheios, e ainda assim daríamos às vezes fosse o que fosse para continuarmos junto de quem descartámos um dia de um sótão ou de um leilão [...].» 

Javier Marías, Os Enamoramentos

Uma análise lúcida e curiosa das relações humanas.

quinta-feira, junho 02, 2016

Do baú

Acabei de encontrar nas memórias do Facebook este "devaneio", que data de 2012.

Amar-te
não é a minha escolha
antes a minha sina,
muitas vezes noite,
raramente luz...
Amar-te
é, em manhãs claras,
bênção,
quase sempre, maldição.
Amar-te é lâmina,
golpe de espada,
por vezes, brisa ou orvalho,
quase sempre perdição...


Somos bebés grandes

«Os homens não crescem. Somos bebés grandes, nunca deixamos de querer ser amamentados. As mulheres são, para nós, as mais belas e misteriosas coisas do mundo. São humanas mas são algo mais que isso. São infinitamente misteriosas. Não as merecemos.»

John Banville, excerto de uma entrevista.

Muitas vezes, me ocorrem pensamentos semelhantes...

entrevista vale muito mais por outras afirmações, Os livros do autor, de quem nunca li nada, já estão na minha lista.

quarta-feira, junho 01, 2016

Rei, capitão

Rei, capitão,
soldado, ladrão,
menina bonita
do meu coração.
Não quero ter coroa,
nem arma na mão,
nem fazer assaltos
com um facalhão.
Quero ser criança,
quero ser feliz,
não quero nas lutas
partir o nariz.
Quero ter amigos
jogar futebol,
descobrir o mundo
debaixo do sol.
Rei, capitão,
soldado, ladrão,
não.
Mas quero a menina
do meu coração.

Luísa Ducla Soares, Poemas da Mentira e da Verdade

(Os desenhos são da mana. Já têm alguns anos.)

Com votos de um dia muito feliz para a criança que vive em cada um de vós!