quinta-feira, junho 02, 2016

Somos bebés grandes

«Os homens não crescem. Somos bebés grandes, nunca deixamos de querer ser amamentados. As mulheres são, para nós, as mais belas e misteriosas coisas do mundo. São humanas mas são algo mais que isso. São infinitamente misteriosas. Não as merecemos.»

John Banville, excerto de uma entrevista.

Muitas vezes, me ocorrem pensamentos semelhantes...

entrevista vale muito mais por outras afirmações, Os livros do autor, de quem nunca li nada, já estão na minha lista.

quarta-feira, junho 01, 2016

Rei, capitão

Rei, capitão,
soldado, ladrão,
menina bonita
do meu coração.
Não quero ter coroa,
nem arma na mão,
nem fazer assaltos
com um facalhão.
Quero ser criança,
quero ser feliz,
não quero nas lutas
partir o nariz.
Quero ter amigos
jogar futebol,
descobrir o mundo
debaixo do sol.
Rei, capitão,
soldado, ladrão,
não.
Mas quero a menina
do meu coração.

Luísa Ducla Soares, Poemas da Mentira e da Verdade

(Os desenhos são da mana. Já têm alguns anos.)

Com votos de um dia muito feliz para a criança que vive em cada um de vós!

terça-feira, maio 31, 2016

Powema 6*

Se eu pudesse fazia-te princesa,
rainha dos gatos, madressilva,

encontro à noite numa auto-estrada,
flor de lótus a nascer do sangue.

Ou então ravina de onde a ave presa
do canto voasse à mais alta ogiva,

tomar por sua a lua incendiada
até que o voo interrompesse exangue.

Se soubesse, ao menos se soubesse,
na tua boca um beijo ir acender,

eu fazia-me dança e fazia-me prece,
ou fazia-me chama, rosa do amanhecer,

príncipe da treva que a razão desconhece.
Se soubesse, fazia-te mulher.


Bernardo Pinto de Almeida

* Assim mesmo, sem erros

domingo, maio 29, 2016

sábado, maio 21, 2016

Não sei de que água

Não sei de que água é feito esse mar
que atravessa os meus sentidos
E que não sabe a sal

Não sei em que distância me perdi,
Por que sendas e escarpas
Deixei que o corpo se embrenhasse
E perdesse a noção das horas


É este o meu ofício: nada saber

Deep, Janeiro de 2014 

Acabei de encontrar este tosco devaneio de que já não tinha memória.

Bom fim-de-semana para quem (ainda) passa...

segunda-feira, maio 16, 2016

Flores (de papel)


Afonso Cruz, Flores

Quem não espera?


quinta-feira, maio 12, 2016

Coisa amar


Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como dói

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.

                               Manuel Alegre

O poeta nasceu há 80 anos. Parabéns, poeta!

terça-feira, maio 10, 2016

terça-feira, maio 03, 2016

Todos os sonhos do mundo


Surripiei hoje este "boneco" à mana. Uma bonita homenagem à maternidade e à poesia... digo eu!

domingo, maio 01, 2016

Feliz dia, mães!


(Um desenho surripiado à mana)


[...]
E as mães
(...)
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo.
São silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,em volta das candeias.
No contínuo escorrer dos filhos.
[...]
Herberto Helder