domingo, abril 17, 2016

Ay de mi





Deambulo por una calle
Sin nombre o numeración
Y pierdo la noción
Del tiempo y del lugar
Olvidándome quien soy
Y a quien vine a encontrar

No sé quien eres pero yo te busco
Yo te busco
No te conozco y yo
Te necesito
Ay de mi, ay de ti

Llegando hasta un portal
Se me caye el alma
Así te vengo a ver
Desnuda de palabras
He intentado todo
Mil maneras de vacio
Para poder llenarme así
De tí y de tus heridas
Puda de las de poco
Hasta que seas mio

sábado, abril 16, 2016

Nessa tarde


(Ao fundo, a Graciosa)
Nessa tarde em que as aves
adivinhavam tempestades
recolhi as velas
e fiz-me barco ancorado.

Nessa tarde de sal e maresia
lancei os sonhos ao mar
e deixei que, num vaivém de espuma,
se fizessem ondas.

De olhos postos no horizonte em brasa,
fui concha e alga na orla do mar, fui farol...
E, no entanto, um maremoto me nascia no peito.

deep, 2012

quinta-feira, abril 14, 2016

Dizem que é

o Dia do Café...



[...]

Os meus amigos vertem
a solidão e a felicidade
em chávenas de
café escuro e aromático,
que bebemos a meias.

[...]

(Excerto de um dos meus devaneios)

Sol de Março em Abril



Por vezes, sentes que ouvir certas músicas, passar em certos lugares, leres certos textos são puros exercícios de masoquismo. Ouves, passas, lês... sofres. Apesar disso, continuas a ouvir, a passar, a ler...

Ocorre-me, de súbito, um poema da Portia Nelson que mostra como somos tentados a cair repetidamente no mesmo erro. Não sei se é incompetência, masoquismo ou bondade.


O poema:  "Autobiografia em cinco pequenos capítulos"

I
Ando numa rua.
Há um grande buraco no passeio.
Caio no buraco.
Sinto-me perdido...
impotente.
A culpa não é minha.
Uma eternidade até que consiga sair do buraco.

II
Caminho na mesma rua.
Há um grande buraco no passeio.
Faço de conta que não o vejo.
Volto a cair no buraco.
Nem quero acreditar que foi no mesmo sítio.
Mas a culpa não é minha.
Vai ser preciso ainda muito tempo para sair do buraco.

III
Ando na mesma rua.
Há um grande buraco no passeio.
Vejo-o muito bem.
Mesmo assim, caio...
Tornou-se um hábito!
Sei onde estou.
A culpa é minha.
Saio do buraco imediatamente.

IV
Ando na mesma rua.
Há um grande buraco.
Contorno-o.

V
Sigo por outra rua.

quarta-feira, abril 13, 2016

Vivamus... atque amemus

(Constantin Brancusi, "O Beijo")

Uma publicação no Facebook, a propósito do Dia do Beijo, trouxe-me à memória um poema de Catulo (Gaius Valerius Catullus), que conheci há muitos anos no original.

Vivamos, minha Lésbia, e amemos,
e os murmúrios ds velhos mais severos
dêmos-lhes a todos o valor de um cêntimo!
Os sóis podem extinguir-se e voltar:
mas nós, uma vez que se extingue a breve luz do dia,
temos de dormir uma só noite, para sempre.
Dá-me mil beijos, depois um cento,
e mais mil, depois outro cento,
depois outros mil, e mais cem.
Em seguida, quando juntarmos muitos milhares,
misturamo-los, para que não saibamos
ou nenhum malvado possa invejar-nos,
quando souber que tantos foram os beijos.
Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira

O original:
Vivamus, mea Lesbia, atque amemus,
rumoresque senum severiorum
omnes unius aestimemus assis!
soles occidere et redire possunt;
nobis, cum semel occidit brevis lux,
nox est perpetua una dormienda.
da mi basia mille, deinde centum,
dein mille altera, dein secunda centum,
deinde usque altera mille, deinde centum;
dein, cum milia multa fecerimus,
conturbabimus illa, ne sciamus,
aut ne quis malus invidere possit
cum tantum sciat esse basiorum.
Gaius Valerius Catullus, Carme V

Fuegos

Cada persona brilla con luz propia entre los demás.
No hay dos fuegos iguales.
Hay fuegos grandes y fuegos chicos y fuegos de todos colores.
Hay gente de fuego sereno,
que ni siquiera se entera del viento,
y gente de fuego loco, que llena el aire de chispas.
Algunos fuegos bobos que no alumbran ni queman:
pero otros arden la vida con tantas ganas que no se
puede mirarlos sin parpadear,
y quien se acerca se enciende.

Eduardo Galeano (3 de Setembro de 1940 - 13 de Abril de 2015)

terça-feira, abril 12, 2016

Trabalhar prò boneco

... assim se intitula a exposição de desenhos da mana, no Posto de Turismo de Mogadouro.


Ali nos deslocámos, em "procissão", familiares e alguns amigos, depois da Páscoa.


Uma das maiores surpresas, que me comoveu, foi deparar com alguns dos meus "devaneios poéticos" junto aos desenhos.





O centro da vila, onde passei parte da minha vida e onde é sempre bom regressar.


A estátua do escritor Trindade Coelho, em frente à casa onde nasceu.

Não é só a preto e branco

«Transcorrido um certo tempo, nada se pode «pôr em ordem» entre duas pessoas; compreendi essa verdade sem esperança naquele instante, quando nos sentámos, ali, no banco de pedra. O homem vive, e corrige, ajusta, edifica, e destrói, algumas vezes, a sua vida; mas, passado tempo, dá-se conta de que o todo, tal como está, por força dos erros e do acaso, é imodificável. (...) Quando alguém emerge do passado para anunciar, em voz comovida, que quer pôr «tudo» em ordem, só podemos lamentar e sorrir das suas intenções; o tempo já «pôs tudo em ordem», à sua estranha maneira, da única maneira possível.»

Sándor Márai, A Herança de Eszter

Felizmente, a vida não é só a preto e branco... digo eu!


(Ando uma desnaturada, é certo. Hei-de voltar com outro ânimo para leituras e comentários.)

domingo, abril 10, 2016

Num deserto sem água

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de M. B. Andresen

Xuan loc Xuan, "City house"

quinta-feira, abril 07, 2016

Dia a dia


Dia
a
dia
noite
a
noite
pedra
a
pedra
palha
a
palha
tronco
a
tronco
cuspo
a
cuspo
gesto
a
gesto
passo
a
passo
flor
a
flor
se faz um ninho
um caminho
um amor
Teresa Rita Lopes, Cicatriz