segunda-feira, março 07, 2016
Eu sei que vou te amar
Jobim numa interpretação "gitana"...
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Tom Jobim
domingo, março 06, 2016
Canção
Tinha um cravo no meu balcão;
veio um rapaz e pediu-mo
- mãe, dou-lho ou não?
- mãe, dou-lho ou não?
Sentada, bordava um lenço de mão;
veio um rapaz e pediu-mo
-- mãe, dou-lho ou não?
veio um rapaz e pediu-mo
-- mãe, dou-lho ou não?
Dei um cravo e dei um lenço,
só não dei o coração;
mas se o rapaz mo pedir
-- mãe, dou-lho ou não?
só não dei o coração;
mas se o rapaz mo pedir
-- mãe, dou-lho ou não?
Eugénio de Andrade
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Cumplicidade
Acordo enroscada em mantas, no sofá do escritório. A televisão debita vozes que nem ouso interpretar. Desligo-a e dirijo-me à cozinha, em busca de algo que apazigue uma ligeira sensação de fome. Uma ténue claridade transparece pela cortina. Olho o relógio, suspenso na parede oposta à porta. Marca as 6h15. Desvio a cortina e o meu olhar dirige-se de imediato para uma unha de luz que paira acima do telhado da casa em frente. Só eu e a Lua somos cúmplices nesta hora em que tudo e todos parecem repousar ainda no abraço terno de Morfeu.
Fotografar
Fotografar não é apenas um exercício de paciência. Pode ser também um processo de descoberta e um teste à nossa capacidade de inventar e de nos excedermos. Apuramos o olhar e os sentidos, sobretudo de equilíbrio e de estética. Quando fotografamos, obrigamo-nos a encontrar beleza até nas coisas mais prosaicas e aparentemente insignificantes. Estudamos enquadramentos, distâncias, velocidades, graus de luminosidade, com o propósito de fazermos imagens que nos agradem e que possam agradar a outros. Neste sentido, fotografar resulta igualmente numa forma de mascarar a realidade e de iludir. Diria também que fotografar é, em certa medida, um exercício de meditação. Enquanto centramos a atenção no alvo do nosso disparo, abstraímo-nos de tudo o resto à volta. Nesse momento, acontece uma comunhão silenciosa a três: nós, o objecto a fotografar e a máquina.
Ontem, durante a manhã e parte da tarde, participei num workshop de fotografia. Depois de uma breve abordagem teórica, saímos para fotografar e aplicar conhecimentos. Durante mais de uma hora, percorri algumas ruas, apontando a máquina para os objectos que antes estudei com o olhar. Aos poucos, fui descobrindo, em espaços que me são familiares, pormenores que me tinham escapado e, por momentos, tive a sensação de estar numa cidade diferente e nova.
sábado, março 05, 2016
sexta-feira, março 04, 2016
As horas
«Quantas vezes, depois disso, ela se perguntara o que poderia ter acontecido se tivesse tentado continuar com ele, se tivesse retribuído o beijo de Richard na esquina da Bleecker com a MacDougal, partido com ele para qualquer lado ( para onde?), se nunca tivesse comprado o pacote de incenso ou o casaco de alpaca com os botões do feitio de rosas. Não poderiam ter descoberto alguma coisa...maior e mais estranha do que aquilo que tinham? É impossível não imaginar esse outro futuro, esse futuro recusado, como tendo sido vivido em Itália ou França, entre grandes salas cheias de sol e como um imenso e duradouro romance assente numa amizade tão abrasadora e profunda que os acompanharia até à sepultura e, quem sabe, talvez mesmo para lá dela. Ela podia, pensa, ter entrado noutro mundo. Podia ter tido uma vida tão intensa e perigosa como a própria literatura.»
Michael Cunningham, As Horas
Como saber o que teria sido a nossa vida, se, em determinados momentos, tivéssemos feito opções diferentes daquelas que fizemos? Não há como...
Li As Horas há uma série de anos, mas, de vez em quando, regresso ao livro, para ler umas passagens e, mais ainda, ao filme, que continua a ser um dos preferidos.
Sempre as horas
«Querido Leonard. Encarar a vida pela frente, Sempre encarar a vida pela frente. E vê-la como ela é. Entendê-la, finalmente. E amá-la como ela é, e então, deixá-la partir. Leonard. Sempre os anos entre nós. Sempre os anos. Sempre o amor. Sempre as horas.»
Michael Cunningham, As Horas
terça-feira, março 01, 2016
Põe-na lá
«Para que percorres inutilmente o céu inteiro à procura da tua estrela? Põe-na lá.»
Do Vergílio Ferreira, que partiu num dia 1 de Março (1996)
A propósito, João de Melo recebe hoje, na Universidade de Évora, o Prémio Vergílio Ferreira 2016.
Do Vergílio Ferreira, que partiu num dia 1 de Março (1996)
(Duy Huynh, "Blue moon expedition")
A propósito, João de Melo recebe hoje, na Universidade de Évora, o Prémio Vergílio Ferreira 2016.
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