domingo, novembro 08, 2015

Datas

8 de Novembro de 1987. A data ficou-me. Não tenho a certeza se foi o primeiro de muitos dias na Invicta, se foi o primeiro dia de aulas na faculdade. Em virtude da reestruturação de alguns cursos, as aulas nesse ano só tiveram início em Novembro. Recordo que por cá estava mais frio do que tem estado nos últimos dias. Ainda tenho presente a roupa que levava vestida e que era demasiado quente para o clima menos agreste do Porto. Aliás, quando Novembro ia já avançado, espantava-me que as pessoas com quem me cruzava se vestissem como se fosse Inverno.
Na sexta-feira passada, regressei à cidade, como regresso sempre que posso. Desta vez, para uma consulta (nada de grave, felizmente). Senti calor demais para a época. Estranhei as pessoas vestidas com blusas ou t-shirts de manga curta, como me pareceram extemporâneos o cheiro das castanhas assadas e os enfeites de Natal num dos centros comerciais. 

sábado, novembro 07, 2015

quinta-feira, novembro 05, 2015

quarta-feira, novembro 04, 2015

terça-feira, novembro 03, 2015

M. C. Escher


Sabemos que o tempo passou

Sabemos que o tempo passou
Que alguma coisa deveria ter sido dita
(talvez depois, talvez mais tarde)
Deixamos atrás de nós
Uma sequência desconexa de gestos irreparáveis
E, feridos,
Por todas as coisas
que poderíamos ter evitado a nós próprios
Caminhamos para o silêncio
E para a escuridão indefinível dos bosques.

Luís Falcão, Pétalas negras ardem nos teus olhos

segunda-feira, novembro 02, 2015

I'm gonna miss you...



 Well, I wish you, wish you well/ All the best...

Ao pé coxinho

Oiço, pela enésima vez, “A strange kind of love” do Peter Murphy, uma das “minhas” músicas, e penso como são estranhas algumas relações, de amor ou de amizade. São relações que se alimentam da distância, que seriam óptimas para uma das partes se os amantes ou amigos estivessem sós numa ilha deserta. Sem o peso da rotina, sem obrigações, sem o convívio obrigatório com a família e os amigos de parte a parte. Amores e amizades estranhos que só podem sobreviver se uma das partes ceder aos caprichos da outra parte, que só respiram se uma das partes der espaço e tempo à outra parte, sem contrapartidas.
A música chega ao fim e eu pergunto-me se podemos chamar amor ou amizade, ainda que “estranho”, a esse sentimento que, além de tudo o mais, é só de vez em quando, que, não raras vezes, prescinde da presença física, da convivência, do tempo partilhado.

A experiência, sobretudo a dos outros, diz-me que há relações assim, que se fazem ao pé coxinho, sem que o outro pé participe de forma ativa na caminhada e que, apesar das limitações, duram anos.


domingo, novembro 01, 2015