sexta-feira, março 29, 2013

quarta-feira, março 27, 2013

Bastava


Bastava que dissesses a palavra exacta,
que tens aprisionada na garganta,
Bastava que pendurasses
na porta do teu quarto um lenço branco.
Bastava que enfeitasses o chapéu
com as flores que o fim da tarde
pões sedentas da luz dos teus cabelos.

Bastava que me olhasses uma vez ainda.

Torquato da Luz, Ofício Diário

segunda-feira, março 25, 2013

Nem sempre é assim


«(...) mas a solidão também vicia. Uma solidão que nos faz perder a paciência para quase tudo e quase todos.»

«Sinto-me areia. Areia depois do mar. As pessoas. As mãos. Os sorrisos. As conversas. Os pés. Os dedos. Tudo passa por mim. Tudo deixa marcas. Marcas profundas que se afundam pele dentro, que se enterram no meu corpo. Chegam a magoar. Deixam cicatriz. Fazem tatuagens. Depois mirram, acanham-se, contraem-se, desaparecem. Abandonam-me. Perdem-se no oceano imenso, nesse mar, que sem amor de amar, porque é só mar, só água e sal e mais nada, leva para longe o meu passado, arrebatando, apagando tudo o que me toca.»

Excertos de A Solidão dos Inconstantes, de Raquel Serejo Martins, cuja leitura está a escassas páginas do fim.

Who am I?



And meet me there, bundles of flowers,
We wait through the hours of cold
Winter shall howl at the walls,
Tearing down doors of time.

Shelter as we go...

And promise me this:
You’ll wait for me only,
Scared of the lonely arms.

Surface, far below these words

And maybe, just maybe I’ll come home

Who am I, darling to you?
Who am I?
Gonna tell you stories of mine
Who am I?

Who am I, darling for you?
Who am I?
Gonna be a burden in time, lonely
Who am I, to you?

Who am I, darling for you?
Who am I?
Going to be a burden

Who am I, darling to you?
Who am I?

I come alone here
I come alone here

domingo, março 24, 2013

A flor e o espinho



Tire o seu sorriso do caminho 
Que eu quero passar com a minha dor 
Hoje pra você eu sou espinho 
Espinho não machuca a flor 
Eu só errei quando juntei minh'alma a sua 
O sol não pode viver perto da lua 

Tire o seu sorriso do caminho 
Que eu quero passar com a minha dor 
Hoje pra você eu sou espinho 
Espinho não machuca a flor 
Eu só errei quando juntei minh'alma a sua 
O sol não pode viver perto da lua 
E no espelho que eu vejo a minha magoa 
E minha dor e os meus olhos rasos d'água 
Eu na sua vida já fui uma flor 
Hoje sou espinho em seu amor 

Guilherme de Brito/ Nelson Cavaquinho (1957)

Feliz aniversário!

    Bar Etxealte, 1983
    Estabas apoyada contra la puerta.
    Te pedí un cigarrillo
    y me pasaste un paquete arrugado.
    Miré dentro. Sólo hay uno, te dije.
    Y qué, me dijiste, ¿te da pena?
    Nos reímos un rato.
    Luego cayeron unas cuantas cervezas.
    Después las cosas siguieron su curso:
    igual de perdidos los dos,
    por qué no perdernos juntos

    Karmelo C. Iribarren
Podia ser 2013, um bar da Invicta... só teríamos de trocar o "juntos" final pelo feminino. Como não aprecio cerveja, teria de substituí-la por outra bebida. De resto, talvez possamos um dia experimentar um momento assim, quem sabe,,, 


Por hoje, menina Hipatia, desejo-te um óptimo dia, em que te concedas a liberdade de fazeres o que te der prazer e te faça feliz.


Deixo-te também uma música, um pouquinho melancólica, mas de que gosto muito. Imagino que já não te seja estranha. :)

De rosa al negro

Es lo que tiene 
el amor, 
empiezas siendo 
el galán 
protagonista 
de una maravillosa 
comedia, 
y acabas 
convirtiéndote 
en un actor 
sobrio, serio, 
de carácter, 
sólo que 
de tu propia tragedia.

Karmelo C. Iribarren (n. San Sebastián, 1959)

sábado, março 23, 2013

sexta-feira, março 22, 2013

Há dias


Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo
nos cai em cima
depois ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam
não lhes sei o nome
uma ou outra parece-me comigo
quero eu dizer :
com o que fui
quando cheguei a ser luminosa
presença da graça
ou da alegria
um sorriso abre-se então
num verão antigo
e dura
dura ainda.

 Eugénio de Andrade, Os lugares de lume

quarta-feira, março 20, 2013

Felicidade

Ainda que não seja sábado...

«Confesso que não acredito verdadeiramente na felicidade, mas acredito em momentos de felicidade. A felicidade absurda de acordarmos bem-dispostos. O vento no cabelo. Uma comédia romântica. As montras. Os transeuntes. Um café com natas. Se Deus está nos detalhes, a felicidade também. E o sábado é um dia de detalhes. Sobretudo para os que gozam o sábado, coisa que não é universal e ancestral. (...) Um desvio cómico que esvazia por momentos a tensão acumulada. É isso: o sábado é o comic relief da semana. Mergulhemos então no sábado como numa piscina pouco funda que nos deixa embaraçosamente acima da água. E brinquemos com isso. (...) Entro no espírito do sábado: nada de melancolia.»

Pedro Mexia, Nada de Melancolia

Em 2012, a assembleia geral da ONU instituiu o dia 20 de Março como o Dia Internacional da Felicidade, por considerar que «a procura da felicidade é um dos objectivos fundamentais do ser humano». 

Como o Pedro Mexia, acredito em momentos de felicidade, que procuro, cada vez mais, nas pequenas coisas.

Um dia feliz para todos quantos passam por cá. A vossa companhia e as palavras simpáticas que vão deixando são também detalhes de felicidade.