quinta-feira, fevereiro 14, 2013
segunda-feira, fevereiro 11, 2013
sexta-feira, fevereiro 08, 2013
Hesitação
O homem no meio da escada hesitava há vários dias entre subir e descer. Os anos passavam e o homem continuava a hesitar: subo ou desço?
Até que certo dia a escada caiu.
Gonçalo M. Tavares, Senhor Brecht
Até que certo dia a escada caiu.
Gonçalo M. Tavares, Senhor Brecht
quinta-feira, fevereiro 07, 2013
Artigo II
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Thiago de Mello, Os estatutos do homem
quarta-feira, fevereiro 06, 2013
As árvores...
... crescem sós. E a sós florescem.
Começam por ser nada. Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.
António Gedeão (excerto de poema)
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segunda-feira, fevereiro 04, 2013
É possível
que um amaciador de roupa tenha um aroma semelhante ao Fahrenheit da Dior? Subitamente lembrei-me de alguém que, em tempos, assumiu uma especial importância na minha vida.
A memória olfactiva a pregar-me partidas... Felizmente, já não reabre feridas.
domingo, fevereiro 03, 2013
Mysteries
God knows how I adore life
When the wind turns on the shores lies another day
I cannot ask for more
When the time bell blows my heart
And I have scored a better day
Well nobody made this war of mine
And the moments that I enjoy
A place of love and mystery
I'll be there anytime
Oh mysteries of love
Where war is no more
I'll be there anytime
When the time bell blows my heart
And I have scored a better day
Well nobody made this war of mine
And the moments that I enjoy
A place of love and mystery
I'll be there anytime
Mysteries of love
Where war is no more
I'll be there anytime
Acabei de "desviá-la" do mural de Facebook de um amigo. Linda... não é?
Do prazer de conversar
(Imagem de Ada Breedveld)
Gosto de conversar. Aqueles que me conhecem bem sabem que é verdade. Outros julgam-me de poucas palavras. Talvez alguns até pensem que eu não tenho opinião sobre as coisas.
Lembro-me de gostar de uma boa conversa desde muito cedo. Tive amigas próximas, se a memória não me trai, desde o início da escola primária, com as quais, além de brincar, conversava. Recordo que, pouco antes disso, uma das minhas primas, que é mais velha seis anos, me confiava os seus segredos, que eu guardava com fidelidade. Na adolescência, era capaz de passar tardes inteiras a explorar os mais diversos assuntos, que iam das ilusões ou desilusões amorosas, à música ou à literatura, com algumas amigas e uma ou outra prima. Quando não tinha por perto as minhas mais fiéis confidentes, trocava com elas cartas quilométricas, que incluíam, por vezes, "top secrets" escritos em inglês, não fosse algum adulto mais curioso lê-los.
Actualmente, continuo a gostar de palavras, escritas ou faladas, a valorizar uma conversa de horas, num "face to face", mais do que qualquer conversa por telefone ou diálogo escrito num chat ou no Facebook.
Dou-me hoje conta de que as melhores conversas me têm acontecido, por norma, com pessoas, homens ou mulheres, com as quais senti, quando as conheci, uma quase imediata empatia. Acredito até que as amizades mais sólidas e mais longas se sustentam de longas e boas conversas, da capacidade de dizermos o que nos vai na alma sem temermos julgamentos ou de saltarmos de uns temas para os outros com facilidade e o mesmo prazer, do sermos capazes de desfiar rosários de palavras e de ouvir os outros fazerem o mesmo, sem que isso nos canse.
Mau sinal é quando nos apercebemos que nos faltam as palavras com alguém que julgávamos próximo e quando o silêncio começa a ser um constrangimento. Por norma, tal acontece com pessoas cujas relações se alimentaram de vivências quotidianas. Faltando estas, faltam as palavras.
Este texto é, de certo modo, uma homenagem àqueles que, como eu, prezam a amizade e uma boa conversa e com os quais tenho tido o privilégio de passar agradáveis momentos, daqueles que, findos, me deixam a repetir as palavras do Sérgio Godinho: "Hoje soube-me a tanto/ Portanto/ Hoje soube-me a pouco (...)".
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sábado, fevereiro 02, 2013
Chuva
Ontem, a partir do meio da tarde, a chuva caiu copiosamente, como no domingo passado, quando tirei esta foto. Ouvi-a cair durante horas, de encontro aos telhados e ao metal das caleiras e do gradeamento da varanda.
Há dias em que a chuva me deprime. Ontem, apaziguou-me. Só faltou uma chama de lareira.
sexta-feira, fevereiro 01, 2013
Havemos de engordar juntos
As canções e os poemas ignoram tanto acerca do amor. Como se explica, por exemplo, que não falem dos serões a ver televisão no sofá? Não há explicação. O amor também é estar no sofá, tapados pela mesma manta, a ver séries más ou filmes maus. Talvez chova lá fora, talvez faça frio, não importa. O sofá é quentinho e fica mesmo à frente de um aparelho onde passam as séries e os filmes mais parvos que já se fizeram. Daqui a pouco começam as televendas, também servem.
Havemos de engordar juntos.
Estas situações de amor tornam-se claras, quase evidentes, depois de serem perdidas. Quando se teve e se perdeu, a falta de amor é atravessar sozinho os corredores do supermercado: um pão, um pacote de leite, uma embalagem de comida para aquecer no micro-ondas. Não é preciso carro ou cesto, não se justifica, carregam-se as compras nos braços. Depois, como não há vontade de voltar para a casa onde ninguém espera, procura-se durante muito tempo qualquer coisa que não se sabe o que é. Pelo caminho, vai-se comprando e chega-se à fila da caixa a equilibrar uma torre de formas aleatórias.
Quando se teve e se perdeu, a falta de amor é estar sozinho no sofá a mudar constantemente de canal, a ver cenas soltas de séries e filmes e, logo a seguir, a mudar de canal por não ter com quem comentá-las. Ou, pior ainda, é andar ao frio, atravessar a chuva, apenas porque se quer fugir daquele sofá.
E os amigos, quando sabem, não se surpreendem. Reagem como se soubessem desde sempre que tudo ia acabar assim. Ofendem a nossa memória.
Nós acreditávamos.
Havemos de engordar juntos, esse era o nosso sonho. Há alguns anos, depois de perder um sonho assim, pensaria que me restava continuar magro. Agora, neste tempo, acredito que me resta engordar sozinho.”
José Luís Peixoto
Havemos de engordar juntos.
Estas situações de amor tornam-se claras, quase evidentes, depois de serem perdidas. Quando se teve e se perdeu, a falta de amor é atravessar sozinho os corredores do supermercado: um pão, um pacote de leite, uma embalagem de comida para aquecer no micro-ondas. Não é preciso carro ou cesto, não se justifica, carregam-se as compras nos braços. Depois, como não há vontade de voltar para a casa onde ninguém espera, procura-se durante muito tempo qualquer coisa que não se sabe o que é. Pelo caminho, vai-se comprando e chega-se à fila da caixa a equilibrar uma torre de formas aleatórias.
Quando se teve e se perdeu, a falta de amor é estar sozinho no sofá a mudar constantemente de canal, a ver cenas soltas de séries e filmes e, logo a seguir, a mudar de canal por não ter com quem comentá-las. Ou, pior ainda, é andar ao frio, atravessar a chuva, apenas porque se quer fugir daquele sofá.
E os amigos, quando sabem, não se surpreendem. Reagem como se soubessem desde sempre que tudo ia acabar assim. Ofendem a nossa memória.
Nós acreditávamos.
Havemos de engordar juntos, esse era o nosso sonho. Há alguns anos, depois de perder um sonho assim, pensaria que me restava continuar magro. Agora, neste tempo, acredito que me resta engordar sozinho.”
José Luís Peixoto
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