sexta-feira, novembro 30, 2012
quarta-feira, novembro 28, 2012
Lembro-me de ti
(Calçada em Estremoz)
Lembro-me de ti
Nesse instante absoluto,
A vida conduzida por um fio de música.
Intenso e delicado, ele vai-nos fechando num casulo
Onde tudo será permitido.
Se é só isso que podemos ter,
Que seja forte. Que seja único.
Tão íntimo quanto ouvirmos a mesma melodia,
Tendo o mesmo - esplêndido - pensamento.
Lya Luft
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domingo, novembro 25, 2012
Há mulheres
que, por muito que possa murchar dentro e fora delas, por muito que a chuva e o vento as fustiguem, continuam belas e de cabeça erguida.
Convém lembrar
esta e outras formas de violência que atentam contra a integridade física e psicológica das mulheres e que comprometem a sua dignidade e a sua auto-estima.
A agressão física é a forma mais visível e mais grave de violência. Há, contudo, outras formas de agressão que, embora contestadas por muitas mulheres, são ainda mal vistas socialmente, infelizmente pelas próprias mulheres.
A mulher continua a ser, na maior parte dos casais, a principal responsável pelas tarefas domésticas e pela educação dos filhos. São elas que tratam não só da lida da casa, como são sobretudo elas que se assumem como encarregados de educação dos filhos, que vão à escola ou que faltam ao trabalho quando eles ficam doentes.
Socialmente, a mulher continua a ser vista por muitos homens como um ser incapaz de levar a cabo certas tarefas e uma presa fácil. Toda a mulher que ouse entrar sozinha numa oficina ou num bar nocturno é olhada como um "elemento estranho" e alguém a quem é fácil seduzir ou enganar.
sábado, novembro 24, 2012
Falta-me tempo
Biblioteca Municipal Trindade Coelho, Mogadouro
para ler tanto quanto gostaria... e para outros pequenos-grandes prazeres.
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quinta-feira, novembro 22, 2012
Rosto
Nunca vieste
quando o desejo
fazia um entalhe de sofrimento e apelo
na polpa, madura, do dia.
Nunca vieste
quando um golpe de luar
abria ao lado do meu corpo
um lençol fresco, para acolher-te.
A tua boca não prendeu
a flor dos meus lábios.
Nunca calei no teu beijo
a indizível palavra.
Nunca vieste
Respirei-te no sonho.
A morte terá o teu rosto desconhecido.
Luísa Dacosta, A maresia e o sargaço dos dias
quando o desejo
fazia um entalhe de sofrimento e apelo
na polpa, madura, do dia.
Nunca vieste
quando um golpe de luar
abria ao lado do meu corpo
um lençol fresco, para acolher-te.
A tua boca não prendeu
a flor dos meus lábios.
Nunca calei no teu beijo
a indizível palavra.
Nunca vieste
Respirei-te no sonho.
A morte terá o teu rosto desconhecido.
Luísa Dacosta, A maresia e o sargaço dos dias
quarta-feira, novembro 21, 2012
terça-feira, novembro 20, 2012
Pode tardar, mas nem sempre falha
Porque a palavra e a prática de "bullying" são recorrentes, ocorreu-me hoje que todos, de uma forma ou de outra, em maior ou menor grau, fomos, na infância e na adolescência, vítimas da maldade alheia.
Até aos 12 ou 13 anos, altura em que decidi deixar de comer, para me aproximar da imagem da maior parte das minhas colegas, fui uma criança gordinha. Quando frequentava um dos primeiros anos da escola primária, havia um colega de turma, cujo percurso para casa coincidia parcialmente com o meu, que costumava, enquanto não me perdia de vista, dirigir simpáticos "elogios" à minha imagem.
Não recordo se alguma vez fiz queixa dele - suspeito que não -, mas não posso deixar de confessar que me deu algum gozo constatar, anos depois, que o tempo se encarregara de me vingar, acrescentando-lhe generosos quilos à figura que, já então, não era um exemplo de elegância.
Assim é
Há dias, uma amiga dizia-me
que somos aquilo que os outros esperam de nós.
Sê-lo-emos de facto ou
sê-lo-emos apenas na ideia que esses outros têm de nós?
Ou será que, à força de
acreditarmos que somos como os outros nos vêem, acabamos por adequar comportamentos
e personalidade a essa imagem que constroem de nós?
A ser verdade, por que
insistem alguns daqueles que nos rodeiam em fazer-nos acreditar que somos
aquilo que não somos? Sentem-se mais fortes acreditando que somos mais fracos? Sentem-se maiores e mais
capazes acreditando e fazendo-nos acreditar que somos menos capazes e menores?
Ontem, uma amiga que me é
muito querida e que tem pouco menos que a minha idade, sentiu-se mal quando
estava a trabalhar. Os sinais apontavam para algo grave. Felizmente, os exames acabaram por dissipar os temores.
Este incidente fez-me pensar, mais uma vez, como são fúteis os motivos que nos levam a diminuir os outros e
a lutar por causas em que, muitas vezes, só nós acreditamos, porque, como dizia há dias o
Pedro Tochas, nos levamos demasiado a sério e por isso nos convencemos de que
precisamos urgentemente de vencer e de espalhar aos quatro ventos as nossas
vitórias, desviando do caminho todas as “pedras” que encontrámos e que ameaçam impedir-nos de alcançar as metas que traçámos.
Nos dias em que vivemos, não
basta que façamos o nosso trabalho com dignidade e brio. É preciso que o
publicitemos, que lhe demos visibilidade. É fundamental que sejamos empreendedores e que nos reconheçam capacidade de iniciativa.
Muitas vezes, para que possamos, então, brilhar, desrespeitamos quem está à volta, pisamos, atropelamos e esquecemo-nos de que tudo é efémero. Mais: estamos tão convencidos da nossa grandeza, que nos esquecemos de nos olharmos ao espelho, e, assim, não chegamos a dar-nos conta das figuras ridículas que fazemos e do pedantismo em que caímos.
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