sábado, outubro 27, 2012

sexta-feira, outubro 26, 2012

1325


Hoje e amanhã, às 22 horas, no Teatro de Vila Real.

Eu já vi e vou repetir. Por que será?

quinta-feira, outubro 25, 2012

Saudade

Saudade já saudade
antes saudade
amor de te não ver
porque pressinto

se sinto que te ter
é não saber
distância já agora
e que não minto

Amor de que me calo
e te não digo

amor já saudade
já instinto

Maria Teresa Horta

O amor

Estou a amar-te como o frio
corta os lábios.


A arrancar a raiz
ao mais diminuto dos rios.

A inundar-te de facas,
de saliva esperma lume.

Estou a rodear de agulhas
a boca mais vulnerável.

A marcar sobre os teus flancos
itinerários da espuma.

Assim é o amor: mortal e navegável

Eugénio de Andrade 

quarta-feira, outubro 24, 2012

Don't let


the boss catch you , de Sarah-Jane Szikora

segunda-feira, outubro 22, 2012

Os amigos vêm uma vez ou outra

Os amigos vêm uma vez ou outra e sentam-se, 
mostram-te como são dóceis ou difíceis, ou 
como a morte se impede, por eles, de chegar 
até ti. São uma barreira contra a morte, 

os amigos, acaricias vagamente o seu rosto 
ou a sua memória, as palavras não servem 
para isso. Por eles vem a geometria do mundo, 
neles se perde depois, nem que seja para sempre. 

Vê como eles chegam e trazem vinho, tabaco, 
vergonha, cartas antigas, recortes de jornais, 
músicas que ouvimos antes. Depois sentam-se 

chamam-te para o meio deles, emprestam-te 
uma palavra ou outra, caminham com vagar, 
riem, trazem coisas que esqueces por toda a casa. 

Francisco José Viegas, O puro e o impuro

A pele que há em mim





"Mas a mágoa não mora mais em mim
Já passou, desgastei, p’ra lá do fim
É preciso partir É o preço do amor
P’ra voltar a viver

(...)

Dá-me o mar, o meu rio, minha calçada.
Dá-me o quarto vazio da minha casa
Vou deixar-te no fio da tua fala.
Sobre a pele que há em mim
Tu não sabes nada."

sexta-feira, outubro 19, 2012

O resto é silêncio (que resto?)

Volto, pois, a casa. Mas a casa,
a existência, não são coisas que li?
E o que encontrarei
se não o que deixo: palavras?

Eu, isto é, palavras falando,
e falando me perdendo
entre estando e sendo.
Alguma vez, quando

havia começo
e não inércia,
quando era cedo
e não parecia,

as minhas palavras puderam estar
onde sempre estiveram:
no apavorado lugar
onde sou silêncio.


Do poeta Manuel António Pina, que partiu hoje, aos 68 anos.

(Há coincidências estranhas: hoje, uns minutos antes de saber da morte do poeta, recebi uma das suas obras, Todas as palavras - poesia reunida.)

7 anos

talvez seja muito tempo neste mundo blogosférico. 
Apesar de ser um espaço cada vez menos frequentado, como, de resto, acontece com a maior parte dos blogues, ainda não sinto o "Letras" como uma casa decrépita. De vez em quando, passo para abrir as janelas e renovar o ar. A maior parte dos visitantes antigos deixou de passar por cá. Em contrapartida, há vizinhos novos que, como alguns (poucos) dos antigos, passam, batem à porta, se sentam no sofá e dão dois dedos de conversa. 
O "Letras" apresentou-me algumas pessoas que talvez nunca tivesse conhecido se este espaço não existisse e permitiu-me o reencontro com outras que tinham ficado presas no passado. 
Hoje, este ainda é o meu refúgio, o lugar da "Deep", o nome que, sem pretensões, roubei do CD de eleição do Peter Murphy. Ainda que público, é este espaço que, por vezes, me permite a ilusão de que me resguardo dos olhares alheios e me serve de regaço.

A todos quantos têm contribuído para a sobrevivência desta casa agradeço as palavras de incentivo e a presença, mais ou menos assídua, mas sempre simpática e reconfortante. Obrigada! Voltem sempre - e mais vezes -, que eu gosto de vos ler por cá.

Porque é preciso



iludir o cinzento...