quinta-feira, maio 31, 2012
Se eu pudesse
Se eu pudesse iluminar por dentro as palavras de todos os dias
para te dizer, com a simplicidade do bater do coração,
que afinal ao pé de ti apenas sinto as mãos mais frias
e esta ternura dos olhos que se dão.
Nem asas, nem estrelas, nem flores sem chão
- mas o desejo de ser a noite que me guia
e baixinho ao bafo da tua respiração
contar-te todas as minhas covardias.
Ao pé de ti não me apetece ser herói
mas abrir-te mais o abismo que me dói
nos cardos deste sol de morte viva.
Ser como sou e ver-te como és:
dois bichos de suor com sombra aos pés.
Complicações de luas e saliva.
José Gomes Ferreira
para te dizer, com a simplicidade do bater do coração,
que afinal ao pé de ti apenas sinto as mãos mais frias
e esta ternura dos olhos que se dão.
Nem asas, nem estrelas, nem flores sem chão
- mas o desejo de ser a noite que me guia
e baixinho ao bafo da tua respiração
contar-te todas as minhas covardias.
Ao pé de ti não me apetece ser herói
mas abrir-te mais o abismo que me dói
nos cardos deste sol de morte viva.
Ser como sou e ver-te como és:
dois bichos de suor com sombra aos pés.
Complicações de luas e saliva.
José Gomes Ferreira
quarta-feira, maio 30, 2012
Pide tres deseos
Ver el alba contigo,
ver contigo la noche,
y ver de novo el alba
en la luz de tus ojos.
Amalia Bautista
ver contigo la noche,
y ver de novo el alba
en la luz de tus ojos.
Amalia Bautista
terça-feira, maio 29, 2012
segunda-feira, maio 28, 2012
Os poetas, ai os poetas...
«Sabe», disse-me, «gostava de saber alguns poemas de cor.»
«Porquê?», perguntei.
«Acho que é elegante um homem ter sempre um poema à mão para dizer quando é preciso.»
«Onde foste buscar essa ideia?»
«Numa série que costumo ver, há um daqueles criminosos de colarinho branco e sempre bem vestido, que costuma dizer uns poemas. Assim parece ainda mais elegante.»
Não recordo como terminou o breve diálogo com um adolescente de catorze anos, mas lembro-me de ter pensado como podem ser "perigosos" os poetas, quer aqueles que verdadeiramente o são, quer os outros que, não fazendo poesia, se servem do poder das palavras, as suas ou as alheias, como "arma" de sedução, ainda que muitas vezes não tenham verdadeiramente consciência de que estão a fazê-lo. Acabei por perguntar-me se eu própria, amante de palavras, "escrevinhadora" de versos, estarei incluída nesse grupo de poetas ou se tal só se aplica ao sexo masculino. Não creio...
domingo, maio 27, 2012
Nós e os outros
Ainda que tenhamos consciência de que a imagem que os outros fazem de nós não coincide com aquela que nós próprios construímos, não deixamos de ficar surpreendidos sempre que alguém, no meio de uma conversa, se pronuncia sobre a forma como nos vê ou quando, por vias travessas, nos chegam ecos do que terão dito sobre nós.
Assim, aos poucos, vamos sabendo, por exemplo, que a timidez é vista por alguns como sinónimo de calma, reserva e ponderação e que, pelo contrário, outros a entendem como "santidade", no que esta tem de mais pejorativo. Apercebemo-nos de que há pessoas que vêem essa timidez ou a dificuldade em dizer "não" como fraqueza e falta de carácter e que há ainda outras que nos admiram pela nossa segurança, pelo que sabemos ou pelo que sabemos fazer.
Aquilo que pode realmente surpreender-nos ou intrigar-nos, sobretudo quando não nos julgamos mais do que pessoas medianas, com uma existência vulgar e ambições moderadas, é que haja à nossa volta quem possa invejar-nos e querer-nos mal pelo que somos e por motivos que são para nós insignificantes ou até misteriosos.
Aquilo que pode realmente surpreender-nos ou intrigar-nos, sobretudo quando não nos julgamos mais do que pessoas medianas, com uma existência vulgar e ambições moderadas, é que haja à nossa volta quem possa invejar-nos e querer-nos mal pelo que somos e por motivos que são para nós insignificantes ou até misteriosos.
sexta-feira, maio 25, 2012
Eu te liberto
Eu te liberto
Em nome da bondade que não sei.
Dou-te a um mundo
Onde todas as coisas detêm o poder
De serem dignas.
Devolvo-te o perdão do céu
Quando rasgas o vento
Ao jeito da tua pressa.
E amanhã, a minha cela,
De asas fechadas e culpas ressentidas,
Não poderás impedir-me de seres
O bem que eu nunca fui...
Virgínia do Carmo, Tempos Cruzados
Em nome da bondade que não sei.
Dou-te a um mundo
Onde todas as coisas detêm o poder
De serem dignas.
Devolvo-te o perdão do céu
Quando rasgas o vento
Ao jeito da tua pressa.
E amanhã, a minha cela,
De asas fechadas e culpas ressentidas,
Não poderás impedir-me de seres
O bem que eu nunca fui...
Virgínia do Carmo, Tempos Cruzados
quinta-feira, maio 24, 2012
Noite
Tomou-me de assalto a noite
com seus medos e assombrações,
que, viscosos,
escorrem pelas paredes.
Tomou-me a noite...
Deu-me por companhia
os seus fantasmas, presenças
fugidias no dobrar das esquinas.
Tomou-me a noite...
Verteu-se em mim
e a imagem que, no espelho,
se reflecte não é a de quem sou,
mas a que em mim temo.
Tomo a noite...
Com o seu eterno pranto,
os seus mistérios,
com as suas promessas
de madrugada.
Maio/2012
Etiquetas:
as minhas imagens,
devaneios poéticos,
lua,
Morphine,
música
Subscrever:
Mensagens (Atom)
