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sexta-feira, setembro 13, 2013

Si no... por qué has...?


(Imagem da net)
Si no sabías amar, 
¿Por qué has despertado mi corazón dormido? 

Cantos afganos de amor (versão de Clara Janés)

sábado, abril 20, 2013

Se assim é...

«O amor não é fácil em nenhuma idade e dói tanto ceder-lhe como fugir-lhe.»

Nuno Camarneiro, Debaixo de algum céu (que acabei de ler há minutos)

Se assim é, o melhor é ceder-lhe...

quinta-feira, outubro 25, 2012

O amor

Estou a amar-te como o frio
corta os lábios.


A arrancar a raiz
ao mais diminuto dos rios.

A inundar-te de facas,
de saliva esperma lume.

Estou a rodear de agulhas
a boca mais vulnerável.

A marcar sobre os teus flancos
itinerários da espuma.

Assim é o amor: mortal e navegável

Eugénio de Andrade 

domingo, junho 24, 2012

Dos sentimentos

Há uma idade (na verdade, há muitas idades) em que acreditamos mais, em que as ilusões moram em nós de forma mais intensa e durante mais tempo. Por vezes, basta um sorriso ou um olhar, no dobrar de uma esquina, para acreditarmos que entre nós e o dono desse sorriso ou desse olhar nasceu algo de especial. De imediato, inventamos sentimentos e, em pouco tempo, erguemos uma ilusão, que pode trazer no pacote o retrato ficcionado da outra pessoa e a imagem de uma relação que provavelmente só existe na nossa cabeça. Enquanto a desilusão não chega ou uma nova ilusão não se apodera de nós, vivemos enlevados, suspensos num sentimento muitas vezes sem alicerces.
Chega, contudo, um momento em que nos tornamos mais lúcidos - ou desencantados? Tomamos, então, consciência de que nada é preto no branco e de que, sobretudo em matéria de sentimentos, há vários tons de cinzento. Não só os olhares ou os sorrisos podem ser muitos, como o mesmo olhar ou o mesmo sorriso pode ter diferentes interpretações. Também aquilo que noutra idade considerávamos indubitavelmente paixão ou amor, pode agora não passar de um mero encantamento sem consequências. 
Apercebemo-nos igualmente de que as atitudes de alguém que parece considerar-nos especiais nem sempre resultam de um sentimento que tem por nós, antes de uma necessidade egoísta de ser amado, ou seja, ainda que possa experimentar algum sentimento pela outra pessoa, esse alguém ama sobretudo a ideia de que o amem, por isso seduz, insinua-se, provoca, para se certificar de que mantém a outra pessoa suspensa nessa sua necessidade, indiferente aos estragos emocionais que possa causar.
Quando tal acontece, sabemos que é inútil verbalizar sentimentos. Fazendo-o não aproximamos o outro de nós, pelo contrário, afastamo-lo, porque quebramos um encantamento de que se alimenta e de que alimenta a pessoa de quem se aproxima. Nomear aquilo se sente é investi-lo de realidade e esta não se coaduna com um sentimento que só pode ter existência virtual.
Eu sei que são muitos devaneios para um domingo de manhã e que o mais certo é nada disto fazer sentido, mas apeteceu-me divagar.

segunda-feira, maio 14, 2012

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

O Amor - F. Pessoa

(Caricatura de Gustavo Duarte. Aqui.)

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente.
Cala: parece esquecer.

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque a estou a falar.

quinta-feira, novembro 20, 2008

ainda o amor...

O amor fino não busca causa nem fruto. Se amo, porque me amam, tem o amor causa; se amo, para que me amem, tem fruto: e amor fino não há-de ter porquê nem para quê. Se amo, porque me amam, é obrigação, faço o que devo: se amo, para que me amem, é negociação, busco o que desejo. Pois como há-de amar o amor para ser fino? Amo, quia amo; amo, ut amem: amo, porque amo, e amo para amar. Quem ama porque o amam é agradecido, quem ama, para que o amem, é interesseiro: quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, só esse é fino. Padre António Vieira, Sermões

terça-feira, outubro 28, 2008

um amor com outro se apaga

"Dizem que um amor com outro se paga, e mais certo é que um amor com outro se apaga. Assim como dois contrários em grau intenso não podem estar juntos em um sujeito, assim no mesmo coração não podem caber dois amores, porque o amor que não é intenso não é amor. Ora, grande coisa deve de ser o amor, pois, sendo assim, que não bastam a encher um coração mil mundos, não cabem em um coração dois amores. (...) É o amor entre os afectos como a luz entre as qualidades. Comummente se diz que o maior contrário da luz são as trevas, e não é assim. O maior contrário de uma luz é outra luz maior. As estrelas no meio das trevas luzem e resplandecem mais, mas em aparecendo o sol, que é luz maior, desaparecem as estrelas. Em aparecendo o maior e melhor objecto, logo se desamou o menor."
Excerto de Sermão do Mandato do padre António Vieira

sexta-feira, janeiro 11, 2008

questionar o inquestionável?

Ontem, veio parar-me às mãos Ensaios de Amor de Alain de Botton - um ensaio em forma de romance (ou um romance que se socorre do tom e da forma do ensaio), em que o autor, num discurso de primeira pessoa, procura explicar o amor por rigorosas fórmulas matemáticas e sob a luz de teorias filosóficas. 


Apaixonamo-nos seguros de que não vamos encontrar no outro aquilo que sabemos existir em nós, cobardia, fraqueza, preguiça, desonestidade, acomodação e estupidez. Lançamos um laço de amor em volta do ente escolhido e decidimos que tudo nele vai de certo modo libertar-nos dos nossos defeitos.
Muito antes de nos familiarizarmos com o ser amado, às vezes temos a impressão curiosa de que somos velhos amigos. É a beleza que faz nascer o amor, ou o amor que faz nascer a beleza? Eu amava Chloe porque ela era bela, ou ela era bela porque eu a amava? Rodeados por uma infinidade de pessoas somos levados a perguntar por que foi que o nosso desejo se fixou naquele rosto em particular, naquela boca, nariz ou orelha, por que é que a curva deste pescoço ou a cova daquela face corresponde tão claramente aos nossos critérios de perfeição. (...) As palavras eram as mais ambíguas de toda a linguagem, pois a coisa a que se referiam era dolorosamente isenta de significado estável. É certo que vinham do coração e tentavam representar o que lá lhes tinha sido dado ver, mas a verdade é que o amor é como uma borboleta rara e colorida, frequentemente observada, mas nunca identificada de forma conclusiva. (...) a origem de um certo tipo de amor está no instinto de fugirmos de nós próprios e das nossas fraquezas (...). Mas se o ser amado nos dá troco, somos obrigados a olhar para nós próprios e, desse modo, recordados dos motivos que nos levaram a amar. Se calhar não era bem o amor que nós queríamos, mas sim alguém em quem acreditar, mas como continuar a acreditar no ser amado a partir do momento em que ele acredita em nós?

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

"dá lá um jeitinho sentimental"

O texto que de seguida transcrevo há-de ser sobejamente conhecido por muitos de vós. Imagino até que outros bloggers o tenham já publicado. Hoje deparei com ele e deu-me vontade de o partilhar.
Parece que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Teixeira de Pascoaes meteu-se num navio para ir atrás de uma rapariga inglesa com quem nunca tinha falado. Estava apaixonado e foi para Liverpool. Quando finalmente conseguiu falar com ela, arrependeu-se. Quem é que hoje é capaz de se apaixonar assim? Hoje em dia as pessoas apaixonam-se por uma questão prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão mesmo ali ao lado. Por que se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornam-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".(...) Odeio os novos casalinhos. Por onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassado ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa a beleza. É esse o perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para se perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperante. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa e o amor é outra. A vida dura uma vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Miguel Esteves Cardoso,in "Expresso"

sexta-feira, março 31, 2006

a invenção do amor

(Foto de Mark Freedom) Em todas as esquinas da cidade nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas janelas dos autocarros mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de aparelhos de rádio e detergentes na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da nossa esperança de fuga um cartaz denuncia o nosso amor Em letras enormes do tamanho do medo da solidão da angústia um cartaz denuncia que um homem e uma mulher se encontraram num bar de hotel numa tarde de chuva entre zunidos de conversa e inventaram o amor com carácter de urgência deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia quotidiana Um homem e uma mulher que tinham olhos e coração e fome de ternura e souberam entender-se sem palavras inúteis apenas o silêncio A descoberta A estranheza de um sorriso natural e inesperado
Daniel Filipe
As estrofes transcritas constituem uma pequena parte de um poema narrativo que introduz e toma quase todo o espaço de uma colectânea com o mesmo título.
Não sei se alguma vez alguém o musicou, mas lembro-me de ter visto, há alguns anos, na televisão, uma representação.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

contra a corrente

E alguém disse: Fala-nos de Amor. - Quando o Amor vos fizer sinal, segui-o; ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis. E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir. E quando vos falar, acreditai nele; apesar da sua voz poder quebrar os vossos sonhos como o vento norte ao sacudir os jardins. Porque assim como o vosso amor vos engrandece, também deve crucificar-vos. E assim como se eleva à vossa altura e acaricia os ramos mais frágeis que tremem ao sol, também penetrará até às raízes sacudindo o seu apego à terra. Como braçadas de trigo vos leva. Malha-vos até ficardes nus. Passa-vos pelo crivo para vos livrardes do joio. Mói-vos até à brancura. Amassa-vos até ficardes maleáveis. Então entrega-vos ao seu fogo, para vos transformar em pão sagrado no festim de Deus. Tudo isto vos fará o amor, para vos fazer entender os segredos do vosso coração, e por esse conhecimento vos tornar no coração da vida. Mas, se no vosso medo, buscais apenas a paz do amor, o prazer do amor, então mais vale cobrir a nudez e sair do campo do amor, a caminho do mundo sem estações, onde podereis rir, mas nunca todos os vossos risos, e chorar, mas nunca todas as vossas lágrimas. O amor só dá de si mesmo, e só recebe de si mesmo. O amor não possui nem quer ser possuído. Porque ao amor basta o amor. Não podeis guiar o curso do amor; porque o amor, se vos escolher, marcará ele o vosso curso. O amor não tem outro desejo senão consumar-se. Mas se amarem e tiverem desejos, deverão ser estes: Fundir-se e ser um regato corrente a cantar a sua melodia à noite. Conhecer a dor excessiva da ternura. Ser ferido pela própria inteligência do amor, e sangrar de bom grado e alegremente. Acordar de manhã com o coração cheio e agradecer outro dia de amor. Descansar ao meio dia e meditar no êxtase do amor. Voltar a casa ao crepúsculo e adormecer tendo no coração uma prece pelo bem amado, e na boca, um canto de louvor. (Khalil Gibran) Gosto de poemas de amor, mas, por norma, menos metafóricos, talvez por ter vergonha de parecer lamechas e ridícula. Hoje resolvi quebrar a regra, porque o meu coração começa a quebrá-la também...

segunda-feira, novembro 21, 2005

Amor

o teu rosto à minha espera. o teu rosto a sorrir para os meus olhos. existe um trovão de céu sobre a montanha. as tuas mãos são finas e claras. vês-me sorrir. brisas incendeiam o mundo. respiro a luz sobre as folhas da olaia. entro nos corredores de outubro para encontrar um abraço nos teus olhos. este dia será sempre hoje na memória. hoje compreendo os rios. a idade das rochas diz-me palavras profundas. hoje tenho o teu rosto dentro de mim. (José L. Peixoto, A Casa, a Escuridão)

segunda-feira, novembro 07, 2005

contra a violência

Problema de Expressão - Clã (Letra de Carlos Tê) Só pra dizer que te Amo, Nem sempre encontro o melhor termo, Nem sempre escolho o melhor modo. Devia ser como no cinema, A língua inglesa fica sempre bem E nunca atraiçoa ninguém. O teu mundo está tão perto do meu E o que digo está tão longe, Como o mar está do céu. Só pra dizer que te Amo Não sei porquê este embaraço Que mais parece que só te estimo. E até nos momentos em que digo que não quero E o que sinto por ti são coisas confusas E até parece que estou a mentir, As palavras custam a sair, Não digo o que estou a sentir, Digo o contrário do que estou a sentir. O teu mundo está tão perto do meu E o que digo está tão longe, Como o mar está do céu. E é tão difícil dizer amor, É bem melhor dizê-lo a cantar. Por isso esta noite, fiz esta canção, Para resolver o meu problema de expressão, Pra ficar mais perto, bem mais de perto. Ficar mais perto, bem mais de perto...