quarta-feira, maio 31, 2006

o "príncipe" Auster

O escritor norte-americano Paul Auster recebeu hoje o Prémio Príncipe das Astúrias das Letras 2006.
Dir-me-ão que haverá outros mais merecedores do prémio. Com toda a certeza que há... mas eu fico contente... Paul Auster só é um dos meus favoritos!

segunda-feira, maio 29, 2006

à boa maneira portuguesa

Definitivamente, trabalho melhor sob pressão. Se tiver um prazo de quinze dias para executar uma tarefa, é quase certo que, à boa maneira portuguesa (da fama já não nos livramos e deste mal já Eça deu conta há mais de um século!), guardarei tudo, ou pelo menos o grosso, para a "última da hora". Foi exactamente o que acabou de acontecer. É certo que só fui incumbida da tarefa na sexta-feira à tarde, como é certo que ocupei toda a tarde e a noite de sábado e a manhã de domingo empenhada em terminar trabalhos não menos urgentes, mas certíssimo mesmo é que não soube - acho que, na verdade, não quis! -, gerir prioridades. Se o tivesse feito, não estaria, a esta hora pouco cristã (como costuma dizer-se), com uma dor de costas brutal e dormiria, decerto, mais horas do que aquelas que me restam - na melhor das hipóteses, quatro.
E ,com esta, vou até "Vale de Lençóis". Prometo que amanhã, se tiver tempo, responderei aos vossos comentários. Por agora: Boa Noite!

sábado, maio 27, 2006

ah! que saudades das férias...



Ainda que antecipado, o Verão piscou o olho e instalou-se abusivamente, reclamando para si os dias que, de pleno direito, pertencem à Primavera. Apetecem as férias. Apetecem as conversas demoradas ou a leitura nas esplanadas, ao fim da tarde. Apetece preguiçar ao sol. Mais ainda quando o trabalho está longe do fim e as férias são uma miragem... lá há-de-chegar o dia!

quinta-feira, maio 25, 2006

Que atitude devemos tomar...

O Pensador de Rodin
...quando surpreendemos duas crianças de 12/13 anos a folhear, entusiasmadas, um catálogo de armas?

segunda-feira, maio 22, 2006

Esta Voz é Quase o Vento*

Há minutos, ao fazer um rápido périplo por alguns blogs, deparei, n' A Origem das Espécies, com uma nota sobre José Agostinho Baptista. A este poeta, natural da Madeira, foi hoje atribuído o Grande Prémio Poesia APE/CTT. Curiosa, não resisti a visitar a página do autor. Dos poucos poemas nela insertos, escolhi o que transcrevo para o partilhar convosco.
Comovem-me ainda os dias que se levantam
no deserto das nossas vidas.
Dos belos palácios da saudade
não resta a impressão dos dedos nas colunas
fendidas, e nada cresce nos pátios.
Muito além, depois das casas, o último
marinheiro continua sentado.
Os seus cabelos são brancos, pouco a pouco. [...] *Título da obra que deu o prémio ao autor.

domingo, maio 21, 2006

Rifão Quotidiano

Uma nêspera estava na cama deitada muito calada a ver o que acontecia chegou a Velha e disse olha uma nêspera e zás comeu-a é o que acontece às nêsperas que ficam deitadas caladas a esperar o que acontece Mário Henrique Leiria
E com esta, digo "olá!" e me despeço, porque algum trabalho urgente me espera... isto é o que acontece a quem faz gazeta quando não deve!

quarta-feira, maio 17, 2006

"(...) os homens são anjos nascidos sem asas, é o que há de mais bonito, nascer sem asas e fazê-las crescer (...)"
"(...) nem eles imaginam que esta conversa é que segura o mundo na sua órbita, não fosse falarem as mulheres umas com as outras, já os homens teriam perdido o sentido da casa e do planeta (...)"
"Além da conversa das mulheres, são os sonhos que seguram o mundo na sua órbita."
José Saramago, Memorial de Convento

terça-feira, maio 16, 2006

(Trás-os-Montes - foto de J. Bento)
tudo será arrumado um dia.
os segredos serão organizados nas indeléveis palavras.
as aves de outrora existirão nas folhas paginadas,
na pele e nos planaltos.
as aves,os pombos, as cegonhas, planarão
dentro da terra e da cinza dos arquivos
José Luís Peixoto, in a criança em ruínas (excerto)
O tempo para "postar", sobretudo para escrever textos mais extensos, ou para ler com a merecida atenção os vossos "posts" é, a esta altura em que o trabalho se acumula, escasso.

sábado, maio 13, 2006

Bom domingo!

Quando me levantei
já as minhas sandálias andavam
a passear lá fora na relva

Esta noite
até os atacadores dos sapatos
floriram

Poema "Gerês" de Jorge de Sousa Braga

sexta-feira, maio 12, 2006

todo o cais é uma saudade de pedra*

Há pouco mais de três anos comprei a casa onde habito. A decisão não foi fácil. O processo acabou por parecer-me menos difícil, quando senti que não estava sozinha. Viriam a habitar o prédio uma amiga de longa data e um casal também amigo, embora de menos anos. Nas primeiras reuniões de condomínio, respirava-se já uma certa cumplicidade, reforçada pela dificuldade em conseguir do vendedor algumas concessões e pelo proximidade de idades - curiosamente dei-me conta de que era a mais velha. Apesar de ter decorrido pouco tempo, abandonaram o prédio, por circunstâncias várias, os moradores de três apartamentos (50%). Porque começava a saborear, ainda que de forma reservada (mais por temperamento do que por desconfiança), a cordialidade que se instalava, entristeceu-me vê-los partir.
A minha morada da blogosfera tem menos dias, mas também aqui fui conquistando vozes cúmplices, de que sinto a falta quando falham na regularidade a que me habituaram e nas quais busco palavras de incentivo quando o alento falta ou uma gargalhada contagiante quando me apetece rir. Aqui, como no meu prédio, fui assistindo a abandonos que me causaram tristeza, mais ainda porque sei que não encontrarei o trilho por que seguiram.
*Primeiro verso da "Ode Marítima" de Fernando Pessoa

quinta-feira, maio 11, 2006

Para quebrar a rotina...

... nada melhor do que passar o dia num lugar assim

a tirar das margens o

,

a moldar e decorar

,

e a apanhar

para criar um herbário.

quarta-feira, maio 10, 2006

solidariedade social

Em resposta a um desafio do Tá Difícil e seguindo uma corrente que teve início, pelo menos, com a Carlota do Lote5, entre as várias instituições de solidariedade social, elegi a Fenacerci, a federação nacional de cooperativas de solidariedade social, com delegações espalhadas por todo o país, visando defender os direitos e deveres das pessoas com deficiência mental, proporcionando-lhes - e às famílas - melhor qualidade de vida.
Aos visitantes do letras são papéis sugiro que não permitam que a corrente quebre.
Descalça, escolheu, em silêncio, um tapete junto à parede. Cruzou as pernas - a direita para dentro - , endireitou as costas e, em resposta à voz da mestra, fechou os olhos para, numa sequência aprendida, pousar as as costas das mãos sobre os joelhos, unindo o polegar e o indicador. Os pensamentos acorriam-lhe desordenados, num tom de angústia que lhe apertava o peito. Aos poucos, deixou-se invadir pelas palavras quase sussurradas, pelo forte aroma do sândalo, pela música. À medida que a respiração se tornava lenta, cadenciada, os pensamentos ganharam a forma de um rio morno, que, sem pudor, deixou que seguisse o seu curso breve e desaparecesse, numa cascata sem tormentas, após o queixo. Tornou-se apenas corpo, concentrado em si, na leve memória do espírito.

domingo, maio 07, 2006

poema à mãe

(Imagem de Klimt)
No mais fundo de ti, eu sei que traí, mãe. Tudo porque já não sou o retrato adormecido no fundo dos teus olhos. Tudo porque tu ignoras que há leitos onde o frio não se demora e noites rumorosas de águas matinais. Por isso, às vezes, as palavras que te digo são duras, mãe, e o nosso amor é infeliz. Tudo porque perdi as rosas brancas que apertava junto ao coração no retrato da moldura. Se soubesses como ainda amo as rosas, talvez não enchesses as horas de pesadelos. Mas tu esqueceste muita coisa; esqueceste que as minhas pernas cresceram, que todo o meu corpo cresceu, e até o meu coração ficou enorme, mãe! Olha - queres ouvir-me? - às vezes ainda sou o menino que adormeceu nos teus olhos; ainda aperto contra o coração rosas tão brancas como as que tens na moldura; ainda oiço a tua voz: Era uma vez uma princesa no meio de um laranjal... Mas - tu sabes - a noite é enorme, e todo o meu corpo cresceu. Eu saí da moldura, dei às aves os meus olhos a beber. Não me esqueci de nada, mãe. Guardo a tua voz dentro de mim. E deixo-te as rosas. Boa noite. Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade
A todas as mães - à minha em especial - desejo um Dia da Mãe muito feliz.
Se clicarem no link abaixo, encontrarão o meu presente para todas vós. Singelo, mas de coração.

quarta-feira, maio 03, 2006

os "senhores" que me perdoem...

... mas não resisto:
"A minha mãe era um ser livre. Uma ave solta num alto céu de verão. Costumava dizer que os homens são como as chuvas, imprescindíveis à vida, revigorantes, mas quando chegam, e em se demorando um pouco mais, logo sentimos saudades dos dias de sol."
"Os homens (...), ao menos aqueles que tenho conhecido, não cultivam a memória. Ao contrário, exercitam o esquecimento. (...) os homens sempre me pareceram menos rancorosos do que as mulheres. O rancor exige uma boa memória. Um homem que nunca sabe onde guardou a chave de casa, os óculos ou o telemóvel, e são quase todos, deve ter também alguma dificuldade em guardar rancores. Acho que é por isso que, de uma forma geral, s homens envelhecem menos rapidamente do que nós. O rancor provoca rugas. Tira brilho ao cabelo. Torna as unhas quebradiças. A longo prazo, mata. Se bem que a longo prazo tudo mata."
Hayat, Faíza, O Evangelho Segundo a Serpente

terça-feira, maio 02, 2006

memórias do fim-de-semana

Entre viagens, passeios, conversa noite dentro e algum - pouco - trabalho, o fim-de-semana foi também de leitura: O Evangelho Segundo a Serpente da Faíza Hayat, uma oferta. É deste livro, escrito a partir de algumas crónicas publicadas na revista Xis do Público que vos deixo uma passagem.
"Porque nos apaixonamos por aquilo que nunca poderemos ter? Eu, pelo menos, tenho tendência para me interessar por tudo o que não posso agarrar: as nuvens, o arco-íris, o rápido fluxo do tempo. Um dia pensei que seria bom coleccionar os arco-íris. Pensei que seria bom guardá-los em pequenos frascos de cristal para que brilhassem à noite, enquanto durmo, ou alegrassem o meu dia nas manhãs de inverno. A verdade, porém, é que se os conseguisse guardar em frascos já não gostaria deles. Com os homens acontece-me o mesmo: só me apaixono pelos homens arco-íris; aquele tipo de homens que quando os olhamos de longe são belíssimos, cheios de cor e de brilho, mas que se desvanecem à medida que nos aproximamos deles."
Não necessariamente pelo conteúdo, mas pelo que o excerto tem de poético, ofereço-o simbolicamente à Pinky, com um beijo de Parabéns atrasado, e à minha prima Inês, que não gosta de fazer anos, mas que não tem outro remédio!!