sábado, fevereiro 25, 2006

neve

(Bragança: cidadela, castelo, Domus e Igreja de Santa Maria)
Desde pequena que vejo cair neve. Uns anos mais, outros menos. A magia, com o tempo, parece acrescentar-se. A neve traz consigo um silêncio que tem o poder de um chamamento, grave e poderoso. Invariavelmente, desperto mais cedo. Vou à cozinha, faço um café, que tomo bem quente, em chávena grande. Abro o estore do quarto, desvio a cortina, e fico, deitada, num extâse de novidade, a admirar os "farrapos" que vão tornando brancos os telhados.
(Serra do Marão)
Hoje, acordei cedo. Tomei o meu café. Não voltei a deitar-me. Fiquei, de pé, em frente à janela, por longos momentos, a ver os flocos frios e brancos tingir o chão, as árvores, os carros. A circunstância torna-me os gestos lentos, mas pacifica-me a alma...
Fotografias de Miguel Afonso - Olhares

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

tradições de carnaval

Um carnaval divertido para todos!

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

por terras lusas

(Foto de J. Bento)
(Foto de J. Sequeira)
Castelo e Igreja Matriz de Mogadouro

Actualização

... em Lisboa, no Chapitô, de 02 a 12 de Março, às 22 horas.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

"fitness e friends"



Saíra no encalço de si, fugindo de si… A rua devolveu-lhe a estranheza de rostos cujos traços sabia de cor, a violência de semblantes sisudos, de gestos crispados… Caminhou por ruas que faria de olhos fechados, de cabeça erguida, de mãos nos bolsos, fingindo-se confiante e anónima. Em forçado alheamento, captou sons, cheiros e cores. Evocou dias dos quais retém apenas a lembrança vaga, por isso, doce. Espalhou um ou outro “Bom dia!” maquinal. Colheu sorrisos na proporção dos que semeou. Entrou nas lojas na atitude de um autómato, cumprimentando sem efusividade, mas numa educação aprendida, os balconistas, pedindo o que pretendia e saindo, sem demora. De vez em quando, acordava para o propósito que a conduzira ali: encontrar-se, nas ruas, nos cheiros, nas cores, nos rostos dos outros… vislumbrar um resquício de si, do que fora, do que desejaria ser, do que deveria ser… Fazia agora o caminho de volta. Alargou a passada. Procurava chegar a casa, antes que o frio lhe tolhesse os movimentos, lhe gelasse a alma. Rodou a chave na porta. As mãos geladas – esquecera-se, como sempre, das luvas -, o corpo a exigir alimento e um banho quente. Ligou a rádio. A voz de Rui Veloso, resgatada do baú da memória, entoava “Saiu para a rua decidida…”, numa insistência de que não quis adivinhar o significado. Tomou um banho quente. Deitou-se no sofá. Deu consigo a rir às gargalhadas com mais um episódio de “Friends”… Antes de se deitar, colou, na porta do frigorífico, um post-it: “Não esquecer de comprar uma caixa de flocos!”…

domingo, fevereiro 19, 2006

manias

Apesar da falta de tempo, aí vai a resposta ao desafio da Pinky.
Cinco manias ( que não me parecem excepcionais!):
1- Deitar tarde todos os dias; 2- Achar um certo gozo em olhar para o relógio e deparar com horas do tipo 10.10, 12.21 ou 22.22; 3 - Deixar tudo para a última da hora e trabalhar sob stress; 4 - Ler vários livros ao mesmo tempo; 5- Deixar em branco a primeira folha dos cadernos. É suposto indicar cinco pessoas que continuem a cadeia, mas não o vou fazer. Deixo ao critério de quem quiser continuar a corrente!

sábado, fevereiro 18, 2006

Sem tempo...

... para escrever, para ler as postagens dos "blogueiros" do costume, até para comentar... Um óptimo fim-de-semana para todos!

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Egoísta só às vezes!...

Resolvi copiar a Pinky... e deu nisto! Concordo com a maior parte do que aqui se diz, mas penso não ser a egoísta que me "pintam"..
Your Five Factor Personality Profile
Extroversion: You have low extroversion. You are quiet and reserved in most social situations.A low key, laid back lifestyle is important to you.You tend to bond slowly, over time, with one or two people. Conscientiousness: You have medium conscientiousness.You're generally good at balancing work and play.When you need to buckle down, you can usually get tasks done.But you've been known to goof off when you know you can get away with it. Agreeableness: You have low agreeableness.Your self interest comes first, and others come later, if at all.In general, you feel that people are not to be trusted.And you're skeptical that anyone else really feels differently. Neuroticism: You have medium neuroticism.You're generally cool and collected, but sometimes you do panic.Little worries or problems can consume you, draining your energy.Your life is pretty smooth, but there's a few emotional bumps you'd like to get rid of. Openness to experience: Your openness to new experiences is medium.You are generally broad minded when it come to new things.But if something crosses a moral line, there's no way you'll approve of it.You are suspicious of anything too wacky, though you do still consider creativity a virtue.
The Five Factor Personality Test

terça-feira, fevereiro 14, 2006

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

os peixes amarelos

(Imagem e textos retirados de "A História Horrorosa dos Peixes Amarelos" de Clara P. Correia)
O que torna certas pessoas tão mesquinhas? Por que motivo insistem em usar os outros como armas ou escudos nas suas guerrinhas pessoais? Quando percebem que agressividade não é sinónimo de frontalidade? Pensarão colher respeito daqueles que as rodeiam?

domingo, fevereiro 12, 2006

trás-os-montes

As fotografias foram tiradas pela Ana, enquanto eu conduzia, numa estrada do Planalto Mirandês, na Páscoa ou no Verão de 2005.

sábado, fevereiro 11, 2006

futilidades...

Você é “74-75” dos Connells (1993): Você é nostálgico e gosta de perder longas horas a suspirar que “antes é que era bom”. Entre amigos, gosta mais de recordar bons momentos do que planear novos projectos. Junto dos mais novos, é capaz de passar horas a dar-lhes palestras sobre o antigamente.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

seremos, de facto, assim tão diferentes?

Hoje recebi, por e-mail, da parte de uma amiga, um pequeno filme animado que ilustra como homens e mulheres são diferentes. Aqui

terça-feira, fevereiro 07, 2006

farenheit 451

Em criança- penso que teria menos de 10 anos -, vi, na RTP1, Farenheit 451. Algumas cenas ficaram para sempre gravadas na minha memória, embora, na verdade, não tenha compreendido grande parte do que vi. Só alguns anos depois, já adulta, em conversa com uma amiga, soube ter sido realizado por François Truffaut, em 1966. Não revi o filme. Reconstituí a sua trama com a leitura, muito posterior, da obra de Ray Bradbury, que lhe serve de inspiração.
A acção de Farenheit 451 decorre em 2099. A sociedade americana tinha sido proibida pelo governo de ler e de possuir livros, porque se temia que as pessoas pudessem pensar com autonomia, criando uma elite que fosse uma ameaça ao poder vigente. As histórias dos livros eram, assim, guardadas na memória, pelos mais velhos, que as contavam aos mais novos, sempre que estes pretendiam "ler".
Por ser uma sociedade avançada, as casas eram à prova de fogo, não havendo, por isso, bombeiros. Em contrapartida, havia corporações de incendiários, cuja função era, essencialmente, incendiar as bibliotecas que alguns mantinham secretas nas suas casas. A descoberta de uma biblioteca implicava não só a sua destruição, como a punição dos seus donos. O castigo estava igualmente reservado àqueles de quem se suspeitava que tivessem um gosto, ainda que ténue, pelos livros.
Hoje, não sei muito bem porquê (ou talvez saiba!), recordei, de novo, Farenheit 451...

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

sem comentários

(Quino, Deixem a Mafalda Voar!)

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Para amenizar...

... deixo-vos com um desenho "furtado" à Ana. Boa noite!

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

criatividade...

... ou perversidade? (Imagens recebidas por mail)

sem tempo

Estou sem inspiração e sem tempo para postar algo que me pareça um pouco mais consistente. Deixo-vos com Somerset Maugham (A Lua e Cinco Tostões), cuja leitura, devagar, devagarinho, está em curso.

«(...) era um homem bom, honesto, simples e enfadonho, de quem se admiram as excelentes qualidades, mas se evita a companhia.Uma nulidade. Era provavelmente um honrado cidadão, um bom marido e bom pai, um honesto corretor, mas não havia qualquer razão para se perder tempo com ele.»

Crueldade... digo eu! 

«Só um poeta ou santo são capazes de regar o asfalto confiantes de que os lírios virão recompensar o seu labor.»

Acerca da mesma personagem:

«Era muito estranho que o instinto criador se tivesse apossado deste pacato corretor (...). A conversão pode chegar de muitas formas e consumar-se de muitas maneiras. Com alguns homens é preciso um cataclismo, como rolha fragmentada em mil pedaços pela força da corrente; com outros, porém, vai chegando aos poucos, como rocha desgastada por incessante gota de água. Strickland possuía a determinação de um fanático e a ferocidade de um apóstolo.»