segunda-feira, janeiro 30, 2006

procura

Percorro, como louca,
As ruas da cidade,
Prescrutando, em rostos anónimos,
Aquele sorriso,
Aquela voz,
Aquele gesto...

Procuro,
Mas nada encontro
Que me dê notícias
Do companheiro
Que perdi
Quando "amar"
Se conjugava no presente do indicativo,
Quando "nós" era a única pessoa possível...

Reinventei a gramática:
Omiti-lhe verbos e pessoas,
Fiz de "amor" sinónimo de "outrora"...

A vergonha da humanidade

Repassando o post de iniciativa dos blogs: http://ameanatureza.blogs.sapo.pt http://ameanatureza.blogs.sapo.pt http://guerreirosdoarcoiris.blogspot.com http://guerreirosdoarcoiris.blogs.sapo.pt http://therainbowwarrior.blogspot.com http://www.blogueiros.com http://muitofofo.blogspot.com http://desambientado.blogspot.com http://ambientehoje.blogspot.com http://meuamigobicho.zip.net/ http://faveiroformacao.blogspot.com Copie esse post e cole-o no seu blog como iniciativa em defesa das baleias quanto mais gente entrar nesta campanha, mais pessoas ficarão cientes do que está acontecendo. E quem sabe alguma coisa será feita? Uma corrente de união dos blogueiros na internet. Coloque o endereço do seu blog no post. (seu blog aqui). Se você aderir à campanha nos avise para visitarmos seu blog. International — Os japoneses estão colocando vidas humanas em risco para caçar baleias, na região da Antártida. No último sábado, dia 14, um arpão foi disparado em direção às baleias e passou a aproximadamente um metro de distância dos ativistas do Greenpeace que estavam em um bote, tentando impedir a caça. leia mais aqui É a sua vez de salvar as baleias International — Os botes infláveis já foram puxados para a terra. A tripulação está exausta, o barco precisa de combustível e é hora de levar a campanha para salvar das baleias dos oceanos para a rua principal. Veja a reportagem e o vídeo, conselho nao verem quem nao gosta de ver cenas fortes, a baleia leva mais de trinta minutos para morrer numa agonia constante!! veja video fundo pagina aqui comentários Cada um ajuda como pode, não adianta você ficar aí sentada(o) sentindo pena das baleias e não fazer nada para ajudar, se você é blogueiro divulgue a notícia. Se todos blogueiros divulgarem será uma campanha grandissima e isso fará as autoridades tomarem providências. Copie o post no seu blog. Copie da caixinha a baixo no seu post e coloque o título acima:"A vergonha da humanidade"

sábado, janeiro 28, 2006

... já estava com saudades!

(Foto de Luís Ferreira Alves)

Saldo negativo para o bolso... positivo para a alma!

sexta-feira, janeiro 27, 2006

os deuses devem estar loucos

DIA 28 DE JANEIRO DE 2006 - SÁBADO
CÉU POUCO NUBLADO OU LIMPO, AUMENTANDO GRADUALMENTE DE NEBULOSIDADE, DE NORTE PARA SUL, A PARTIR DA TARDE.
NAS TERRAS ALTAS, O VENTO SERÁ MODERADO A FORTE (30 A 50 KM/H) DE NORDESTE, COM RAJADAS, RODANDO PARA NORTE E ENFRAQUECENDO PARA MODERADO (20 A 30 KM/H).
AGUACEIROS A PARTIR DO FIM DA TARDE, MAIS INTENSOS E FREQUENTES NO LITORAL OESTE A SUL DO CABO CARVOEIRO, E QUE SERÃO DE NEVE ACIMA DOS 800 METROS NAS REGIÕES DO NORTE, DO CENTRO E DO ALTO ALENTEJO, DESCENDO A COTA PARA OS 400 A 600 METROS PARA O FIM DO DIA.
FORMAÇÃO DE GELO OU DE GEADA. ( Instituto Nacional de Meteorologia) ... lá se foram os meus planos de "descer" à Invicta!
Conheci, numa visita ao Voz em Fuga, a galeria de fotos de Richard Cooper. Resolvi "roubar" uma do castelo da minha capital de distrito.

cansaço

"O que há em mim é sobretudo cansaço - (...) Um supremíssimo cansaço. íssimo, íssimo, íssimo, Cansaço..." (A. de Campos)

terça-feira, janeiro 24, 2006

amores

Gosto de cadernos. Preferencialmente, de capa dura, costurados. Não importa muito o tamanho, embora escolha, quase sempre, cadernos pequenos, A5, que possa manusear facilmente, quando já estou deitada ou até mesmo a ingerir uma refeição mais ligeira. Ou mais pequenos ainda, para os levar para todo o lado.
Hoje veio este ter comigo. Presente tardio de Natal. É um caderno de viagem, com um elástico, que lembra os que supostamente Bruce Chatwin levava nas suas viagens (um "moleskine", parece-me), um pouco maior do que aquele de capa preta que também me ofereceram e que pretende imitar os que Le Courbusier usou durante toda a sua vida. Na capa deste reproduz-se "O Som do Bambu", uma imagem de Wen Cheng-ming, um pintor chinês, que viveu entre os séculos XV e XVI; no interior da contracapa existe, curiosamente, uma bolsa de cartão, em fole.
Desagrada-me apenas o facto de, apesar de ter sido adquirido em Portugal, não incluir, no final, um texto descritivo em português, ao lado do texto repetido em seis diferentes línguas.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

à cabeceira

«Não posso concordar com os pintores que, desdenhosamente, clamam que o leigo nada entende de pintura e que a melhor maneira de mostrar apreço pelas suas obras é através do silêncio e do livro de cheques. É uma visão errónea e grotesca (...): a arte é uma manifestação da emoção e a emoção fala uma linguagem que todos entendem.»

Somerset Maugham, A Lua e Cinco Tostões, Edições Asa

domingo, janeiro 22, 2006

direitos

(Foto da Ana)
Pronto! Já está! Exerci o meu direito/dever cívico às 13h20, a 50kms do lugar onde vivo, no edifício que se vê na imagem, na segunda porta da direita.
Ora, eu sei muito bem que estas informações não interessam a ninguém, mas, muito sinceramente, eu também não tenho qualquer empenho em saber a que horas e em que local votaram as figuras públicas deste país!!...Se estamos num país democrata, eu tenho o mesmo direito que esses senhores, não vos parece?
O melhor mesmo é que, apesar do frio, esteve um magnífico dia de sol... e este ainda é de todos.

sábado, janeiro 21, 2006

para quem ainda não sabe

(Pormenor da capa da revista Xis)
Guardar tampinhas de garrafa (água, iogurte, etc) como estas é uma forma simples de contribuir para que aqueles que precisam possam ter uma cadeira de rodas nova.
Por cá, a recolha está a fazer-se em escolas, em cafés e no hospital.
P.S. Tenho que agradecer ao Félix (Desambientado) que, através do blog da Luzia, me levou à página da Associação Tampa Amiga, permitindo-me, assim, conhecer melhor o projecto "Tampinhas".

esta noite fui ver

Recomendo.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

oferta

DUAL (HOMENAGEM A RICARDO REIS )

Não creias, Lídia, que nenhum estio
Por nós perdido possa regressar
Oferecendo a flor
Que adiámos colher.

Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo círculo da noite
Não existe piedade
Para aquele que hesita.

Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não-vivido deixa.

Não creias na demora em que te medes.
Jamais se detém Kronos cujo passo
Vai sempre mais à frente
Do que o teu próprio passo.

Por hoje me sentir particularmente generosa, ofereço a todos aqueles que por aqui passarem ( em especial a uma amiga querida de longa data) este poema de Sophia de M. B. Andresen.



quinta-feira, janeiro 19, 2006

homenagem merecida

Se ainda estivesse entre nós, Eugénio de Andrade completaria hoje, dia 19 de Janeiro, 83 anos.
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, e o que nos ficou não chega para afastar o frio de quatro paredes. Gastámos tudo menos o silêncio. Gastámos os olhos com o sal das lágrimas, gastámos as mãos à força de as apertarmos, gastámos o relógio e as pedras das esquinas em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro! Era como se todas as coisas fossem minhas: quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes! E eu acreditava! Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis. Mas isso era no tempo dos segredos, no tempo em que o teu corpo era um aquário, no tempo em que os teus olhos eram peixes verdes. Hoje são apenas os teus olhos. É pouco, mas é verdade, uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras. Quando agora digo: meu amor... já não se passa absolutamente nada.
E, no entanto, antes das palavras gastas, tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração.
Não temos nada que dar. Dentro de ti Não há nada que me peça água. O passado é inútil como um trapo. E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

ganhei o sol!

Em resposta ao meu pedido desesperado (ver postagem anterior), Tá Difícil ofereceu-me gentilmente, não um raio, mas o Sol inteiro, acompanhado de um poema.
Muito obrigada, Tá Difícil!!
(Imagem de Rumen Koynov) "Ah, eu já pensei mandar pintar o céu em tons de azul..." Estou cansada do frio e do cinzento! Alguém me oferece um raio de sol?

terça-feira, janeiro 17, 2006

pensamentos dispersos

Busquei a eternidade num poema. Os deuses não me foram favoráveis...

domingo, janeiro 15, 2006

exageros e desilusão

"Neva abundantemente em todo o distrito de Bragança. As estradas estão intransitáveis, deixando as populações isoladas." Se não foram estas palavras, foram outras de sentido equivalente que hoje abriram o jornal da tarde da Sic. De súbito, ocorreu-me: "Será que deixámos de pertencer ao distrito?!..."
Por cá, nem um floquinho para amostra!

sábado, janeiro 14, 2006

cuidar

Hoje decidi levar a cabo uma tarefa que, embora saiba necessária, venho descurando há algum tempo: tratar das minhas plantas. Tenho andado ocupada com tanto ou com tão pouco que deixei de lhes dedicar a atenção de que precisam. À excepção de dois cactos, as restantes revelam óbvios sinais de abandono.
As plantas são como as pessoas. As pessoas são como as plantas. Umas e outras precisam de atenção e de cuidados específicos, no tempo certo. Frio ou calor em demasia torna-as débeis. As plantas ganham manchas nas folhas. As pessoas criam manchas na alma, pedras no coração.
Como fazemos com as plantas, também com as pessoas, muitas vezes, vamos adiando a atenção e o carinho que sabemos urgentes. Perdemos pessoas que nos são queridas por não intuirmos o "timing" certo para as ouvir ou porque as julgamos capazes de resistir sozinhas às adversidades. Esquecemos que até as plantas mais resistentes enfraquecem se não forem regadas, adubadas e colocadas em lugar propício.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

não adianta insistir - remake

Hoje continua a ser um dia "menos bom" para insistir...
Prometo repor "links" para outros blogs que visito, logo que o tempo e a paciência me sejam favoráveis.

há dias...

... em que não adianta insistir!

terça-feira, janeiro 10, 2006

há-de flutuar uma cidade

(Foto de Ilídio Pires) há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida pensava eu... como seriam felizes as mulheres à beira-mar debruçadas para a luz caiada remendando o pano das velas espiando o mar e a longitude do amor embarcado por vezes uma gaivota pousava nas águas outras era o sol que cegava e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite os dias lentíssimos... sem ninguém e nunca me disseram o nome daquele oceano esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas punha-me a olhar a risca do mar ao fundo da rua assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar se espantasse com a minha solidão (anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração, mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.) um dia houve que nunca mais avistei cidades crepusculares e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta inclino-me de novo para o pano deste século recomeço a bordar ou a dormir tanto faz sempre tive dúvidas de que alguma vez me viesse a felicidade (Al Berto, O Medo, Salsugem, 9; 1982) Outras circunstâncias que não a tristeza ou a solidão (asseguro-vos!) conduziram-me hoje a este poema...

segunda-feira, janeiro 09, 2006

últimas leituras

...pela ordem inversa
"Tinha passado os últimos meses à procura de investigações sobre suicídios na Internet, só por curiosidade. E o magistrado municipal diz quase sempre a mesma coisa: «Suicidou-se quando o equilíbrio da sua mente estava perturbado.» E depois lemos a história do pobre sacana: a mulher andava a dormir com o seu melhor amigo, tinha perdido o emprego, e a filha morrera meses antes num acidente de viação... Olá, Sr. procurador municipal? Está alguém em casa? Sinto muito, mas não há aqui nenhuma perturbação mental, amigo. Eu diria que foi muito bem feito. Azar atrás de azar até não conseguir aguentar mais nada, e lá vai uma pessoa até ao parque de estacionamento de vários andares mais próximo na chocadeira eléctrica da família com uma porção enorme de tubo de borracha enfiado. Será mesmo justo? A investigação do procurador municipal não deveria dizer:«Suicidou-se depois de ver a miséria em que a sua vida se tinha transformado»?"
(Hornby, Nick, Um Grande Salto, Teorema)
"Henrique, artista célebre da «beleza» parodiada, aproximara-se de Helena por causa da sua beleza - não só a combinação do verde dos olhos dela com a porcelana da sua pele e o ouro dos seus cabelos, não só a harmonia das suas formas como os seus gestos lentos, «de uma doçura pensada, pré-rafaelita», dizia ele, diz-me ela agora. Helena, que se especializara na salvação dos corpos, deixou-se perder por aquela figura que pretendia salvar os espíritos através da beleza. «Não sei viver sem a tua alma», disse-lhe ela, e ele riu-se: « A alma é uma invenção de néscios, um conto de fadas.» Só admitia a palavra espírito, que aplicava às conexões entre neurónios - a alma, acrescentava, cheirava a incensos, gente ajoelhada de pés sujos. Ela procurava explicar-lhe que os pés sujos também podem representar uma outra beleza, desesperada, mas não indigna."
(Pedrosa, Inês, Carta a uma Amiga, Texto Editores)
"Acentuou-se-me a sensação de estranheza, incómoda, inquietante, que já vinha de trás. Pois que sabia eu afinal da minha cidade? Nem conhecia sequer as ruas sórdidas e escorregadias em que caminhava agora. O nome do fornecedor do meu pão tinha-me sido indiferente até aí, nunca me havia ocorrido que a populaça fizesse noitadas e comícios até altas horas na sua taberna, nunca me passaria pela cabeça que um liberto se abalançasse à candidatura de edil, nem que a edilidade pudesse ser cobiçada pelas classes baixas. E, ainda por cima, o homem mostrava-se revestido de toga cândida, peça de vestuário que, em Tarcisis, nenhum dos duúnviros, que eu me lembrasse, tinha alguma vez usado, mesmo nas cerimónias mais faustosas. (...)
Fui reconhecido pelos guardas da porta principal, que se aqueciam em roda de uma fogueira, em rija galhofa. Saudaram-me, muito espantados de me ver ali. Havia mulheres e vagabundos, à conversa, que rapidamente se esgueiraram na penumbra. Ninguém me pediu a senha. Apresentou-se-me um janitor, num desmazelo, de gládio ao ombro, bafo avinhado, que quis escoltar-me até ao caminho de ronda. Recusei. Tinha percorrido a cidade sem ser interceptado uma só vez, não encontrara uma patrulha, um único vigilante. Quis mostrar o meu desagrado recusando o privilégio da companhia. Mais tarde pediria contas a Aulo."
(Carvalho, Mário de, Um Deus Passeando Pela Brisa da Tarde, Caminho)

domingo, janeiro 08, 2006

o amor é um lugar estranho

Uma caneca de chá "Pekoe" dos Açores, bem quente e sem açúcar. Uma torrada barrada com compota de laranja. Um sofá (só pra mim!). Uma manta. "Lost in Translation" ("O amor é um lugar estranho") de Sofia Coppola. Os ingredientes perfeitos para o fim de tarde de um domingo cinzento e frio.

"Verba volant"*

AS PALAVRAS São como um cristal, as palavras. Algumas, um punhal, um incêndio. Outras, orvalho apenas. Secretas vêm, cheias de memória. Inseguras navegam: barcos ou beijos, as águas estremecem. Desamparadas, inocentes, leves. Tecidas são de luz e são a noite. E mesmo pálidas verdes paraísos lembram ainda. Quem as escuta? Quem as recolhe, assim, cruéis, desfeitas, nas suas conchas puras? Eugénio de Andrade
Sucumbimos facilmente a um ramalhete de palavras escolhidas, como a um perfume que nos inebria, a um piscar de olho, a um sorriso ambíguo. Por vezes, adivinhamos sentidos ocultos em frases que, aos ouvidos de outros, não significam mais do que aquilo que se disse; outras vezes, as palavras proferidas transportam compromissos.
Um dia, sem aviso, deixam de servir àquele que as proferiu, ficando-lhe desajeitadas como um fato fora de moda. Num momento fizeram-nos sonhar, serviram de alimento ao ego, soaram como música nos nossos ouvidos, no seguinte, resultaram ocas de sentido, absurdas, destrutivas, carregadas de dor e de cepticismo.
(* "As palavras voam.", como diziam os latinos)

sexta-feira, janeiro 06, 2006

david contra golias

(Recebido por mail)

quinta-feira, janeiro 05, 2006

quando for grande, também quero ter um

Esclareçam-me: é impressão minha ou, de facto, alguns bons carros, neste país, não têm pisca e não são obrigados a respeitar passadeiras, stops e rotundas?

quarta-feira, janeiro 04, 2006

The Unforgettable Fire...

... dos U2 - há quanto tempo não ouvia isto! Que vontade de voltar ao tempo em que tudo era a feijões!

terça-feira, janeiro 03, 2006

Receita para fazer o azul

Entre alguns presentes que recebi no último Natal, contam-se dois livros: Carta a Uma Amiga, da Inês Pedrosa, e Um Grande Salto, de Nick Hornby. No primeiro, a autora constrói uma novela epistolar a partir de uma selecção de fotografias a preto e branco de Maria Irene Crespo ( que ilustram a obra). Ainda não tive tempo de ler a obra em questão, por ter outras em mãos ( e em olhos!), mas folheei-a e, em epígrafe, deparei com as seguintes palavras de Nuno Júdice, que quero partilhar convosco: "Se quiseres fazer azul, / pega num pedaço de céu e mete-o numa panela grande, / que possas levar ao lume do horizonte; / depois mexe o azul com um resto de vermelho/ da madrugada, até que ele se desfaça; / despeja tudo num bacio bem limpo, / para que nada reste das impurezas da tarde. / Por fim, peneira um resto de ouro da areia/ do meio-dia, até que a cor pegue ao fundo de metal. (...) (Receita para fazer o azul)

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Recomeço

Porque não sou poetisa, embora por vezes tenha a pretensão de o ser, "roubo" ao poeta Miguel Torga as palavras que gostaria que servissem de mote para este ano que, fresquinho, espera que o vivamos de cabeça e coração limpos. Sísifo
Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.
in Diário XIII (1983)